Menu

Lula quer distensionar relação com Congresso em 2026

Lula quer distensionar relação com Congresso em 2026

Welesson Oliveira 3 semanas ago 0 16

Lula quer distensionar relação com Congresso e transformar o ano de 2026 em um período de menor confronto político, maior diálogo institucional e fortalecimento da governabilidade. Essa diretriz, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, está no centro da estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar o último ano de seu mandato e, ao mesmo tempo, reduzir desgastes em um cenário pré-eleitoral naturalmente sensível.

Desde o início de 2025, o governo federal enfrentou sucessivos reveses no Congresso Nacional, incluindo derrotas em votações importantes, tensões públicas com lideranças do Legislativo e dificuldades na articulação da base aliada. No entanto, apesar desse histórico recente, Lula tem demonstrado confiança de que é possível reverter o clima de embate e construir uma relação mais estável com deputados e senadores ao longo de 2026.

Mudança de postura e foco no diálogo político

Antes de tudo, auxiliares próximos ao presidente afirmam que Lula avalia que o confronto direto com o Congresso gera mais perdas do que ganhos, sobretudo em um ano marcado pela reorganização política das bancadas e pela preparação para as eleições. Por isso, Lula quer distensionar relação com Congresso adotando uma postura mais conciliadora, com menos discursos duros e maior disposição para negociações silenciosas nos bastidores.

Além disso, a leitura do Planalto é de que o ambiente político tende a se tornar menos turbulento em 2026, uma vez que muitos parlamentares estarão concentrados em suas bases eleitorais, reduzindo o protagonismo de embates nacionais. Esse contexto, portanto, abriria espaço para acordos mais pragmáticos e menos ideológicos.

Lula quer distensionar relação com Congresso em 2026

Otimismo apesar das derrotas em 2025

Embora o governo tenha enfrentado derrotas significativas ao longo de 2025, Lula tem demonstrado otimismo em conversas reservadas com auxiliares e aliados. Segundo essas fontes, o presidente avalia que os conflitos do ano anterior serviram como aprendizado e ajudaram a identificar os limites da relação entre Executivo e Legislativo.

Ainda que o desgaste político tenha sido evidente, Lula acredita que os chefes do Congresso Nacional — especialmente o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) — têm perfil institucional e pragmático, o que facilitaria a retomada do diálogo.

Governabilidade como prioridade estratégica

Nesse contexto, Lula quer distensionar relação com Congresso principalmente por enxergar que a governabilidade depende diretamente da harmonia entre os Poderes. Afinal, um ambiente de conflito permanente pode travar votações, atrasar projetos estratégicos e ampliar o desgaste institucional, especialmente em um ano eleitoral.

Por esse motivo, o presidente tem orientado sua equipe política a reduzir embates públicos, evitar confrontos retóricos e priorizar negociações diretas com líderes partidários. Assim, a ideia é substituir o discurso de enfrentamento por uma narrativa de cooperação institucional.

Avaliação positiva da agenda econômica

Outro fator que contribui para o otimismo do presidente é a avaliação interna de que a agenda econômica do governo já foi, em grande parte, aprovada ou encaminhada. Dessa forma, segundo auxiliares, não há grandes projetos econômicos estruturantes previstos para o início de 2026 que possam gerar novos atritos no Congresso.

Esse cenário permite que o governo direcione esforços para pautas consideradas prioritárias do ponto de vista social e político, ao mesmo tempo em que reduz o risco de derrotas simbólicas que poderiam enfraquecer ainda mais a relação com o Parlamento.

Prioridades legislativas para 2026

Apesar do desejo de distensionamento, o governo não abrirá mão de pautas consideradas estratégicas. Entre as principais prioridades legislativas para 2026 estão:

  • MP do Gás do Povo, voltada à ampliação do acesso ao gás de cozinha para famílias de baixa renda;
  • PEC da Segurança, que busca reorganizar competências e fortalecer políticas de combate à criminalidade;
  • PL Antifacção, com foco no enfrentamento ao crime organizado;
  • PEC do fim da escala 6×1, proposta que visa alterar a jornada de trabalho semanal.

Nesse sentido, Lula quer distensionar relação com Congresso, mas sem abdicar de projetos que considera essenciais para seu legado político.

Congresso mais esvaziado pode facilitar negociações

Além disso, uma avaliação estratégica feita pelo Planalto aponta que o Congresso tende a estar mais esvaziado em 2026. Muitos deputados e senadores devem priorizar agendas regionais, viagens às bases eleitorais e articulações locais, diminuindo a intensidade das disputas no plenário.

Consequentemente, esse cenário poderia facilitar a atuação do governo, que passaria a negociar diretamente com lideranças partidárias e presidentes de comissões, evitando confrontos públicos que costumam ganhar grande repercussão na imprensa e nas redes sociais.

Movimentos prévios para melhorar o relacionamento

Ainda em dezembro do ano passado, Lula já havia iniciado movimentos concretos para melhorar a relação com o Legislativo. Entre as ações, destacou-se a nomeação de aliados indicados pelos presidentes da Câmara e do Senado para cargos estratégicos no governo federal.

Essas nomeações foram interpretadas como um gesto de boa vontade e sinalizaram que o presidente estava disposto a dividir espaços de poder em troca de estabilidade política. Desde então, o clima entre Planalto e Congresso tem sido descrito como mais ameno, embora ainda permeado por desconfianças.

Pressões que ainda persistem

Apesar da estratégia de distensionamento, interlocutores do governo reconhecem que desafios relevantes continuam no radar. Um dos principais pontos de tensão envolve o pagamento de emendas parlamentares individuais, tema sensível para deputados e senadores e frequentemente utilizado como instrumento de pressão política.

Além disso, a possível retomada da CMPI do INSS, que apura suspeitas de fraudes envolvendo benefícios previdenciários, preocupa o Planalto. Isso porque o foco das investigações pode atingir pessoas próximas ao presidente, aumentando o desgaste político e ampliando o espaço para ataques da oposição.

Cálculo político em ano eleitoral

Por fim, Lula quer distensionar relação com Congresso também por compreender que 2026 será um ano decisivo para a consolidação de seu legado político. Conflitos institucionais prolongados poderiam comprometer não apenas a governabilidade, mas também a imagem do governo perante o eleitorado.

Assim, ao reduzir tensões, o presidente busca criar um ambiente político mais previsível, evitar crises desnecessárias e garantir que as disputas eleitorais ocorram dentro dos limites democráticos e institucionais.

Considerações finais

Em resumo, a estratégia de Lula para 2026 passa pela reconstrução de pontes com o Congresso Nacional, pela redução de embates públicos e pela priorização do diálogo político. Embora os desafios permaneçam, o Planalto aposta que a combinação de um Congresso menos ativo, uma agenda econômica já encaminhada e gestos de aproximação institucional pode resultar em um ambiente político mais estável.

Resta saber se essa estratégia será suficiente para neutralizar pressões internas, resistências da oposição e eventuais crises que possam surgir ao longo do ano. Ainda assim, o movimento sinaliza uma mudança clara de postura: menos confronto e mais articulação.

Acesse nosso canal do Youtube e Volte à Página Inicial do nosso Site para mais Notícias

Escrito Por

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe Sua Opinião

Deixe Sua Opinião

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Conteúdo Protegido