Operação Overclean: Polícia Federal mira um dos mais complexos esquemas de corrupção envolvendo o uso irregular de emendas parlamentares no Brasil. Nesta terça-feira (13), a Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Overclean, aprofundando investigações que já duram mais de um ano e que, progressivamente, revelam um intrincado sistema de desvio de recursos públicos, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro em larga escala.
Desde já, chama atenção o fato de que, desta vez, um deputado federal em exercício, Félix Mendonça Jr. (PDT-BA), figura entre os alvos da ação. Além disso, a operação contou novamente com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal, reforçando o caráter integrado da apuração. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, tanto na Bahia quanto no Distrito Federal, o que demonstra, mais uma vez, a amplitude geográfica do esquema investigado.
Avanço das investigações e foco em emendas parlamentares
Inicialmente, a Operação Overclean tinha como foco contratos públicos específicos, sobretudo na área de engenharia. No entanto, com o avanço das apurações, a Polícia Federal passou a identificar indícios cada vez mais robustos de que emendas parlamentares estavam sendo utilizadas como instrumento central do esquema criminoso.
Nesse contexto, segundo apuração divulgada pela imprensa, o deputado Félix Mendonça Jr. teria participado de forma ativa das articulações. Conforme os investigadores, o parlamentar utilizava um então secretário parlamentar, Marcelo Chaves, como intermediário para operacionalizar repasses e facilitar contratos suspeitos. Vale destacar que Marcelo Chaves já havia sido alvo da quarta fase da operação, o que reforça a linha investigativa adotada pela PF.
Enquanto isso, a defesa do parlamentar ainda não se manifestou oficialmente, e tanto o gabinete do deputado quanto o partido PDT foram procurados para prestar esclarecimentos. O espaço, naturalmente, segue aberto.

Como tudo começou: a primeira fase da Operação Overclean
Para compreender a dimensão atual da Operação Overclean, é fundamental retomar sua origem. A primeira fase foi deflagrada em 10 de dezembro de 2024, quando a Polícia Federal cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e 17 prisões preventivas. Logo naquele momento, o volume de provas e valores investigados chamou a atenção das autoridades.
No dia seguinte à deflagração da operação, foi preso o empresário José Marcos Moura, conhecido em Salvador como o “Rei do Lixo”. Apontado como líder da organização criminosa, Moura acabou sendo solto alguns dias depois por decisão judicial. Ainda assim, sua figura permaneceu central nas investigações, aparecendo recorrentemente em fases posteriores.
De acordo com o relatório inicial da PF, o grupo criminoso teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão, atuando principalmente no desvio de verbas públicas ligadas a contratos de engenharia e, de maneira crescente, a emendas parlamentares. Além disso, ficou evidenciado que o esquema tinha ramificações em pelo menos cinco estados brasileiros, incluindo Bahia, Amapá, Goiás, Rio de Janeiro e Tocantins.
Segunda fase: prisões e envolvimento político local
Poucos dias depois, em 23 de dezembro de 2024, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Overclean. Dessa vez, foram expedidos dez mandados de busca e apreensão e quatro prisões preventivas.
Entre os alvos estavam operadores do esquema e agentes públicos, como o vice-prefeito de Lauro de Freitas (BA), Vidigal Galvão Cafezeiro Neto, além de secretários municipais e até mesmo um policial federal. Esse momento marcou uma virada importante, pois evidenciou que o esquema não se restringia ao setor privado, mas contava com apoio interno na administração pública.
Terceira fase: expansão nacional e atuação do STF
Posteriormente, em 3 de abril de 2025, a terceira fase da Operação Overclean ampliou ainda mais o alcance das investigações. Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em capitais como Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju.
Um dos nomes que ganhou destaque foi o do então secretário municipal de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, que já havia ocupado o mesmo cargo em Salvador. Diante da gravidade dos indícios, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou seu afastamento da função, reforçando a seriedade do caso.
Além disso, novamente o “Rei do Lixo” e seus supostos sócios e familiares foram alvos de diligências, indicando que, apesar das prisões e bloqueios anteriores, o esquema seguia ativo ou deixara rastros significativos.
Quarta e quinta fases: bloqueios, afastamentos e dinheiro escondido
Na sequência, em 27 de junho, a Polícia Federal deflagrou a quarta fase da operação, cumprindo 16 mandados de busca e apreensão e determinando o afastamento cautelar de servidores públicos em diversas cidades baianas.
Logo depois, em 17 de julho, a quinta fase levou agentes às ruas novamente, com 18 mandados de busca, além do afastamento de um servidor público. Um dos episódios mais simbólicos dessa etapa foi a apreensão de R$ 10 mil escondidos em sapatos, durante buscas contra um ex-vereador e parente de um deputado federal.
Nesse momento, também houve bloqueio de bens de empresários já conhecidos da investigação, reforçando o esforço das autoridades para recuperar valores desviados.
Sexta e sétima fases: continuidade e aprofundamento
Já em 14 de outubro, a sexta fase da Operação Overclean foi deflagrada, com buscas em Salvador, Amargosa e Brasília. Além disso, a PF realizou o sequestro de valores obtidos de forma criminosa, intensificando a estratégia de asfixia financeira da organização.
Dois dias depois, a sétima fase manteve o ritmo das investigações, com novas buscas, afastamento de agente público e mais apreensão de recursos ilícitos. Assim, ficou evidente que o esquema possuía uma estrutura resiliente, exigindo ações contínuas das autoridades.
Oitava fase: alcance nacional e dirigentes partidários
Em 31 de dezembro, a oitava fase da Operação Overclean ampliou ainda mais o escopo, com mandados cumpridos em Brasília, São Paulo e cidades do Tocantins. Entre os alvos estavam dirigentes partidários e ex-secretários estaduais.
Na ocasião, a defesa de um dos investigados afirmou que seu cliente sempre manteve conduta ética e que colaboraria com as autoridades. Ainda assim, a PF prosseguiu com a apreensão de valores e documentos considerados relevantes para o inquérito.
Nona fase: deputado federal no centro das apurações
Por fim, a nona fase, deflagrada nesta terça-feira (13), marca um novo patamar da Operação Overclean. Ao colocar um deputado federal no centro das investigações, a Polícia Federal sinaliza que o foco agora está diretamente na origem e no direcionamento das emendas parlamentares, um dos principais instrumentos de financiamento do esquema.
Dessa forma, a Operação Overclean: Polícia Federal mira não apenas indivíduos isolados, mas um modelo de captura de recursos públicos, que compromete a transparência, a moralidade administrativa e a confiança da sociedade nas instituições democráticas.
Impacto político e expectativa dos próximos desdobramentos
Portanto, diante de tudo o que já foi revelado, a Operação Overclean se consolida como uma das maiores investigações de corrupção envolvendo emendas parlamentares dos últimos anos. Ao mesmo tempo, cresce a expectativa por novas fases, possíveis denúncias do Ministério Público e eventuais ações penais contra os envolvidos.
Enquanto isso, a sociedade acompanha atentamente cada avanço, cobrando responsabilização, recuperação de recursos desviados e, sobretudo, mudanças estruturais que impeçam a repetição de esquemas semelhantes no futuro.
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