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Mensagens interceptadas apontam que Lulinha orientava e participava de reuniões de lobby

Mensagens atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e encontradas no celular da empresária Roberta Luchsinger passaram a ocupar espaço central nas investigações que apuram possíveis relações entre empresários, lobistas e integrantes da administração federal. Os diálogos, revelados inicialmente pelo Metrópoles e posteriormente confirmados pela Gazeta do Povo, são analisados pela Polícia Federal como possíveis elementos para esclarecer se a atuação de Lulinha ultrapassava uma relação pessoal com Roberta. Até o momento, porém, o conteúdo não representa uma conclusão judicial sobre eventual prática de tráfico de influência.

Segundo os elementos que estão sendo examinados, as conversas mencionam reuniões, contatos com autoridades e tratativas relacionadas a interesses empresariais. Em uma das mensagens, atribuída a março de 2024, Lulinha teria citado encontros com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete do presidente Lula, e Swedenberger Barbosa, que ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde. Em outro episódio, registrado em julho de 2023, ele teria pedido a Roberta que convidasse Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para um encontro na Bahia. Não há confirmação de que todas as reuniões mencionadas tenham ocorrido.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores envolve o empresário Cleber Ribas e a emissão de uma nota fiscal de aproximadamente R$ 150 mil. Nas mensagens, Lulinha teria perguntado a Roberta sobre o documento, recebendo como resposta que a emissão já havia sido realizada. Ribas é ligado à 3Structure IT, empresa que possui contratos com órgãos federais que, segundo os dados citados na investigação, somam cerca de R$ 86 milhões. A defesa do empresário afirma que a contratação da empresa de Roberta ocorreu para serviços privados de assessoria e prospecção comercial, com pagamentos registrados e tributados, sem relação com contratos públicos. Os advogados também sustentam que a relação entre Ribas e Lulinha é de natureza pessoal.

As investigações também alcançam a relação entre Lulinha, Roberta e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Antunes é citado nas apurações sobre descontos indevidos envolvendo aposentados e pensionistas e teria buscado oportunidades comerciais na área de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. Lulinha e Antunes viajaram juntos a Portugal para conhecer um sistema de produção, embora ambos neguem que tenham firmado sociedade ou realizado contratos em conjunto. Roberta teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão em repasses atribuídos a Antunes, e uma das transferências traz uma referência ao “filho do rapaz”, expressão que investigadores avaliam como possível menção a Lulinha. Ele nega essa relação e afirma não ter participação nos fatos investigados.

A Polícia Federal também analisa outros episódios mencionados nas conversas, incluindo uma referência a Fernando Bittar, identificado por apelidos nas mensagens. Roberta teria relatado que ele estaria utilizando o nome de Lulinha em uma tentativa de negociação de grande porte envolvendo a Telebras. O episódio é considerado pelos investigadores mais um elemento para compreender a extensão das relações entre empresários e pessoas próximas ao círculo presidencial. Paralelamente, a hipótese de que presentes, pagamentos de despesas e outros benefícios oferecidos por Roberta possam ter contribuído para ampliar seu acesso a pessoas ligadas ao governo ainda depende da análise completa dos documentos, mensagens e movimentações financeiras reunidas nos inquéritos.

Lulinha é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal relacionados a suspeitas distintas. Dois são relatados pelo ministro André Mendonça e tiveram origem em elementos das investigações sobre irregularidades no INSS. Um deles apura possíveis relações envolvendo negócios de cannabis medicinal, enquanto outro examina suspeitas relacionadas à Dataprev e a contratos de tecnologia. O terceiro, sob relatoria do ministro Flávio Dino, também investiga possíveis relações com negócios públicos e possíveis vazamentos de informações sigilosas. A defesa de Lulinha contesta a interpretação das mensagens, afirma que os trechos divulgados podem estar fora do contexto e diz que ele vive na Espanha e trabalha na iniciativa privada, sem vínculo com o governo brasileiro. Os advogados pedem acesso integral ao material e investigação sobre eventuais vazamentos. A defesa de Roberta optou por não comentar o caso em razão do sigilo. As apurações seguem em andamento, e a principal questão agora é esclarecer o contexto completo das conversas, a finalidade dos pagamentos mencionados e se houve alguma contrapartida relacionada a contratos ou interesses empresariais junto à administração pública.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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