Bloqueio judicial atinge finanças pessoais do parlamentar, que deixou o Brasil com passaporte diplomático e gera questionamentos sobre uso de privilégios para escapar de restrições legais.

Uma nova reviravolta no cenário político e judicial brasileiro chamou atenção na sexta-feira, 25 de julho.Alex, faça Subloqueio das contas bancárias, cartões de crédito e chaves PIXvocêMarcos do Val (Podemos-ES). A decisão foi tomada no contexto das investigações que apuram a participação de parlamentares em possíveis atos de obstrução à Justiça e intimidação de autoridades, como a Polícia Federal.
O que causou ainda mais espanto foi o fato de que, um dia antes da decisão,embarcou para os Estados Unidos utilizando seu passaporte diplomático, mesmo com uma determinação anterior do STF para sua apreensão. O caso gera polêmica, reacende o debate sobre o uso de prerrogativas parlamentares e levanta suspeitas sobre possível tentativa de burlar medidas judiciais.
Bloqueio financeiro total
A decisão do ministro Alexandre de Moraes é considerada abrangente e dura. Não se trata apenas do bloqueio de contas bancárias tradicionais. A medida também afeta:
- Cartões de crédito e débito vinculados a Marcos do Val
- Todas as chaves PIX registradas em seu CPF
- Movimentações financeiras identificadas nos principais bancos e plataformas digitais
Segundo fontes da CNN Brasil, o objetivo da decisão é impedir que o senador desvie recursos, destrua provas ou se esquive das investigações em curso, que envolvem suspeitas graves sobre sua conduta parlamentar.
Viagem antecipada gera desconfiança
O portal UOL foi o primeiro a revelar que Marcos do Val havia deixado o país na quinta-feira, 24, em um voo com destino aos Estados Unidos. A informação foi confirmada pela CNN, e, segundo apuração, o senador teria utilizado seu passaporte diplomático para atravessar a imigração, mesmo havendo uma determinação judicial prévia para a apreensão do documento.
A viagem surpresa gerou questionamentos sobre a eficácia das decisões judiciais e o uso de recursos institucionais, como o passaporte diplomático, para evitar medidas restritivas. Internautas e opositores políticos levantaram dúvidas sobre a legalidade da saída do senador e a possível intenção de fuga disfarçada sob pretexto oficial.
Declarações de Marcos do Val
Diante da repercussão, Marcos do Val fez questão de se pronunciar publicamente. Em nota oficial e em suas redes sociais, o senador confirmou que utilizou o passaporte diplomático emitido pelo Ministério das Relações Exteriores, com validade até julho de 2027, e alegou que não há qualquer restrição formal sobre ele.
Além disso, afirmou que seu visto oficial para entrada nos Estados Unidos está válido até 2035, o que lhe permitiria entrar e sair do país sem impedimentos.
“Meu passaporte diplomático está regular e válido. Não há nenhuma restrição sobre mim que impeça a viagem”, afirmou.
A justificativa, no entanto, não foi suficiente para acalmar os ânimos. Críticos da atitude do senador apontam que, embora tecnicamente legal, a viagem enfraquece a imagem institucional do Congresso Nacional, ao parecer que um parlamentar tenta fugir da Justiça.
O pano de fundo: investigações e tensão institucional
A decisão de Moraes está inserida em um contexto mais amplo. Marcos do Val é alvo de investigação por suposta tentativa de obstrução de justiça e intimidação contra a Polícia Federal. A Polícia Federal, inclusive, realizou busca e apreensão em sua residência no Espírito Santo em agosto do ano passado, com o objetivo de localizar e reter seus passaportes, inclusive o diplomático — sem sucesso.
Esses episódios fazem parte de uma série de ações do STF e da PF contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, investigados por envolvimento com atos antidemocráticos e tentativas de desestabilização institucional, como os ataques ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
O uso de passaporte diplomático: privilégio ou brecha?
O caso de Marcos do Val reacende um debate importante: o uso de passaportes diplomáticos por parlamentares que estão sob investigação. Apesar de ser um instrumento legítimo no exercício de missões oficiais, não é raro que o documento seja usado como vantagem em situações delicadas — especialmente quando há risco de medidas restritivas.
Especialistas em direito constitucional apontam que o uso do passaporte diplomático para deixar o país em meio a uma investigação pode ser interpretado como desvio de finalidade, e que o Senado Federal, como instituição, deveria avaliar internamente se houve quebra de decoro parlamentar.
Reações políticas
A repercussão no meio político foi imediata. Parlamentares da oposição cobraram uma posição do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, sobre o caso. Alguns pediram que o Conselho de Ética investigue a conduta de Marcos do Val.
Por outro lado, aliados do senador afirmam que ele não cometeu nenhuma ilegalidade e que está sendo vítima de perseguição judicial. A tensão entre o Legislativo e o Judiciário volta ao centro do debate, evidenciando a fragilidade institucional em tempos de polarização.
Reflexão final: o que está em jogo?
O caso do senador Marcos do Val é um retrato da atual instabilidade política brasileira. As decisões do STF, os movimentos de figuras públicas investigadas e a aparente facilidade com que parlamentares burlam restrições judiciais mostram que há brechas institucionais graves que precisam ser debatidas.
Para além da polêmica, o episódio reforça a necessidade de transparência, responsabilidade política e fiscalização cidadã. Afinal, enquanto os representantes eleitos utilizam seus privilégios, a população aguarda por justiça, verdade e integridade no exercício do poder.











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