PF aguarda STF enviar inquérito de ministro acusado de assédio sexual, em um caso que coloca o Judiciário brasileiro no centro de um debate sensível sobre ética, responsabilidade institucional e transparência. A investigação envolve um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), onde autoridades avaliam medidas disciplinares e criminais.
O episódio transcende a esfera jurídica individual. Ele impacta a credibilidade das cortes superiores, pressiona órgãos de controle e reacende discussões políticas sobre privilégios, foro especial e mecanismos de responsabilização de magistrados.

Contexto político e histórico
O sistema judicial brasileiro concede foro por prerrogativa de função a autoridades, incluindo ministros de tribunais superiores. Essa prerrogativa busca garantir independência funcional, mas frequentemente gera críticas por supostamente dificultar investigações e punições.
Casos envolvendo denúncias contra membros do Judiciário são raros, mas quando surgem, provocam forte repercussão institucional. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), criado pela Reforma do Judiciário de 2004, atua como órgão de controle externo e tem papel central na apuração de condutas de magistrados.
Nos últimos anos, a sociedade passou a exigir maior transparência e responsabilização de autoridades públicas. Movimentos sociais, imprensa e parlamentares defendem mecanismos mais eficazes para investigar denúncias de assédio e abuso de poder em instituições públicas.
Nesse contexto, o caso envolvendo um ministro do STJ amplia o debate sobre ética judicial e limites do foro privilegiado.
Descrição dos fatos e repercussão
A Polícia Federal aguarda o envio formal do inquérito pelo Supremo Tribunal Federal para iniciar diligências relacionadas às denúncias contra o ministro Marco Buzzi, do STJ. O ministro Kassio Nunes Marques atua como relator da investigação criminal no STF.
A primeira denúncia foi registrada em janeiro por uma jovem de 18 anos em uma delegacia da Polícia Civil de São Paulo. Segundo o relato, o episódio ocorreu durante uma viagem em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, quando o magistrado teria tentado agarrá-la no mar.
Posteriormente, uma servidora terceirizada do STJ afirmou ter sido assediada dentro do gabinete do ministro. Ela prestou depoimento à corregedoria do CNJ, ampliando a gravidade do caso.
O STJ convocou sessão extraordinária após o depoimento da segunda denunciante. Na reunião, os ministros decidiram afastar Marco Buzzi de suas funções de forma unânime. O magistrado permanece impedido de frequentar o tribunal, utilizar veículos oficiais e exercer prerrogativas do cargo, embora continue recebendo remuneração.
A repercussão foi imediata. Veículos de imprensa destacaram a gravidade das acusações e a reação institucional do STJ. Juristas, parlamentares e entidades da sociedade civil comentaram o caso, ressaltando a importância de apuração rigorosa.
Atores políticos e instituições envolvidas
Diversas instituições participam do caso. O Supremo Tribunal Federal conduz a investigação criminal, com relatoria do ministro Kassio Nunes Marques. A Polícia Federal aguarda a remessa do inquérito para executar diligências investigativas.
O Superior Tribunal de Justiça instaurou sindicância interna e afastou o ministro acusado. O Conselho Nacional de Justiça acompanha o caso por meio de sua corregedoria, responsável por apurar condutas disciplinares de magistrados.
A defesa do ministro afirma que o afastamento cria um precedente perigoso e contesta a medida, alegando ausência de risco concreto às investigações. Os advogados também sustentam que o magistrado já estava afastado por motivos médicos.
No campo político, parlamentares acompanham o caso e discutem possíveis mudanças na legislação sobre foro privilegiado e controle externo do Judiciário. Organizações de direitos humanos e grupos feministas também se manifestaram, cobrando rigor nas investigações.
Impactos políticos, jurídicos e eleitorais
O caso produz impactos significativos no cenário político e institucional. A denúncia contra um ministro do STJ reforça críticas ao sistema de privilégios e à dificuldade de responsabilizar autoridades com foro especial.
No plano jurídico, a investigação pode estabelecer precedentes sobre afastamento preventivo de magistrados e atuação coordenada entre STF, STJ, CNJ e Polícia Federal. A eventual aposentadoria compulsória do ministro, prevista para deliberação futura, pode servir de referência para casos semelhantes.
No âmbito político, o episódio alimenta debates sobre reforma do Judiciário e transparência institucional. Parlamentares podem usar o caso para defender mudanças legislativas, como redução do foro privilegiado e fortalecimento do CNJ.
No contexto eleitoral, temas como ética pública e combate ao assédio ganham destaque em discursos de candidatos. A sociedade tende a cobrar compromissos mais firmes com a responsabilização de autoridades e a proteção de vítimas.
Bastidores e reações oficiais
Nos bastidores, ministros do STJ relataram perplexidade e indignação durante a sessão que resultou no afastamento do magistrado. O silêncio predominou entre os membros da Corte, segundo relatos de participantes.
A decisão unânime esvaziou o pedido de licença apresentado pelo ministro pouco antes da reunião. Os ministros decidiram deliberar posteriormente sobre as conclusões da comissão de sindicância, o que pode resultar em aposentadoria compulsória.
O STF mantém o inquérito sob sigilo, como ocorre em investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado. A Polícia Federal aguarda o envio formal dos autos para iniciar diligências, como oitiva de testemunhas e análise de provas.
A defesa reiterou que coletará contraprovas e pediu análise serena dos fatos. O ministro acusado nega as acusações.
Entidades da sociedade civil defenderam transparência no processo e proteção às denunciantes. Especialistas em direito destacaram a importância de garantir contraditório e ampla defesa, sem comprometer a credibilidade institucional.
Análise crítica e projeções futuras
O caso em que PF aguarda STF enviar inquérito de ministro acusado de assédio sexual expõe fragilidades e dilemas do sistema judicial brasileiro. Por um lado, o foro privilegiado protege a independência funcional. Por outro, ele pode gerar percepção de impunidade.
O afastamento preventivo do magistrado sinaliza uma postura mais rigorosa das instituições, o que pode fortalecer a confiança pública. Contudo, a manutenção do salário durante o afastamento reacende críticas sobre privilégios de autoridades.
No futuro, o caso pode acelerar debates legislativos sobre reforma do Judiciário e fortalecimento do controle externo. Também pode estimular políticas internas mais rigorosas contra assédio e abuso de poder em tribunais.
A decisão final sobre aposentadoria compulsória terá impacto simbólico. Ela poderá consolidar um precedente de responsabilização de magistrados de alta cúpula, o que tende a influenciar a cultura institucional do Judiciário.
Conclusão
O episódio em que PF aguarda STF enviar inquérito de ministro acusado de assédio sexual representa um teste de credibilidade para o Judiciário brasileiro. A investigação envolve instituições-chave e mobiliza debates políticos, jurídicos e sociais.
O caso evidencia a necessidade de equilíbrio entre garantias individuais e responsabilidade institucional. Ele também reforça a importância do CNJ, da Polícia Federal e do STF na apuração de condutas de autoridades.
Nos próximos meses, a sociedade acompanhará as decisões do STF e do STJ, bem como os desdobramentos políticos do caso. A resposta das instituições pode definir novos padrões de transparência, ética e responsabilização no sistema judicial brasileiro.











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