Flávio diz que, além do Missão, tentaram filiá-lo ao PT: ‘Me senti ofendido’

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (13) que, além da filiação registrada ao partido Missão, também recebeu uma mensagem informando sobre uma suposta tentativa de inclusão de seu nome no PT. O parlamentar relatou o episódio durante sua transmissão semanal pela internet e disse ter considerado a situação uma ofensa, reforçando que permanece vinculado ao PL. O caso ganhou destaque depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou, no sistema oficial, uma mudança na filiação partidária do senador. Segundo os registros, Flávio teria sido retirado do PL na quarta-feira (12) e incluído no Missão na mesma data. A situação provocou reação imediata da equipe do pré-candidato, que buscou esclarecer o registro e preservar sua condição partidária antes do prazo eleitoral.
Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro estava acompanhado de integrantes de sua equipe política, entre eles o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral de sua campanha presidencial, Daniela Marques, que também atua na coordenação, e o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), indicado como pré-candidato a vice-presidente na chapa. Ao comentar a mudança registrada no sistema eleitoral, Flávio afirmou que não autorizou qualquer alteração e declarou que sua filiação ao Missão não partiu de sua iniciativa. De acordo com o senador, a comunicação recebida anteriormente por sua equipe teria sido inicialmente interpretada como uma mensagem sem relevância, já que, segundo ele, o partido ainda não era conhecido por seus assessores. A situação, entretanto, ganhou outra dimensão quando a mudança passou a constar oficialmente nos registros do TSE.
O episódio também provocou uma troca de versões entre Flávio Bolsonaro e Renan Santos, pré-candidato à Presidência pelo Missão. Em publicação nas redes sociais, Santos levantou a hipótese de que a filiação poderia ter sido uma estratégia utilizada pelo próprio senador para aumentar a repercussão de um ato político do PL previsto para domingo (16), no Rio de Janeiro. Flávio rejeitou essa interpretação e afirmou que não tomou qualquer iniciativa para deixar o partido ao qual está filiado. Segundo ele, a ideia de que teria provocado a situação para chamar atenção seria falsa. O senador também declarou que pretende continuar sua trajetória política dentro do PL e afirmou que tentativas de alterar seu vínculo partidário não serão suficientes para impedir sua pré-candidatura à Presidência.
Após tomar conhecimento da alteração, a campanha de Flávio acionou o TSE para solicitar a correção do registro. Em suas redes sociais, o senador classificou a mudança como uma fraude em sua filiação e afirmou que o sistema político poderia criar obstáculos para sua candidatura. A questão ganhou ainda mais urgência por causa do calendário eleitoral, já que o parlamentar precisava regularizar sua situação partidária dentro do prazo necessário para eventual registro de candidatura. A legislação eleitoral estabelece etapas e datas específicas para que os candidatos estejam com sua documentação em ordem, tornando qualquer alteração no cadastro partidário um assunto de grande relevância para as equipes que disputam as eleições.
O Missão também se manifestou sobre o caso e, em nota, afirmou que a filiação registrada em nome de Flávio Bolsonaro ocorreu de maneira fraudulenta. A legenda informou que tentou cancelar a associação no mesmo dia em que identificou o registro, mas declarou que o pedido não foi aceito inicialmente pelo TSE. O partido acrescentou que seu grupo teria comunicado o gabinete do senador sobre a tentativa de filiação desde 2 de agosto, por meio de e-mail, mas não teria recebido resposta. Essa versão acrescenta uma nova questão ao episódio: enquanto Flávio afirma que não autorizou a mudança e que sua equipe não percebeu a comunicação com antecedência, o Missão sustenta que havia informado o gabinete sobre o procedimento.
Com a repercussão do caso, o TSE restabeleceu a filiação de Flávio Bolsonaro ao PL, encerrando, naquele momento, a alteração que havia aparecido no cadastro eleitoral. O episódio, porém, ampliou a atenção sobre a pré-campanha presidencial do senador e colocou novamente no centro do debate a disputa entre diferentes grupos políticos que pretendem participar da eleição. A situação também mostrou como mudanças cadastrais aparentemente pontuais podem provocar consequências políticas quando envolvem nomes de destaque nacional. Enquanto as partes apresentam versões diferentes sobre a origem da filiação ao Missão e sobre os avisos enviados anteriormente, Flávio mantém sua posição de que seguirá no PL e pretende avançar com sua pré-candidatura à Presidência da República.



