Medioli abre caminho para aliança com Cleitinho e Republicanos e movimenta disputa pelo governo de Minas

Medioli abre caminho para aliança com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e adiciona um novo capítulo às movimentações para o Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. O ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli (PL) afirmou nesta sexta-feira (7) que está à disposição para participar da construção de um acordo entre as legendas, apesar de o Partido Liberal já ter apresentado uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes.
A movimentação chama atenção porque ocorre justamente quando as forças políticas de centro e direita tentam organizar suas chapas em Minas. Medioli conversou por telefone com Cleitinho nesta sexta-feira, e o senador informou que também havia mantido diálogo com Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Além disso, Medioli recebeu uma ligação de Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos.
Cleitinho e Medioli voltam a conversar sobre possível composição
A aproximação entre Cleitinho e Medioli não começou agora. Ao longo dos últimos meses, os nomes dos dois foram envolvidos em diferentes cenários eleitorais.
Em junho, por exemplo, Medioli confirmou que uma proposta havia sido apresentada para que Cleitinho disputasse o Governo de Minas como cabeça de chapa, enquanto o PL ficaria responsável pela indicação do candidato a vice. Naquele momento, entretanto, o senador ainda não havia definido definitivamente seus planos eleitorais.
Posteriormente, Medioli também admitiu que poderia aceitar uma composição como vice de Cleitinho, desde que existisse um programa de governo definido e regras claras para a eventual aliança.
Conversas ganham novo capítulo
Agora, as articulações voltaram ao centro das atenções.
Segundo a coluna de Edilene Lopes, da Itatiaia, uma das possibilidades discutidas seria justamente uma chapa formada por Cleitinho como candidato ao governo e Medioli como vice. Porém, esse não é o único desenho colocado sobre a mesa.
Outra configuração considerada teria Medioli como candidato ao Governo de Minas. Nesse cenário, o ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luis Eduardo Falcão, ou sua esposa, Ludmila Falcão, ambos ligados ao Republicanos, poderiam ocupar a vice.
Portanto, embora nenhuma composição esteja oficialmente definida, diferentes alternativas vêm sendo avaliadas.
Disputa pelo Senado também entra nas negociações
Uma aliança dessa dimensão não envolve apenas o candidato ao Palácio Tiradentes. Afinal, as duas vagas de Minas Gerais para o Senado em 2026 também fazem parte das negociações partidárias.
Conforme a configuração discutida, os candidatos seriam Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis e irmão de Cleitinho, e o deputado federal Domingos Sávio (PL).
Esse desenho permitiria, em tese, distribuir os principais espaços eleitorais entre Republicanos e PL.
Além disso, a composição poderia criar um palanque estadual compartilhado para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
PL já anunciou Flávio Roscoe para disputa em Minas
O principal obstáculo para uma eventual reorganização está dentro do próprio PL. Isso porque o partido já anunciou o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), como seu nome para disputar o governo estadual.
O anúncio ocorreu na quarta-feira (5), poucos dias antes das novas conversas envolvendo Medioli e Cleitinho.
Por essa razão, uma eventual aliança exigiria uma nova negociação dentro do Partido Liberal.
Segundo a Itatiaia, o comando do PL em Minas demonstra, neste momento, resistência à possibilidade de abrir mão da candidatura própria para formar uma composição com o Republicanos.
Roscoe já estava entre alternativas do PL
A presença de Roscoe nas articulações não é recente. Antes mesmo da definição da candidatura própria, seu nome aparecia ao lado do próprio Medioli como uma das alternativas do partido caso uma aliança com Cleitinho não avançasse.
Em julho, o cenário trabalhado pelo PL incluía três caminhos principais: apoiar Cleitinho e indicar o vice; lançar candidatura própria; ou negociar uma composição mais ampla envolvendo outras forças partidárias.
Dessa maneira, a definição por Roscoe representou uma tentativa de encerrar um período prolongado de indefinições.
Agora, porém, as novas conversas podem voltar a movimentar o tabuleiro.
Relação entre Cleitinho e Republicanos passou por turbulências
A situação de Cleitinho dentro do Republicanos também ajuda a explicar por que o cenário eleitoral mineiro sofreu tantas mudanças nas últimas semanas.
No final de julho, as executivas estadual e nacional do Republicanos chegaram a anunciar que o senador estava fora da disputa pelo Governo de Minas. A legenda afirmou que havia demonstrado disposição para lançar Cleitinho, mas considerou que o parlamentar não havia formalizado suficientemente sua candidatura até a convenção partidária.
O episódio provocou forte repercussão porque Cleitinho aparecia com desempenho expressivo nas pesquisas eleitorais.
Em levantamento Genial/Quaest divulgado no final de julho, ele registrava 35% no principal cenário estimulado citado pela imprensa, enquanto Alexandre Kalil (PDT) aparecia com 12% e Patrus Ananias (PT), com 10%.
Portanto, qualquer definição envolvendo o senador possui potencial para alterar significativamente a disputa estadual.
Medioli havia criticado demora na construção de aliança
Curiosamente, as novas conversas acontecem poucos dias depois de Medioli criticar publicamente o tempo gasto nas tentativas anteriores de construir uma composição.
Após o Republicanos indicar que Cleitinho estava fora da disputa, o ex-prefeito de Betim afirmou que o grupo político havia perdido aproximadamente três meses buscando viabilizar uma aliança.
Apesar da crítica, Medioli deixou claro naquele momento que continuava à disposição do PL.
Agora, com o diálogo retomado, sua posição demonstra que as portas para uma negociação não foram completamente fechadas.
Ex-prefeito diz estar disponível para composição
Na conversa relatada nesta sexta-feira, Medioli voltou a demonstrar disposição para participar das articulações.
O empresário afirmou estar preparado para contribuir com um projeto para Minas Gerais e se colocou à disposição diante dos cenários discutidos.
Isso significa que Medioli poderia aparecer tanto como candidato a vice quanto, dependendo das negociações, como cabeça de chapa.
Nenhuma dessas alternativas, contudo, está definida.
Aliança pode reorganizar campo da direita em Minas
Uma eventual união entre PL e Republicanos teria impacto direto sobre a organização eleitoral da direita mineira.
Até agora, diferentes nomes e projetos disputam espaço dentro desse campo político. Consequentemente, a fragmentação pode produzir candidaturas concorrentes que disputariam parcelas semelhantes do eleitorado.
Por outro lado, uma chapa unificada poderia concentrar estrutura partidária, tempo de campanha, candidaturas ao Senado e apoio presidencial em torno de um único projeto.
Essa possibilidade ajuda a explicar por que as negociações continuam mesmo depois do anúncio da candidatura de Roscoe.
Flávio Bolsonaro também aparece nas articulações
A eleição mineira possui ainda uma dimensão nacional.
Minas Gerais é tradicionalmente considerado um dos estados estratégicos nas disputas presidenciais devido ao tamanho de seu eleitorado. Por isso, partidos com candidatos ao Palácio do Planalto buscam construir palanques competitivos no estado.
Em maio, dirigentes nacionais de PL e Republicanos já haviam se reunido para discutir uma possível composição em Minas. Naquele momento, integrantes do PL defendiam Cleitinho como cabeça de chapa, com o partido indicando o vice e também um nome para o Senado.
Agora, o fato de Cleitinho ter informado a Medioli que conversou com Flávio Bolsonaro demonstra que a discussão estadual continua conectada à estratégia presidencial.
Palanque presidencial é peça importante
Para o PL, construir uma chapa competitiva em Minas pode significar também fortalecer a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no estado.
Por isso, as decisões não dependem exclusivamente das lideranças mineiras.
As executivas nacionais, os interesses dos partidos aliados e a distribuição das candidaturas majoritárias também precisam ser considerados.
Esse conjunto de fatores torna a negociação mais complexa e ajuda a explicar as sucessivas mudanças ocorridas nos últimos meses.
Candidatura de Roscoe coloca PL diante de decisão importante
O PL mineiro chega agora a um ponto particularmente delicado.
De um lado, já apresentou Flávio Roscoe como candidato ao Governo de Minas. De outro, integrantes do Republicanos e Medioli voltaram a discutir uma composição que poderia envolver Cleitinho.
Caso as negociações avancem, o partido terá que avaliar se mantém integralmente seu projeto próprio ou se considera uma reorganização.
No momento, segundo a Itatiaia, existe resistência interna no PL mineiro a abrir mão da candidatura lançada recentemente.
Portanto, seria precipitado afirmar que uma aliança já está encaminhada.
Eleições em Minas seguem marcadas por negociações
As movimentações desta sexta-feira demonstram que o cenário para o Governo de Minas permanece aberto.
Mesmo após anúncios partidários, convenções e declarações públicas, conversas entre lideranças continuam ocorrendo.
Nesse contexto, Vittorio Medioli voltou a assumir uma posição relevante. O ex-prefeito pode aparecer como vice de Cleitinho ou até mesmo como cabeça de chapa em uma configuração alternativa envolvendo Republicanos e PL.
Enquanto isso, Roscoe permanece como o nome oficialmente anunciado pelo Partido Liberal.
Medioli e Cleitinho podem mudar novamente cenário eleitoral
A retomada das conversas mostra que as alianças para as eleições mineiras de 2026 ainda não estão completamente consolidadas.
Cleitinho continua sendo uma figura eleitoral importante, enquanto Medioli demonstra disponibilidade para ajudar na construção de uma composição entre os partidos. Ao mesmo tempo, o Republicanos procura definir seu espaço e o PL precisa administrar sua candidatura própria.
Nos próximos movimentos, portanto, será necessário observar principalmente a posição da direção do PL, a estratégia do Republicanos e as decisões tomadas por Cleitinho.
Por enquanto, existe uma certeza: a disputa pelo Governo de Minas continua em movimento, e uma eventual aproximação entre Medioli, Cleitinho e Republicanos poderá provocar uma nova reorganização das forças políticas do estado.




