Geral

Janja se confunde e chama Lula de “presidente Luta”

A primeira-dama Janja Lula da Silva chamou a atenção durante um evento realizado neste sábado (8.ago.2026), em comemoração aos 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Durante seu discurso, ao falar sobre a trajetória da organização e a atuação das mulheres em comunidades de diferentes regiões do país, Janja se confundiu ao mencionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em determinado momento, chamou o chefe do Executivo de “presidente Luta”, mas percebeu o equívoco e imediatamente corrigiu a fala, dizendo “presidente Lula”. O episódio ocorreu de forma rápida e não interrompeu a programação. Na sequência, a primeira-dama continuou o discurso e passou a destacar iniciativas relacionadas à moradia, à segurança alimentar, à participação feminina nas políticas públicas e à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. A fala também reuniu críticas e cobranças direcionadas às plataformas digitais, especialmente ao Discord, tema que Janja afirmou estar entre suas principais preocupações.

Ao comentar os 30 anos do MTST, Janja ressaltou especialmente a participação das mulheres nas atividades desenvolvidas pelo movimento. Segundo ela, a atuação feminina nas comunidades envolve demandas como acesso à moradia, segurança para as famílias e oportunidades educacionais para os filhos. A primeira-dama afirmou ter orgulho de acompanhar Lula em ações relacionadas a essas pautas e destacou a importância das conquistas obtidas ao longo dos anos. Durante o pronunciamento, também fez uma saudação especial às integrantes das cozinhas solidárias ligadas ao movimento. Janja lembrou que essas iniciativas ganharam força durante a pandemia e afirmou que uma experiência criada naquele período passou a integrar ações do governo federal. Ela relacionou o tema à sua atuação em defesa da segurança alimentar e mencionou também sua função como embaixadora da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Para a primeira-dama, a transformação de iniciativas comunitárias em políticas públicas representa um avanço importante para famílias em situação de vulnerabilidade.

Outro ponto destacado no discurso foi a política habitacional do governo federal. Janja citou o programa Minha Casa, Minha Vida e afirmou que, quando Lula retornou à Presidência da República, em 2023, a iniciativa estava praticamente paralisada. Segundo ela, a administração federal retomou o programa e ampliou o atendimento a famílias, com atenção especial às mulheres e às mães solo. A primeira-dama apresentou a moradia como uma das principais ferramentas de proteção social e afirmou que políticas públicas nessa área podem contribuir diretamente para melhorar as condições de vida de milhares de brasileiros. Ao longo da fala, Janja também destacou a importância da participação masculina em ações voltadas à proteção das mulheres. Ela pediu aos homens que integram o MTST que se envolvam nas iniciativas destinadas a ampliar a segurança feminina e afirmou que a participação de toda a sociedade é necessária para alcançar um cenário de maior proteção e respeito às mulheres.

A segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital também ocupou espaço de destaque no pronunciamento. Janja voltou a defender mudanças na relação do Brasil com o Discord, plataforma que, segundo ela, precisa ser submetida a mecanismos mais rígidos de controle e responsabilização. A primeira-dama mencionou o caso de uma adolescente de 13 anos, registrado em Naviraí (MS), em julho, e afirmou que o episódio reforça a necessidade de ampliar a proteção de menores nas redes e nos serviços digitais. De acordo com as investigações citadas no discurso, a adolescente teria sido coagida por integrantes de um grupo a realizar uma ação contra si durante uma transmissão ao vivo na plataforma. Janja defendeu que os responsáveis pelo grupo sejam responsabilizados e, ao mesmo tempo, questionou a atuação do Discord diante de situações envolvendo menores de idade. A declaração colocou novamente o debate sobre segurança digital no centro da agenda pública e reacendeu a discussão sobre os limites da responsabilidade das grandes plataformas.

Durante esse trecho da fala, Janja também mencionou o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, conhecido como ECA Digital, sancionado pelo presidente Lula. Ela afirmou que a legislação representa um instrumento importante para ampliar a proteção de crianças e adolescentes na internet e defendeu que as empresas do setor cumpram as novas regras. Na avaliação apresentada pela primeira-dama, plataformas digitais precisam adotar medidas capazes de reduzir a exposição de menores a conteúdos e ambientes considerados inadequados. Janja ainda afirmou que problemas relacionados à misoginia e à hostilidade contra mulheres também precisam ser enfrentados no ambiente virtual. Ao reiterar sua posição sobre o Discord, pediu novamente a Lula que sejam buscados instrumentos jurídicos para impedir a atuação da plataforma no país. A manifestação ocorre em meio a um debate mais amplo sobre responsabilidade das empresas de tecnologia, proteção de menores e regras para serviços digitais.

Ao encerrar sua participação, Janja voltou a destacar a importância do MTST e fez uma saudação às mulheres que participam da organização. O discurso, que começou com uma breve troca de palavras ao citar Lula, percorreu diferentes temas de interesse social e político, passando por moradia, segurança alimentar, participação feminina e proteção de crianças e adolescentes na internet. A declaração sobre o Discord foi um dos momentos de maior repercussão, especialmente pela defesa de medidas mais rígidas para a plataforma. Ao mesmo tempo, a primeira-dama aproveitou o encontro para reforçar a importância das políticas públicas voltadas às famílias e destacar iniciativas que, segundo ela, nasceram de experiências desenvolvidas diretamente pelas comunidades. O evento dos 30 anos do MTST, assim, serviu como palco para uma manifestação que combinou a celebração da trajetória do movimento com a defesa de ações governamentais e de novas medidas para ampliar a proteção social e digital no Brasil.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo