Juiz de Minas Gerais bebe vinho e acende cigarro durante sessão virtual; TJMG abre apuração

Um vídeo gravado durante uma sessão virtual do Tribunal de Justiça de Minas Gerais provocou repercussão após mostrar o juiz Milton Lívio Lemos Salles aparentemente bebendo vinho e acendendo um cigarro com um maçarico enquanto os julgamentos ainda estavam em andamento. O episódio ocorreu na segunda-feira, 10 de agosto de 2026, durante uma reunião do 4º Núcleo de Justiça 4.0 — Cível Família, órgão que atua na segunda instância do TJMG. Além disso, o magistrado apareceu diante da câmera usando bermuda, circunstância que também chamou atenção nas imagens divulgadas. A sessão foi interrompida antes da conclusão de toda a pauta e, posteriormente, a Corregedoria-Geral de Justiça informou que instaurou um procedimento para analisar o comportamento. Embora o vídeo tenha gerado críticas nas redes sociais, qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade disciplinar deverá ser tomada pelos órgãos competentes, depois da apuração e da garantia de manifestação ao juiz. CNN Brasil
Juiz de Minas Gerais bebe durante julgamento remoto
Conforme as informações divulgadas, a pauta da sessão virtual reunia 15 processos relacionados à área cível e de família. Enquanto os julgamentos eram realizados, Milton Lívio Lemos Salles foi visto levando uma garrafa à boca, em um gesto interpretado como consumo de vinho. Em outro momento, o magistrado acendeu um cigarro utilizando um equipamento semelhante a um maçarico e começou a fumar diante da câmera. A reunião acabou sendo encerrada quando faltavam três processos para análise. Portanto, 12 casos teriam sido examinados antes da interrupção. Segundo o TJMG, os processos pendentes deverão ser incluídos em uma nova pauta, prevista para a sessão do dia 28 de agosto. Dessa forma, apesar de o episódio ter afetado o andamento dos trabalhos, os envolvidos nos processos não perderão o direito ao julgamento, pois os casos deverão ser retomados em outra data.
Quem é o magistrado que aparece no vídeo?
Milton Lívio Lemos Salles é juiz de Direito auxiliar de segundo grau e atua no 4º Núcleo de Justiça 4.0 — Cível Família do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Os Núcleos de Justiça 4.0 integram uma política de digitalização do Poder Judiciário e funcionam com o apoio de ferramentas tecnológicas, permitindo a prática de atos processuais de maneira remota. Nesse contexto, o fato de a sessão ocorrer por videoconferência não reduz sua natureza oficial. Pelo contrário, os participantes continuam submetidos às regras de respeito, formalidade, imparcialidade e decoro exigidas nas atividades presenciais. É importante esclarecer, ainda, que o episódio aconteceu durante uma sessão de julgamento, e não necessariamente durante uma audiência tradicional com depoimentos de partes e testemunhas. Embora os termos sejam frequentemente empregados como sinônimos em manchetes, uma sessão colegiada é destinada, em geral, à análise e ao julgamento de processos por magistrados.
TJMG instaura procedimento para analisar a conduta
Após a circulação das imagens, a Corregedoria-Geral do TJMG instaurou um procedimento para apurar o ocorrido. O caso será encaminhado ao Órgão Especial do tribunal, colegiado que possui atribuições administrativas e jurisdicionais relevantes, inclusive na análise de determinadas questões relacionadas à atuação dos magistrados. Conforme o comunicado divulgado, a conduta deverá ser examinada em uma sessão prevista para quarta-feira, 12 de agosto. Entretanto, a abertura de um procedimento não equivale a uma condenação antecipada. Primeiramente, deverão ser verificados o contexto completo do vídeo, a natureza dos produtos consumidos, as circunstâncias em que a sessão foi interrompida e as explicações apresentadas pelo juiz. Somente depois dessa análise poderá ser decidido se houve infração disciplinar e se alguma providência será necessária. Até a publicação inicial da notícia, a imprensa ainda tentava contato com o magistrado, mas não havia divulgado uma manifestação dele.
Quais consequências o juiz pode enfrentar?
As possíveis consequências dependerão do enquadramento que for adotado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Magistrados estão sujeitos à Lei Orgânica da Magistratura Nacional, às normas administrativas do Poder Judiciário e ao Código de Ética da Magistratura. Esses instrumentos estabelecem deveres relacionados à independência, integridade, prudência, transparência, dignidade e comportamento compatível com a importância da função exercida. Contudo, não é possível afirmar antecipadamente qual medida será tomada, pois uma apuração disciplinar pode terminar com arquivamento, orientação administrativa ou aplicação de providências previstas na legislação, conforme a gravidade comprovada. Além disso, fatores como histórico funcional, eventual prejuízo processual e repercussão institucional podem ser considerados. Assim, a análise jurídica precisa ser separada da avaliação imediata feita nas redes sociais, onde pequenos trechos de vídeo costumam circular sem todo o contexto necessário.
CNJ também foi procurado sobre o episódio
O Conselho Nacional de Justiça foi procurado pela imprensa para informar se adotará alguma medida corretiva ou se acompanhará o procedimento instaurado em Minas Gerais. O CNJ exerce funções de controle administrativo, financeiro e disciplinar sobre o Poder Judiciário brasileiro, mas sua eventual atuação não substitui automaticamente as providências internas do TJMG. Em muitos casos, os tribunais realizam a apuração inicial e comunicam os resultados aos órgãos competentes. Posteriormente, dependendo das circunstâncias, o Conselho pode solicitar informações, instaurar procedimento próprio ou avaliar decisões administrativas. No entanto, até a divulgação inicial do caso, não havia sido apresentada uma resposta conclusiva do CNJ. Portanto, qualquer afirmação de que o juiz já teria sido afastado, punido ou condenado seria prematura. O que está confirmado é a existência do vídeo, a interrupção da sessão e a abertura de uma análise pela Corregedoria-Geral do tribunal.
Caso levanta debate sobre postura em audiências virtuais
Por fim, o episódio envolvendo o juiz de Minas Gerais bebendo durante uma sessão demonstra que os atos judiciais virtuais exigem o mesmo nível de formalidade das atividades realizadas dentro dos fóruns. Desde a ampliação das videoconferências, magistrados, promotores, advogados, servidores e partes passaram a participar de audiências e julgamentos a partir de diferentes ambientes. Entretanto, a possibilidade de trabalhar remotamente não transforma uma sessão oficial em uma atividade informal. A imagem transmitida durante o julgamento representa institucionalmente o Poder Judiciário e pode influenciar a confiança da sociedade na seriedade das decisões. Ao mesmo tempo, a repercussão pública não deve substituir o devido processo administrativo. Cabe ao TJMG esclarecer os fatos, ouvir o magistrado e informar, com transparência, as providências adotadas. Os três processos que não foram julgados deverão retornar à pauta no dia 28, enquanto a conduta registrada no vídeo será examinada separadamente pelos órgãos responsáveis.




