Ancine aguarda defesa da produtora de “Dark Horse” após autuação por gravações sem autorização

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) aguarda a defesa da produtora responsável por “Dark Horse”, filme inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Go Up Entertainment foi autuada após a agência identificar que as gravações realizadas no Brasil não teriam sido previamente comunicadas ao órgão regulador. Agora, o procedimento administrativo entra em uma nova etapa, na qual a empresa poderá apresentar esclarecimentos e contestar a autuação.
O caso ganhou repercussão não apenas pelo caráter regulatório, mas também pela dimensão política do longa. “Dark Horse” acompanha principalmente a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 e inclui episódios como o atentado a faca sofrido pelo então candidato. Além disso, a produção reúne nomes conhecidos e já vinha despertando atenção antes mesmo de chegar aos cinemas. Dessa forma, a investigação da Ancine acrescenta um novo capítulo às controvérsias envolvendo o projeto.
Ancine autua produtora de “Dark Horse”
De acordo com as informações divulgadas, a Ancine abriu um processo administrativo contra a Go Up Entertainment depois de tentar contato com a produtora em duas oportunidades sem obter resposta. O objetivo era esclarecer por que as filmagens realizadas no território brasileiro não haviam sido previamente comunicadas à agência.
A legislação e as normas do setor audiovisual estabelecem procedimentos específicos para produções estrangeiras realizadas no Brasil. Nesse contexto, a comunicação à Ancine faz parte das exigências regulatórias relacionadas à realização dessas obras no país. Como a produtora de “Dark Horse” não teria realizado o procedimento exigido, a situação passou a ser formalmente apurada.
Processo ainda não significa condenação
Apesar da repercussão, é importante destacar que a abertura do processo administrativo não significa que a produtora tenha sido definitivamente considerada culpada de alguma irregularidade. A própria Ancine informou que não pretende antecipar conclusões enquanto o procedimento estiver em andamento.
A Go Up Entertainment ainda poderá apresentar sua defesa e os argumentos que considerar pertinentes. Somente depois da análise dos recursos e documentos apresentados é que a agência poderá chegar a uma conclusão. Caso as irregularidades sejam confirmadas, poderão ser adotadas as medidas administrativas previstas na legislação.
Portanto, neste momento, o ponto central é a ausência da comunicação prévia exigida pela agência, e não uma conclusão definitiva sobre outras eventuais irregularidades relacionadas ao longa.
Quem é a Go Up Entertainment?
A Go Up Entertainment ganhou maior projeção nacional justamente por sua participação na produção brasileira de “Dark Horse”. Segundo a reportagem, a empresa foi aberta em São Paulo em dezembro de 2021 e possui registro para atividades relacionadas a estúdios cinematográficos, produção e distribuição de filmes e publicidade.
Antes do projeto envolvendo Jair Bolsonaro, entretanto, havia pouca informação pública sobre produções cinematográficas de grande repercussão associadas à empresa. A companhia tem como sócia-administradora Karina Ferreira da Gama.
A autuação da Ancine, consequentemente, amplia a exposição da produtora justamente em um momento no qual “Dark Horse” avança nos procedimentos necessários para chegar ao mercado brasileiro.
“Dark Horse” retrata trajetória de Jair Bolsonaro
O filme apresenta uma dramatização da ascensão política de Jair Bolsonaro, especialmente durante as eleições presidenciais de 2018. Entre os episódios abordados está o atentado a faca sofrido pelo então candidato durante um ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais.
O ex-presidente é interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido internacionalmente por protagonizar “A Paixão de Cristo”. A direção ficou a cargo de Cyrus Nowrasteh, enquanto o deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, participa do roteiro.
Além disso, a produção já iniciou procedimentos relacionados à futura exibição comercial no Brasil. Em julho, foi noticiado que um pedido de registro havia sido apresentado à Ancine, etapa necessária no processo para a disponibilização do longa nos cinemas brasileiros.
Produção de “Dark Horse” já enfrentava questionamentos
A situação envolvendo a Ancine não é a primeira controvérsia relacionada ao filme. Em maio de 2026, a própria agência já havia informado que investigava possíveis irregularidades referentes à realização da produção no Brasil.
Além disso, surgiram questionamentos públicos sobre o financiamento do projeto. Segundo a Itatiaia, o empresário Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, foi citado entre os possíveis investidores da produção. A reportagem também afirma que documentos e áudios publicados anteriormente levantaram questionamentos sobre uma possível busca por recursos para financiar o longa. A Go Up Entertainment, entretanto, nega ter recebido dinheiro de Vorcaro e sustenta que a obra possui investimentos estrangeiros cujos detalhes estariam protegidos por acordos de confidencialidade.
Diante desses elementos, diferentes questões envolvendo o filme precisam ser analisadas separadamente. A atual autuação administrativa da Ancine trata especificamente das obrigações regulatórias relacionadas às filmagens realizadas no país.
O que pode acontecer com a produtora após a autuação?
A próxima etapa depende principalmente da manifestação da Go Up Entertainment. A empresa terá a oportunidade de apresentar sua versão e explicar as circunstâncias que levaram à ausência de comunicação prévia das filmagens.
Posteriormente, os argumentos serão avaliados dentro do processo administrativo. Caso a Ancine considere que houve descumprimento das normas, medidas previstas na legislação poderão ser aplicadas. Por outro lado, a produtora também possui instrumentos administrativos para contestar decisões.
Assim, embora o episódio represente mais uma controvérsia envolvendo “Dark Horse”, a investigação permanece aberta e ainda não existe uma conclusão definitiva da Ancine sobre o caso.
Filme sobre Bolsonaro segue cercado de expectativa
A repercussão em torno de “Dark Horse” tende a continuar à medida que a produção se aproxima de sua possível estreia. Por tratar diretamente da trajetória de uma das figuras mais polarizadoras da política brasileira recente, o longa naturalmente desperta interesse tanto entre apoiadores quanto entre críticos do ex-presidente.
Ao mesmo tempo, as discussões envolvendo autorização para filmagens, financiamento e cumprimento das regras do setor audiovisual adicionam uma dimensão jurídica e administrativa à produção. Agora, a atenção se concentra na defesa que será apresentada pela Go Up Entertainment e, posteriormente, na decisão da Ancine.
Enquanto o processo não for encerrado, portanto, qualquer conclusão sobre a responsabilidade definitiva da produtora seria prematura. O que está confirmado até agora é que a Ancine autuou a empresa e aguarda sua defesa sobre a realização das gravações de “Dark Horse” sem a comunicação prévia exigida pela agência.




