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Peixes mortos são recolhidas em Campina Grande (PB) "Mais de 10 toneladas"

Peixes mortos são recolhidas em Campina Grande (PB) “Mais de 10 toneladas”

Welesson Oliveira 2 semanas ago 0 8

Peixes mortos são recolhidos em Campina Grande em uma operação emergencial que escancarou uma das mais graves crises ambientais recentes da Paraíba. Mais de 10 toneladas de peixes mortos foram retiradas do tradicional Açude Velho, um dos principais cartões-postais da cidade, após a água apresentar mudança drástica de coloração, odor intenso e sinais claros de degradação ambiental. O episódio, além de alarmar moradores, levantou questionamentos sobre gestão ambiental, responsabilidade pública e riscos à saúde coletiva.

Desde o início do fim de semana, portanto, equipes da Prefeitura de Campina Grande passaram a atuar de forma contínua no local. No entanto, à medida que os trabalhos avançavam, o volume de peixes mortos recolhidos aumentava, evidenciando que o problema era mais grave do que inicialmente se imaginava. Diante disso, autoridades municipais se reuniram com o Ministério Público da Paraíba (MPPB) para discutir medidas emergenciais e estruturais.

Entenda o que provocou a morte dos peixes

De acordo com a Prefeitura de Campina Grande, o fenômeno está diretamente ligado à eutrofização, um processo ambiental que ocorre quando há excesso de nutrientes na água, especialmente nitrogênio e fósforo. Esses elementos, por sua vez, costumam ser oriundos de esgoto doméstico, resíduos urbanos e materiais orgânicos que chegam ao reservatório sem o devido tratamento.

Como consequência, ocorre uma proliferação acelerada de algas e micro-organismos. Entretanto, embora esse crescimento possa parecer inofensivo à primeira vista, o efeito é devastador. Quando essas algas morrem e entram em decomposição, consomem grande parte do oxigênio dissolvido na água, criando um ambiente inviável para a sobrevivência de peixes e outros organismos aquáticos.

Além disso, fatores como altas temperaturas, baixa circulação da água e falta de oxigenação adequada agravam ainda mais o cenário. Assim, o Açude Velho acabou se tornando um ambiente hostil à vida aquática, resultando na morte em massa dos peixes.

Peixes mortos são recolhidas em Campina Grande (PB) "Mais de 10 toneladas"
Peixes mortos são recolhidas em Campina Grande (PB) “Mais de 10 toneladas”

Operação emergencial mobiliza dezenas de servidores

Enquanto isso, a Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) iniciou uma força-tarefa para conter os danos ambientais. Mais de 60 servidores foram mobilizados desde o domingo, atuando na retirada manual e mecanizada dos peixes mortos, limpeza da lâmina d’água e início de um processo de oxigenação do reservatório.

Além da questão ambiental, existe também uma preocupação sanitária. O acúmulo de peixes em decomposição poderia gerar riscos à saúde pública, como a proliferação de insetos, contaminação do ar e até doenças. Por esse motivo, a operação precisou ser acelerada, mesmo diante das dificuldades logísticas.

Ainda assim, técnicos alertam que a retirada dos peixes, embora necessária, não resolve o problema estrutural. Trata-se apenas de uma medida emergencial para conter os efeitos imediatos da crise.

Reunião com o Ministério Público e investigação criminal

Diante da gravidade da situação, o vice-prefeito de Campina Grande, Alcindor Villarim Filho, se reuniu em João Pessoa com representantes do Ministério Público da Paraíba. Estiveram presentes o procurador Álvaro Campos e o promotor Hamilton Neves Filho, responsável pela Defesa do Meio Ambiente no município.

Embora nenhuma decisão concreta tenha sido divulgada após o encontro, ficou definido que uma nova reunião ocorrerá no próximo dia 20, envolvendo secretários municipais e órgãos ambientais. O objetivo, portanto, é avançar na definição de responsabilidades e cobrar providências efetivas.

Paralelamente, a Polícia Civil da Paraíba (PCPB) instaurou um inquérito policial para investigar a possibilidade de crime ambiental. Amostras da água e dos peixes mortos foram encaminhadas ao Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), onde passarão por análises laboratoriais detalhadas. Até o momento, não há prazo para a divulgação dos laudos.

Açude Velho: símbolo histórico em risco

O Açude Velho não é apenas um reservatório de água. Ele faz parte da história, da identidade cultural e da paisagem urbana de Campina Grande. Por isso, o episódio provocou forte comoção entre moradores, ambientalistas e especialistas.

Ao longo dos anos, o açude já enfrentou outros episódios de degradação, porém o atual cenário é considerado um dos mais críticos. Especialistas apontam que a falta de um plano contínuo de manutenção, aliada ao crescimento urbano desordenado, contribuiu significativamente para o agravamento da situação.

Consequentemente, cresce a pressão para que o poder público adote medidas permanentes, e não apenas ações pontuais diante de crises.

Projeto de recuperação está em fase de planejamento

Segundo a Prefeitura de Campina Grande, já existe um projeto de recuperação do Açude Velho em fase de planejamento. Os estudos técnicos e projetos necessários para licitação estão sendo elaborados com recursos do Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata).

Entre as intervenções previstas estão:

  • Dragagem do reservatório, para remoção de sedimentos contaminados;
  • Tratamento da água e melhoria na oxigenação;
  • Requalificação urbana do entorno, com ações de acessibilidade;
  • Monitoramento ambiental contínuo.

A previsão é que as obras tenham início no primeiro semestre de 2026, o que, embora represente um avanço, também levanta críticas sobre a demora para a execução.

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) participa do projeto com análises técnicas e desenvolvimento de soluções que orientam a requalificação completa do açude.

Impactos ambientais e sociais

Além do impacto ambiental direto, a morte de mais de 10 toneladas de peixes gera reflexos econômicos, sociais e turísticos. O Açude Velho é um espaço de lazer, prática esportiva e convivência social. Sua degradação afeta diretamente a qualidade de vida da população.

Do mesmo modo, a situação reforça o debate sobre saneamento básico, políticas públicas ambientais e responsabilidade compartilhada entre governo e sociedade. Sem controle adequado de esgoto e resíduos, episódios como esse tendem a se repetir.

Especialistas alertam para risco de novos episódios

Especialistas em meio ambiente alertam que, sem mudanças estruturais, a eutrofização pode voltar a ocorrer, especialmente em períodos de calor intenso. Por isso, defendem ações preventivas, como fiscalização rigorosa, educação ambiental e investimentos contínuos em saneamento.

Enquanto isso, a população acompanha com apreensão os desdobramentos das investigações e aguarda respostas concretas das autoridades.

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Escrito Por

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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