STF apura se Weverton Rocha atuou para atrapalhar investigação de assassinato

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito para apurar se o senador Weverton Rocha (PDT-MA) teria atuado para dificultar o avanço das investigações sobre a morte do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrida em 2022, no Maranhão. A apuração ganhou novos elementos após a Polícia Federal analisar dados encontrados no celular do parlamentar e identificar registros de contatos frequentes com o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso envolve suspeitas sobre uma possível rede de influência formada por políticos, operadores financeiros e integrantes das forças de segurança, além de levantar questionamentos sobre decisões tomadas ao longo da investigação.
Segundo informações reunidas pela Polícia Federal, o aparelho do senador continha registros de mensagens, chamadas telefônicas, áudios e compartilhamento de arquivos com Humberto Martins. Os contatos teriam ocorrido de maneira recorrente entre janeiro de 2023 e outubro de 2025. Um dos episódios que chamou a atenção dos investigadores ocorreu em 2 de junho de 2025, mesma data em que o ministro do STJ assinou uma decisão determinando a transferência de Gilbson Cutrim Soares Júnior para uma penitenciária federal em Brasília. Martins não é investigado no inquérito, e a análise das comunicações busca esclarecer o contexto desses contatos e eventual relação com os fatos sob apuração.
A investigação foi tornada pública após o ministro Flávio Dino, do STF, determinar o levantamento do sigilo de parte dos autos. Conforme a decisão, o caso reúne suspeitas relacionadas a corrupção, uso irregular de recursos públicos, organização criminosa, homicídio e possíveis tentativas de interferência no andamento da Justiça. O episódio que deu origem à apuração ocorreu em São Luís, onde João Bosco Sobrinho foi morto durante uma reunião que, segundo a investigação, estaria relacionada à divisão de valores provenientes de contratos públicos sob suspeita. A PF também procura esclarecer a possível participação de agentes públicos e outras pessoas citadas nos depoimentos.
Gilbson Cutrim Soares Júnior foi condenado pela Justiça do Maranhão a 13 anos de prisão pelo crime e passou a ser um dos personagens centrais das apurações posteriores. Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que Raimundo Cutrim, ex-secretário estadual, teria oferecido dinheiro, imóveis e outras vantagens ao seu pai para modificar informações apresentadas às autoridades. A intenção, segundo o relato, seria retirar dos depoimentos referências ao presidente do Tribunal de Contas do Maranhão, Daniel Brandão, e a integrantes da família do governador Carlos Brandão. A PF também investiga a suspeita de que aproximadamente R$ 160 mil tenham sido entregues em parcelas a familiares do condenado com o objetivo de influenciar versões apresentadas durante a investigação.
O inquérito agora busca definir qual teria sido, de fato, a participação de Weverton Rocha nos acontecimentos e se os contatos identificados pela PF possuem relação com alguma tentativa de interferência na investigação. Os investigadores também analisam suspeitas mais amplas envolvendo desvios de recursos, emendas parlamentares, possível pressão sobre testemunhas e vazamento de informações protegidas. Entre os nomes citados está o policial federal Edvar Rodrigues dos Santos, que é investigado por supostamente compartilhar informações sigilosas e manter contato com familiares de pessoas investigadas. Também estão sob análise possíveis falhas operacionais na Polícia Civil do Maranhão, incluindo o desaparecimento de imagens de câmeras de segurança e a ausência de depoimentos considerados relevantes.
Com o avanço das diligências, a expectativa é que a Polícia Federal reúna novos elementos para esclarecer a relação entre os diferentes personagens mencionados nos autos e a possível existência de uma estrutura organizada para interferir nas investigações. O STF deverá avaliar as informações apresentadas pela PF antes de definir eventuais medidas futuras. Até o momento, as suspeitas ainda são objeto de apuração e não representam conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos. O senador Weverton Rocha figura formalmente como investigado, enquanto as referências ao ministro Humberto Martins serão analisadas dentro do contexto das comunicações identificadas, sem que ele seja apontado como investigado no procedimento.



