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Cleber Ribas, amigo de Lulinha, se encontrou com investigado no inquérito da Operação Sem Desconto

O empresário Cleber Ribas de Oliveira, apontado como amigo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, voltou ao centro das atenções após a divulgação de informações sobre encontros mantidos por ele na sede da Dataprev, em Brasília. Segundo levantamento obtido pelo Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação, Ribas esteve três vezes na estatal durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um desses encontros ocorreu com Alan do Nascimento Santos, então diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev, que posteriormente passou a ser investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, responsável por apurar as fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.

O encontro que mais chamou atenção dos investigadores e da opinião pública ocorreu em 7 de outubro de 2025. Naquela ocasião, Ribas se reuniu justamente com Alan Santos, que acabou afastado do cargo em março de 2026 por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. As outras duas reuniões ocorreram anteriormente, uma em agosto de 2023, com o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, e outra em dezembro de 2024, com o diretor de Tecnologia e Operações, Ricardo Borges. Apesar da sequência de encontros, a Dataprev informou que não possui registros sobre os assuntos tratados nessas reuniões.

A situação ganhou ainda mais repercussão porque Cleber Ribas e Lulinha são alvos de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção. A PF passou a analisar possíveis relações entre Ribas, Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, especialmente diante de suspeitas sobre a prospecção de contratos com órgãos públicos. É importante, porém, diferenciar investigação de condenação: até o momento, as suspeitas estão sendo apuradas pelas autoridades e não representam uma conclusão definitiva de que os envolvidos tenham cometido crimes.

Empresário amigo de Lulinha teve encontros na Dataprev

A presença de Cleber Ribas na Dataprev passou a ser analisada sob uma perspectiva diferente depois que o nome do empresário apareceu nas investigações da Polícia Federal. A estatal possui papel estratégico na área de tecnologia do governo federal, especialmente por atuar em sistemas relacionados à Previdência Social e outros serviços públicos. Por isso, encontros entre representantes de empresas privadas e dirigentes da companhia podem despertar interesse dos investigadores quando ocorrem em meio a apurações sobre possíveis relações entre empresários, intermediários e agentes públicos. No entanto, a própria Dataprev declarou que não possui contratos com Ribas e que os documentos disponíveis não registram os assuntos discutidos nos encontros.

A defesa do empresário apresentou uma explicação para as visitas. Segundo a advogada Pollyana Soares, reuniões técnicas entre empresas e órgãos públicos seriam procedimentos comuns para apresentação de produtos, serviços e soluções tecnológicas, além de permitirem que empresas conheçam necessidades das instituições. A defesa também afirmou que os contratos firmados pela 3Structure IT, empresa de Ribas, teriam seguido os procedimentos administrativos previstos em lei, sem favorecimento ou intermediação irregular. A existência das reuniões, portanto, não comprova por si só qualquer irregularidade, sendo necessário verificar o conteúdo dos encontros e eventual relação com decisões administrativas.

Lulinha e Ribas aparecem em investigação da PF

A situação de Ribas se tornou mais delicada porque a Polícia Federal passou a investigar se ele teria atuado em conjunto com outros empresários e intermediários na busca por contratos com o governo federal. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, entre os órgãos que estariam no radar desse grupo estava justamente a Dataprev. A 3Structure IT, empresa do empresário, fechou seis contratos com o governo federal que somam R$ 85,7 milhões, sendo cinco deles durante o atual governo. A coluna ressalta, contudo, que nenhum desses contratos foi firmado diretamente com a Dataprev.

Outro elemento que passou a chamar atenção foi o pagamento de R$ 150 mil feito pela 3Structure IT à empresa RL Consultoria e Intermediações, ligada a Roberta Luchsinger, empresária apontada como amiga de Lulinha e também investigada pela Polícia Federal. De acordo com Ribas, a contratação ocorreu para serviços de assessoria relacionados à prospecção de clientes e identificação de oportunidades no setor de tecnologia. A PF, por sua vez, procura entender se essas relações comerciais tinham alguma finalidade adicional e se poderiam estar ligadas à busca por negócios com o poder público. Até que as apurações sejam concluídas, entretanto, não é possível afirmar que os pagamentos ou contratos tenham sido ilegais.

Farra do INSS amplia pressão sobre os investigados

A conexão com a chamada Farra do INSS tornou o caso ainda mais sensível porque as investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões alcançaram diferentes empresários, intermediários e agentes públicos. A Operação Sem Desconto passou a investigar um esquema que teria permitido a realização de descontos não autorizados nos benefícios de aposentados e pensionistas. Com o avanço das apurações, a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal passaram a analisar também possíveis conexões entre pessoas que não necessariamente participaram diretamente das fraudes, mas que poderiam ter mantido relações comerciais ou políticas com integrantes do grupo investigado.

Lulinha também entrou no radar das autoridades durante esse processo. Em fevereiro, o ministro André Mendonça autorizou, a pedido da Polícia Federal, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva. Posteriormente, a CPMI do INSS também discutiu medidas relacionadas ao filho do presidente, embora o relatório final que propunha seu indiciamento tenha sido rejeitado pela comissão por 19 votos a 12. Portanto, o cenário permanece marcado por investigações, versões conflitantes e disputas políticas, sem que essas medidas possam ser interpretadas isoladamente como prova de responsabilidade criminal.

A nova informação sobre os encontros de Cleber Ribas na Dataprev acrescenta, portanto, mais um elemento às apurações que tentam reconstruir as relações entre empresários, intermediários e integrantes de estruturas públicas. O principal ponto a ser esclarecido é se as reuniões tiveram caráter exclusivamente comercial e técnico, como sustenta a defesa, ou se existiu alguma tentativa de influência sobre contratos e decisões administrativas. Enquanto essas questões permanecem sem resposta definitiva, a Polícia Federal deverá analisar documentos, registros, movimentações financeiras e depoimentos para estabelecer se houve alguma irregularidade. O caso também deverá continuar provocando repercussão política, principalmente por envolver um empresário próximo de Lulinha e pessoas que aparecem em investigações relacionadas à fraude no INSS.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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