Com Guilherme Boulos fora das urnas eleitorais neste ano, o PSOL lançará a mulher de Boulos à Câmara, em uma estratégia clara para tentar manter e até ampliar a representação do partido no estado de São Paulo. A decisão do partido visa capitalizar o histórico eleitoral do ex-deputado federal, bem como a visibilidade política que ele conquistou em 2022, quando se tornou o parlamentar mais votado no maior colégio eleitoral do país.
Contexto eleitoral de Boulos e do PSOL
Em 2022, Guilherme Boulos obteve pouco mais de um milhão de votos em São Paulo, superando candidatos de partidos tradicionais como Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, do PL. Esse desempenho reforçou o poder de influência eleitoral de Boulos na capital paulista e em diversas regiões metropolitanas, o que se tornou um ativo valioso para o PSOL. Portanto, a saída de Boulos da disputa direta cria um desafio para o partido: como manter a bancada e o capital político conquistado?
Para isso, o PSOL decidiu lançar a advogada Natália Szermeta, mulher do ministro da Secretaria-Geral, como candidata à Câmara dos Deputados. O uso do sobrenome Boulos na campanha tem função estratégica, pois pretende garantir que eleitores associem a candidata à figura conhecida e valorizada do ex-deputado. Dessa forma, o partido busca manter a chamada “recall eleitoral” do ex-parlamentar, tentando transferir parte de seus votos para sua esposa.

Estratégia de distribuição de votos
O PSOL analisou detalhadamente o cenário eleitoral em São Paulo e percebeu que a votação de Boulos tende a se concentrar não apenas na capital, mas também na Região Metropolitana e em algumas áreas do interior paulista. Estudos internos indicam que metade da votação de Boulos em 2022 estava concentrada na capital, enquanto o restante se dividiu entre as regiões periféricas e municípios estratégicos, o que permite ao partido traçar uma estratégia de campanha direcionada e segmentada.
Além disso, a legenda considera que parte significativa da votação herdada poderá ser direcionada também a outras deputadas federais do partido, como Erika Hilton e Professora Luciene, consolidando a bancada e ampliando a presença política do PSOL no Congresso Nacional. A estratégia demonstra que o partido está atento às dinâmicas eleitorais e ao comportamento do eleitorado, utilizando métodos de transferência de votos e fortalecimento de imagem de marca partidária.
A disputa política em São Paulo
A movimentação do PSOL ocorre em paralelo às ações de outros partidos, como o PL, que também tem trabalhado para manter sua bancada em São Paulo. No caso do partido de Jair Bolsonaro, nem Eduardo Bolsonaro nem Carla Zambelli devem concorrer à Câmara dos Deputados, o que abre espaço para novas candidaturas familiares e estratégicas.
Para garantir a presença do sobrenome Bolsonaro nas urnas, o PL lançou nomes como Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, e Rita Zambelli, mãe de Carla Zambelli. Essas candidaturas mostram que a disputa pelo capital eleitoral familiar é uma tendência relevante na política paulista, e que estratégias de marketing político voltadas a nomes conhecidos continuam sendo decisivas para o sucesso nas urnas.
Perfil da candidata do PSOL
Natália Szermeta, advogada de formação, traz não apenas o sobrenome de Boulos, mas também um histórico de atuação profissional que reforça sua imagem de competência e comprometimento. Ao unir a relevância do nome político e a qualificação pessoal, o PSOL busca criar uma narrativa eleitoral que combine legado familiar com capacidade técnica.
Além disso, o partido pretende explorar a notoriedade de Boulos em debates, vídeos e redes sociais, fortalecendo a associação entre o histórico eleitoral do ex-deputado e a candidatura da esposa, aumentando assim a possibilidade de transferência de votos de forma orgânica.
Transferência de votos e recall eleitoral
A ideia central do PSOL é aproveitar o chamado “recall eleitoral”, ou seja, o poder de lembrança do eleitorado sobre o desempenho passado de Boulos, de forma a garantir que a candidata possa herdar votos de forma significativa. Essa estratégia, segundo analistas políticos, é cada vez mais utilizada no Brasil, principalmente por partidos menores que dependem de figuras de destaque para manter ou ampliar sua bancada.
De forma prática, o partido aposta que eleitores que apoiaram Boulos em 2022 se sintam inclinados a votar na esposa dele, fortalecendo a candidatura e garantindo a continuidade da representação política do PSOL em São Paulo. Além disso, essa transferência de votos pode beneficiar outras deputadas do partido, consolidando alianças internas e fortalecendo a coesão partidária.
Desafios e expectativas
Apesar da estratégia bem planejada, o PSOL enfrenta desafios significativos. O cenário eleitoral paulista é altamente competitivo, com a presença de nomes conhecidos de outros partidos, especialmente o PL, que ainda mantém forte base de apoio. Além disso, a política eleitoral em São Paulo é marcada por disputas intensas por votos familiares e históricos, o que torna necessário que a candidatura de Natália Szermeta seja trabalhada com marketing político estratégico, presença em mídia digital e articulação comunitária.
Outro desafio é manter a visibilidade do partido sem a presença direta de Boulos, já que sua candidatura sempre foi central para a narrativa eleitoral. Para superar isso, a campanha precisará investir em narrativas que conectem o eleitorado ao legado de Boulos, mas que também apresentem Natália como uma candidata independente e preparada para o cargo de deputada federal.
Impacto político da estratégia
Se bem-sucedida, a candidatura de Natália Szermeta pode garantir a manutenção da bancada do PSOL em São Paulo, mantendo a representação do partido em Brasília e fortalecendo sua capacidade de influenciar políticas públicas. Além disso, a transferência de votos pode criar um efeito positivo em eleições futuras, consolidando o nome Boulos como referência política no estado.
Essa estratégia também demonstra como partidos menores podem utilizar ativos políticos, como figuras de destaque familiar ou partidária, para competir com legendas maiores e manter relevância em cenários altamente disputados.
Conclusão
O lançamento da mulher de Boulos à Câmara dos Deputados representa uma manobra estratégica do PSOL para manter a bancada e capitalizar o recall eleitoral do ex-deputado federal. Ao mesmo tempo, reflete as dinâmicas complexas da política paulista, marcada por disputas familiares, transferências de votos e estratégias digitais de campanha.
O sucesso dessa iniciativa dependerá de fatores como mobilização de base, articulação com lideranças locais, comunicação eficaz e capacidade de transferir votos de maneira significativa. Por fim, a candidatura de Natália Szermeta se mostra como uma peça central no xadrez eleitoral do PSOL em São Paulo, com potencial para impactar diretamente a composição da Câmara dos Deputados e o futuro político do partido.
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