Pesquisa Datafolha revela que mais da metade dos entrevistados acreditam que Trump quer ajudar Flávio. A pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana revelou um novo retrato da percepção dos brasileiros sobre os impactos políticos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados acreditam que as medidas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump têm como objetivo favorecer a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026. O resultado mostra como a política internacional passou a influenciar diretamente o debate eleitoral brasileiro, especialmente após a intensificação das disputas envolvendo tarifas comerciais e a relação entre autoridades dos dois países.
O levantamento foi realizado nos dias 22 e 23 de julho com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e também investigou como os brasileiros avaliam a responsabilidade pela crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, bem como a melhor estratégia para enfrentar o impasse.
Os números indicam que o episódio extrapolou o campo econômico e passou a ocupar espaço importante na disputa política nacional. De acordo com a pesquisa divulgada pela Folha de S.Paulo e repercutida pelo g1, a maioria dos entrevistados associa o tema diretamente ao cenário eleitoral.
Datafolha mostra percepção sobre influência de Trump nas eleições brasileiras
O levantamento apontou que 52% dos brasileiros acreditam que Donald Trump pretende ajudar Flávio Bolsonaro por meio do tarifaço aplicado aos produtos brasileiros. Por outro lado, 37% afirmaram não concordar com essa interpretação, enquanto 11% disseram não saber responder. A percepção varia conforme a preferência eleitoral dos entrevistados. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 29% acreditam nessa hipótese. Já entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esse percentual chega a 73%.
Ainda segundo o Datafolha, 63% dos entrevistados afirmaram conhecer o assunto relacionado ao tarifaço. Desse total, 25% disseram estar bem informados e outros 34% declararam possuir conhecimento razoável sobre o tema. Dessa forma, a pesquisa demonstra que a discussão sobre as tarifas comerciais passou a fazer parte do cotidiano político do país, sendo acompanhada por uma parcela significativa da população. Ao mesmo tempo, o levantamento indica que a repercussão internacional da medida contribuiu para ampliar o interesse dos brasileiros pelo assunto.
Entenda como surgiu a crise comercial entre Brasil e Estados Unidos
A atual disputa comercial teve origem após o governo norte-americano anunciar novas tarifas sobre produtos brasileiros. Inicialmente, uma sobretaxa de 50% havia sido anunciada com justificativas relacionadas à situação política brasileira e ao processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Posteriormente, novas tarifas foram aplicadas dentro de investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos, incluindo questionamentos sobre práticas comerciais brasileiras.
Durante esse período, o senador Flávio Bolsonaro procurou demonstrar oposição às tarifas e participou de reuniões nos Estados Unidos para defender a retirada das medidas. Enquanto isso, o presidente Lula passou a utilizar o episódio como parte do discurso de defesa da soberania nacional. A divergência de interpretações fez com que o tarifaço se transformasse em um dos principais temas da pré-campanha presidencial de 2026, sendo explorado por diferentes grupos políticos sob perspectivas distintas.
Pesquisa também aponta como brasileiros avaliam responsabilidades pelo tarifaço
Outro dado relevante apresentado pelo Datafolha diz respeito à atribuição de responsabilidades pela crise comercial. Segundo o levantamento, 35% consideram que o presidente Lula tem responsabilidade pelo tarifaço. Outros 28% apontam Donald Trump como principal responsável. Já os irmãos Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro somam 23% das citações, sendo 13% para Flávio e 10% para Eduardo. Outros entrevistados afirmaram não saber responder.
Além disso, a pesquisa investigou qual narrativa convence mais os brasileiros. Para 34%, Lula está correto ao afirmar que o adversário político tem responsabilidade pela situação. Em sentido oposto, 26% consideram correta a versão apresentada por Flávio Bolsonaro, que atribui o problema à condução do governo brasileiro. Enquanto isso, 24% entendem que nenhum dos dois está certo, e uma parcela menor acredita que ambos possuem alguma razão. Esses resultados mostram que a população permanece dividida sobre as causas da crise, embora exista predominância de uma percepção específica em alguns pontos do levantamento.
Maioria defende negociação em vez de retaliação
Outro aspecto destacado pela pesquisa envolve a forma como o Brasil deveria reagir às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo o Datafolha, 74% dos entrevistados defendem que o governo brasileiro priorize negociações diplomáticas para buscar uma solução. Em contrapartida, apenas 17% consideram que o país deveria responder com medidas equivalentes de retaliação comercial. Uma parcela ainda menor acredita que o Brasil deveria simplesmente aceitar o tarifaço sem reagir.
Os resultados indicam que, apesar da forte polarização política observada durante a campanha eleitoral, há consenso mais amplo quando o assunto envolve relações comerciais internacionais. Assim, o levantamento mostra que a maioria da população prefere uma saída negociada para reduzir os impactos econômicos e preservar as relações entre os dois países. Ao mesmo tempo, a pesquisa reforça que o tarifaço se consolidou como um dos principais temas do debate político nacional, influenciando tanto a percepção dos eleitores quanto as estratégias adotadas pelos pré-candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.











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