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Presidente Lula anunciou quem receberá o seu voto para deputado federal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou publicamente que pretende votar em Moisés Selerges, candidato do PT a deputado federal por São Paulo nas eleições de 2026. A manifestação foi feita em um vídeo gravado no domingo, 23 de agosto, no qual Lula não apenas confirmou seu voto como também pediu apoio ao sindicalista, que foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A escolha coloca Selerges no centro da estratégia política do presidente para ampliar a presença de representantes ligados ao movimento dos trabalhadores no Congresso Nacional.

Moisés Selerges tem 60 anos e construiu sua trajetória profissional no setor metalúrgico, tendo trabalhado durante 41 anos como pintor de chassi de caminhão na Mercedes-Benz, segundo informações divulgadas por sua assessoria. Em 2022, ele assumiu a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade que possui uma relação histórica com Lula, que iniciou sua trajetória política justamente no movimento sindical da região do ABC paulista. Por isso, a escolha do candidato também representa uma aproximação entre a campanha presidencial petista e uma das bases tradicionais do sindicalismo brasileiro.

No vídeo, Lula relacionou seu apoio à proposta apresentada por Selerges de formar uma chamada “Bancada dos Trabalhadores” na Câmara dos Deputados. Segundo o presidente, uma representação maior de trabalhadores poderia contribuir para a aprovação de medidas defendidas pelo movimento sindical, citando especificamente o fim da escala de trabalho 6×1. A declaração ocorre em plena campanha eleitoral e transforma o apoio pessoal de Lula em um elemento importante da candidatura de Selerges, que disputa uma das cadeiras destinadas a São Paulo na Câmara.

Lula escolhe Moisés Selerges entre candidatos do PT

A decisão de Lula chama atenção porque o PT de São Paulo possui diversos candidatos conhecidos disputando vagas para a Câmara dos Deputados. Entre os nomes que também estão na corrida aparecem José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, Arlindo Chinaglia, ex-presidente da Câmara, Paulo Teixeira, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Carlos Zarattini, Jilmar Tatto e Vicentinho. Ao declarar voto especificamente em Selerges, Lula estabelece uma preferência eleitoral dentro de um partido que possui uma lista ampla de candidatos e diferentes grupos internos.

A escolha está relacionada, sobretudo, à trajetória sindical compartilhada pelo presidente e pelo candidato. Lula comandou o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema antes de se tornar uma das principais lideranças sindicais do país, enquanto Selerges passou décadas trabalhando na indústria e posteriormente chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Dessa maneira, a campanha do candidato procura associar sua experiência profissional e sindical à defesa de políticas voltadas ao emprego, à reindustrialização e aos direitos trabalhistas.

A proposta de criar uma Bancada dos Trabalhadores também já vinha sendo articulada antes da declaração de voto de Lula. A iniciativa foi idealizada por Selerges e recebeu apoio de parlamentares de esquerda, incluindo Benedita da Silva e Talíria Petrone, com o objetivo de reunir deputados em torno de pautas relacionadas aos trabalhadores. Nesse contexto, a candidatura do ex-presidente do sindicato passou a ser apresentada pelo campo petista como uma tentativa de aumentar a representação sindical no Legislativo federal.

Moisés Selerges ganha apoio de Lula em meio à disputa eleitoral

O apoio de Lula ocorre depois de uma mobilização da campanha presidencial para recuperar elementos da trajetória sindical do presidente. Em 16 de agosto, um ato de lançamento da campanha à reeleição foi realizado em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, com a participação de metalúrgicos e referências à história política de Lula na região. O próprio Sindicato dos Metalúrgicos do ABC foi utilizado como ponto de conexão entre o passado sindical do presidente e a atual campanha eleitoral.

Nesse cenário, Selerges aparece como um dos principais nomes dessa estratégia de aproximação com o movimento sindical. A intenção declarada pelo candidato é ampliar a presença de trabalhadores com experiência profissional no Congresso e defender políticas relacionadas à geração de empregos e à reindustrialização. Segundo declaração atribuída a Selerges pelo Metrópoles, ele considera necessário aumentar a representação dos trabalhadores em Brasília, argumento que passou a fazer parte da apresentação de sua candidatura.

A defesa do fim da escala 6×1 também passou a ocupar espaço nessa articulação. Lula associou diretamente a proposta de Selerges à possibilidade de aprovação dessa mudança, embora qualquer alteração nas regras trabalhistas dependa de tramitação e aprovação pelo Congresso Nacional. Assim, a candidatura busca apresentar uma agenda que combina representação sindical, direitos trabalhistas e participação política, enquanto o apoio presidencial amplia a exposição de Selerges durante a campanha de 2026.

Candidatura de Selerges enfrenta questionamento eleitoral

Ao mesmo tempo em que recebeu o apoio público de Lula, Moisés Selerges passou a enfrentar um questionamento relacionado ao registro de sua candidatura. O Ministério Público Eleitoral apresentou parecer favorável a uma notícia de inelegibilidade que questiona se o candidato deixou a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral. Segundo a manifestação divulgada pelo Metrópoles, a Procuradoria Regional Eleitoral defendeu o indeferimento do registro, mas a decisão final caberá à Justiça Eleitoral.

A defesa de Selerges contesta essa interpretação e sustenta que não haveria necessidade de desincompatibilização porque o sindicato não seria mantido por recursos públicos, mas por contribuições associativas de seus integrantes. A campanha também afirma que existem precedentes do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal relacionados à questão e argumenta que o pedido de impugnação teria sido apresentado fora do prazo. Portanto, a situação jurídica da candidatura ainda depende da análise e do julgamento pelos órgãos competentes da Justiça Eleitoral.

Apoio de Lula coloca candidatura no centro da disputa em São Paulo

Outro elemento relevante é que Selerges deixou a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em julho de 2026 para disputar a eleição, depois de assumir o comando da entidade em 2022. Sua trajetória de 41 anos como trabalhador da indústria e sua passagem pela liderança sindical são utilizadas como principais credenciais políticas na campanha para deputado federal. Além disso, informações sobre financiamento eleitoral mostram que ele recebeu uma doação de R$ 50 mil de Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, em uma contribuição registrada como recurso próprio de campanha, e não proveniente dos fundos eleitoral ou partidário.

Dessa forma, a declaração de Lula consolida a aproximação entre o presidente, o movimento sindical do ABC e a candidatura de Moisés Selerges, mas a disputa ainda envolve questões eleitorais que precisam ser resolvidas pela Justiça. O apoio presidencial deverá ser utilizado pela campanha como demonstração de alinhamento com a agenda trabalhista defendida pelo candidato, enquanto o processo sobre seu registro continuará sendo acompanhado pelos envolvidos. Assim, a candidatura do ex-presidente dos Metalúrgicos do ABC passa a reunir, simultaneamente, forte exposição política e um processo eleitoral ainda sujeito à análise judicial.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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