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CEO da Casas Bahia acredita que o próximo ano será ainda mais difícil

A Casas Bahia entrou em recuperação judicial diante de um cenário financeiro considerado desafiador pela própria companhia, mas a direção da varejista já trabalha com uma perspectiva ainda mais difícil para o próximo ano. Em declaração feita nesta segunda-feira (17), o CEO Renato Franklin afirmou que a empresa não prevê uma melhora do ambiente macroeconômico e considera que 2027 será pior do que 2026. A avaliação foi apresentada um dia depois de a companhia protocolar o pedido de recuperação judicial para reorganizar suas dívidas.

Segundo Renato Franklin, a estratégia adotada pela Casas Bahia foi planejada levando em consideração uma possível deterioração das condições de crédito para os consumidores. O executivo afirmou que o endividamento deverá continuar elevado e que medidas que ajudaram a sustentar o consumo em 2026 podem gerar consequências financeiras posteriormente. Dessa forma, a empresa decidiu ajustar sua estrutura antes de enfrentar um cenário ainda mais restritivo no varejo.

A recuperação judicial envolve uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões e ocorre depois de uma série de medidas para reduzir custos e adequar a operação. Entre essas medidas está o fechamento de 298 lojas, equivalente a quase 30% do parque de unidades da companhia, além de cortes no quadro de funcionários. A empresa também registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado que ampliou a pressão sobre sua situação financeira.

Casas Bahia prevê cenário mais difícil em 2027

A avaliação de que 2027 será pior foi apresentada por Renato Franklin durante uma conferência com analistas realizada nesta segunda-feira. O CEO explicou que a companhia não trabalha com uma melhora do cenário macroeconômico e que o planejamento para a chamada segunda fase do processo de ajuste foi elaborado considerando uma deterioração das condições de crédito. Assim, o fechamento das lojas e outras mudanças operacionais foram dimensionados para um ambiente em que o consumidor poderá encontrar mais dificuldades para obter financiamento.

De acordo com o executivo, o endividamento dos consumidores continuará sendo um dos principais fatores de preocupação para o setor varejista. Franklin citou o crescimento de algumas modalidades de crédito que deram sustentação ao consumo durante 2026, mas afirmou que esse movimento pode criar um passivo maior para as famílias no futuro. Com isso, uma eventual piora da inadimplência poderá afetar diretamente a capacidade de compra dos clientes e, consequentemente, as vendas da companhia.

A Casas Bahia também está adotando uma política mais restritiva na concessão de financiamentos aos consumidores. A estratégia busca reduzir riscos em um momento de maior pressão sobre o orçamento das famílias e sobre a capacidade de pagamento das parcelas. Paralelamente, a companhia pretende concentrar seus esforços em operações que apresentem margens mais favoráveis e contribuam para a geração de caixa.

Recuperação judicial muda estratégia da varejista

O pedido de recuperação judicial foi protocolado pela Casas Bahia no domingo (16), na Justiça de São Paulo, com o objetivo de reorganizar seus passivos e preservar a continuidade das operações. O processo abrange dez empresas da holding e ocorre após uma recuperação extrajudicial realizada em 2024, que não foi suficiente para eliminar as dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo. A maior parte da dívida atual, cerca de R$ 16,4 bilhões, corresponde a credores sem garantia.

A crise também foi acompanhada por uma forte redução da estrutura física da companhia. Ao anunciar o fechamento de 298 lojas, a empresa informou que a medida fazia parte de um processo de redimensionamento da operação, enquanto milhares de trabalhadores foram desligados. A estratégia deverá reduzir despesas e capital empregado, embora também represente uma diminuição significativa da presença física da marca no mercado.

No comércio eletrônico, a orientação apresentada pelo CEO é priorizar canais e categorias mais rentáveis, com redução de vendas que não apresentem retorno adequado. Franklin também afirmou que os marketplaces serão utilizados como instrumentos para viabilizar o ajuste da operação digital. A parceria com o Mercado Livre, estabelecida no ano passado, foi citada como parte desse modelo de atuação.

Casas Bahia busca preservar caixa diante da crise

A situação financeira da empresa foi agravada por fatores como juros elevados, restrições de crédito e dificuldades de liquidez. O resultado negativo de R$ 10,1 bilhões registrado no segundo trimestre reforçou as dúvidas sobre a capacidade de recuperação da companhia e foi acompanhado por uma queda expressiva das ações na Bolsa. Nesse contexto, a recuperação judicial foi apresentada pela administração como um instrumento para reorganizar os passivos e manter a operação em funcionamento.

O cenário projetado pelo CEO indica que a Casas Bahia deverá continuar reduzindo custos e ajustando sua operação durante os próximos meses. Enquanto a empresa negocia suas dívidas no processo judicial, consumidores deverão enfrentar um ambiente de crédito potencialmente mais restritivo, cenário que poderá limitar o consumo de produtos de maior valor. A previsão de Renato Franklin de que 2027 será pior que 2026, portanto, passou a orientar parte importante da estratégia adotada pela varejista diante da crise financeira.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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