TSE divulga histórico da fabricação das urnas após ofensiva contra sistema eleitoral

Um balanço histórico e detalhado divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou luz sobre a evolução tecnológica das urnas eletrônicas e a segurança do sistema de votação no país, que completa três décadas de implementação contínua. Segundo o levantamento oficial do órgão da Justiça Eleitoral, apenas quatro empresas especializadas foram responsáveis pela fabricação e montagem de todos os equipamentos utilizados nas urnas brasileiras desde 1996. Ao todo, o parque tecnológico nacional produziu impressionantes 1.487.115 equipamentos, distribuídos ao longo de 14 gerações de modelos com constantes atualizações de hardware e software. A publicação desses dados técnicos reafirma a soberania do projeto institucional brasileiro, reforçando perante a sociedade que o controle do voto permanece totalmente sob a gestão e coordenação do Estado.
A divulgação das estatísticas oficiais sobre a produção das urnas ocorre em um momento de acirrado debate público e político sobre a integridade do processo de votação nas eleições nacionais. O tema retornou ao centro das atenções após declarações proferidas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, durante um encontro com diplomatas e embaixadores estrangeiros. Na ocasião, o parlamentar citou dados incorretos sobre o funcionamento e o fornecimento dos equipamentos eletrônicos. A manifestação repercutiu imediatamente nos meios jurídicos e motivou a apresentação de uma representação formal perante o TSE por parte da Federação Brasil da Esperança, sob a alegação de disseminação de informações inverídicas acerca da infraestrutura eleitoral brasileira.
Diante do cenário de repercussão na mídia e nas redes sociais, a Justiça Eleitoral fez questão de esclarecer de forma didática que as urnas brasileiras não são produtos de prateleira comprados prontos no mercado comercial privado. A concepção, os códigos-fonte, os projetos arquitetônicos e as especificações de segurança pertencem de forma integral e exclusiva ao Tribunal Superior Eleitoral. Todo o processo de fabricação é pautado por um rigoroso edital de licitação pública com mais de 500 páginas de requisitos técnicos, no qual a empresa vencedora limita-se a montar o equipamento exato desenhado pelos engenheiros do TSE, sob a supervisão presencial e diária de técnicos da Justiça Eleitoral.
O levantamento do TSE pormenorizou a linha do tempo e as transições entre as fornecedoras responsáveis pela montagem do parque de urnas ao longo das décadas. A empresa Unisys Brasil abriu o ciclo pioneiro ao produzir a primeira urna eletrônica utilizada nas eleições municipais de 1996, além do modelo de 2002. A Procomp Indústria Eletrônica participou do processo nas edições de 1998 e 2000, enquanto o conglomerado Diebold/Diebold Procomp assumiu a fabricação de oito edições consecutivas entre os anos de 2004 e 2015. Atualmente, a responsabilidade pela fabricação dos modelos tecnológicos mais modernos e atualizados do país — as gerações conhecidas como UE2020 e UE2022 — cabe à Positivo Tecnologia, vencedora do processo licitatório público mais recente.
A documentação do Tribunal de Justiça Eleitoral também se prestou a desmentir boatos e desinformações antigas que voltaram a circular no discurso de lideranças políticas durante a pré-campanha. Entre os equívocos citados pelo parlamentar aos diplomatas, estava a suposta atuação da empresa estrangeira Smartmatic no fornecimento de equipamentos para o Brasil. A Justiça Eleitoral reiterou com firmeza que a referida empresa internacional nunca forneceu urnas eletrônicas para os pleitos brasileiros. O órgão destacou que comunicados oficiais são emitidos de maneira recorrente desde 2017 para esclarecer que a totalidade das plataformas eletrônicas brasileiras é concebida por profissionais nacionais e produzida estritamente dentro das regras de ampla concorrência licitatória.
O detalhamento da trajetória das urnas eletrônicas reafirma o compromisso das instituições democráticas com a transparência, a auditabilidade e a modernização constante da infraestrutura pública. Ao longo dos últimos 30 anos, as sucessivas gerações do sistema garantiram a transição pacífica e automatizada de milhares de mandatos em todos os municípios da federação. A manifestação fundamentada do TSE serve como um marco institucional importante para orientar o debate eleitoral nas diretrizes da verdade factual e da confiança técnica, assegurando aos cidadãos e aos observadores internacionais a plena estabilidade e segurança das ferramentas que garantem o exercício da cidadania no país.




