Flávio aposta em caso Lulinha para desgastar candidatura de Lula

A disputa pela Presidência da República ganhou um novo foco com a decisão da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) de levar as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, para a propaganda eleitoral. A estratégia pretende transformar o assunto em uma das principais bandeiras do candidato do PL contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ampliando um tema que já vinha sendo explorado nas redes sociais. Com a corrida eleitoral equilibrada, a avaliação entre aliados de Flávio é que o episódio pode alcançar eleitores que ainda não acompanham de perto os debates políticos e aumentar a pressão sobre a campanha petista durante o período eleitoral.
O movimento ganhou espaço após a divulgação de informações sobre a relação entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, que também aparece nas investigações relacionadas a suspeitas envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. Segundo informações atribuídas às apurações da Polícia Federal, mensagens encontradas durante as investigações registraram conversas entre os dois sobre negócios e contatos com integrantes do governo. Lulinha é alvo de três inquéritos relacionados a suspeitas de tráfico de influência e nega qualquer irregularidade. O caso passou a ser citado com frequência por Flávio, que pretende associar o episódio ao discurso de fiscalização, transparência e combate à corrupção que deverá marcar parte de sua campanha presidencial.
A estratégia do PL agora prevê ampliar a exposição do tema para além das plataformas digitais. Peças de propaganda eleitoral já foram gravadas e o caso deverá aparecer em conteúdos destinados à televisão, incluindo inserções de curta duração exibidas durante a programação das emissoras. A campanha também pretende combinar o assunto com temas econômicos, buscando aproximar a mensagem de questões presentes no cotidiano do eleitor. A aposta política é que a repetição da pauta aumente sua presença no debate público e faça com que as investigações envolvendo Lulinha sejam conhecidas também por pessoas que não costumam acompanhar conteúdos políticos nas redes sociais. A propaganda presidencial gratuita tem estreia prevista para sábado, 29 de agosto.
O momento escolhido pela campanha de Flávio ocorre em meio a uma disputa eleitoral marcada por números próximos. Pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (24) aponta Lula com 41% das intenções de voto no principal cenário estimulado de primeiro turno, enquanto Flávio aparece com 37%. No levantamento anterior, os percentuais eram de 40% e 36%, respectivamente. No segundo turno, a diferença também é pequena: Lula registra 46%, contra 45% de Flávio. O levantamento ouviu 2.006 eleitores entre 21 e 23 de agosto, apresenta margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo BTG Pactual e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09028/2026.
Do outro lado da disputa, a campanha de Lula trabalha para impedir que o caso permaneça como um dos assuntos dominantes da eleição. A estratégia inclui manifestações públicas do próprio presidente e medidas jurídicas relacionadas à divulgação de informações das investigações. Em entrevista à TV Record no domingo (23), Lula afirmou que não interfere em apurações e defendeu que eventuais responsabilidades sejam esclarecidas pelas autoridades. O presidente também sinalizou que qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades deve prestar contas. Na semana passada, Lula se reuniu com o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, para tratar do andamento dos inquéritos. O defensor afirma que o filho do presidente já se colocou à disposição da Justiça e também questiona a forma como informações da investigação vêm sendo divulgadas.
Com a aproximação do início da propaganda eleitoral, o caso Lulinha tende a ganhar ainda mais espaço na disputa entre os dois principais grupos políticos. Para o PL, a exposição do episódio representa uma oportunidade de reforçar uma mensagem voltada à fiscalização e à cobrança por explicações. Para o PT, o desafio é evitar que as investigações sejam transformadas em um tema permanente capaz de influenciar a percepção dos eleitores sobre o governo. Nesse cenário, televisão, redes sociais e inserções ao longo da programação deverão desempenhar papel importante na definição das pautas que chegarão ao público. A expectativa é que o assunto continue sendo explorado nas próximas semanas, especialmente porque a corrida presidencial apresenta uma diferença reduzida entre os candidatos e cada novo tema pode ganhar peso na decisão do eleitor.



