A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, quer ficar mais próxima de seus eleitores

Michelle Bolsonaro e Bia Kicis decidiram ampliar a presença nas redes sociais durante a campanha eleitoral de 2026 e farão lives semanais juntas até as eleições. A primeira transmissão está prevista para sexta-feira, 28 de agosto, pelo Instagram, em formato de colaboração entre os perfis das duas candidatas do PL ao Senado pelo Distrito Federal. A estratégia foi definida em um momento de disputa acirrada por duas cadeiras no Senado e busca aproveitar a grande audiência digital de Michelle para fortalecer também a candidatura de Bia.
A iniciativa ocorre em um cenário no qual Michelle aparece entre os nomes mais competitivos da corrida eleitoral no Distrito Federal. Pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto mostrou a ex-primeira-dama com 19% das intenções de voto, enquanto Bia Kicis registrou 11%, tecnicamente empatada com Erika Kokay, do PT, que alcançou 12%. Como apenas duas vagas estarão em disputa, a campanha de Bia precisa ampliar sua exposição e conquistar eleitores que ainda não definiram seus votos.
A diferença de alcance entre as duas também ajuda a explicar a estratégia. Michelle possui mais de 8 milhões de seguidores no Instagram, enquanto Bia Kicis reúne cerca de 2,5 milhões, segundo informações divulgadas sobre a parceria. Assim, as transmissões conjuntas poderão funcionar como uma espécie de ponte entre as bases digitais das duas políticas, permitindo que a deputada alcance uma parcela maior do público identificado com o bolsonarismo e com a direita.
Michelle Bolsonaro usa força digital para impulsionar Bia Kicis
A escolha das lives não ocorre por acaso, pois Michelle Bolsonaro se transformou em uma das principais figuras de mobilização digital do PL. Ex-primeira-dama e agora candidata ao Senado, ela possui uma presença especialmente relevante entre mulheres e eleitores evangélicos, segmentos considerados estratégicos para o projeto eleitoral do partido. Dessa maneira, sua participação ao lado de Bia Kicis deverá ser utilizada para reforçar a mensagem de que as duas representam uma chapa política alinhada ao campo da direita no Distrito Federal.
A parceria também já vinha sendo construída antes da confirmação das transmissões semanais. Em agosto, as duas candidaturas foram oficialmente lançadas pelo PL durante a convenção partidária realizada em Brasília, quando o partido confirmou Michelle e Bia como suas representantes na disputa pelas duas vagas disponíveis no Senado. Na ocasião, a legenda também oficializou apoio à reeleição da governadora Celina Leão, do PP, consolidando uma composição política importante no Distrito Federal.
Além disso, Bia Kicis já utilizava as transmissões ao vivo como parte de sua estratégia de comunicação. A deputada realiza lives aos domingos em seu próprio perfil e pretende manter esse formato, enquanto os encontros com Michelle deverão acrescentar uma audiência significativamente maior. Portanto, o objetivo não é substituir a comunicação individual de Bia, mas ampliar sua exposição por meio da associação com uma candidata que possui uma base digital mais extensa.
Disputa pelo Senado no Distrito Federal ganha força
A corrida pelo Senado no Distrito Federal apresenta um cenário competitivo, especialmente porque os eleitores escolherão dois candidatos em outubro. Na pesquisa Datafolha mais recente, Michelle apareceu com 19%, seguida por Leila do Vôlei, do PDT, com 16%, enquanto Erika Kokay e Bia Kicis registraram 12% e 11%, respectivamente. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, diferentes candidaturas permanecem próximas o suficiente para que mudanças durante a campanha possam alterar a composição das duas primeiras posições.
Outro levantamento recente reforça a competitividade da disputa, embora apresente percentuais diferentes. Pesquisa RealTime Big Data divulgada em 19 de agosto colocou Michelle na liderança com 25%, seguida por Leila, com 17%, enquanto Bia e Erika apareceram empatadas com 15% cada uma. Portanto, embora os institutos apresentem números distintos, existe um ponto comum entre os levantamentos: Michelle ocupa posição de destaque, enquanto a segunda vaga permanece aberta à disputa entre vários candidatos.
Nesse contexto, as lives podem representar uma tentativa de transformar a vantagem individual de Michelle em uma vantagem eleitoral para o conjunto do PL. A ex-primeira-dama já afirmou que considera as duas candidatas representantes da direita e tem participado de agendas políticas ao lado de Bia. Por consequência, uma campanha conjunta poderá facilitar a construção de uma mensagem coordenada e incentivar eleitores que pretendem votar em Michelle a também escolher Bia para a segunda vaga.
Lives de Michelle e Bia fazem parte de estratégia maior do PL
A estratégia digital também está relacionada às limitações da campanha presencial de Michelle. De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, a ex-primeira-dama pretende recorrer às transmissões pela internet para impulsionar aliados e candidaturas estaduais, diante da dificuldade de realizar viagens pelo país. Dessa forma, as redes sociais passaram a ocupar um espaço ainda mais importante na agenda eleitoral de Michelle, permitindo que sua comunicação alcance diferentes regiões sem a necessidade de deslocamentos frequentes.
A parceria com Bia Kicis, portanto, possui uma dimensão que ultrapassa uma simples participação em programas virtuais. As transmissões deverão ser utilizadas para apresentar propostas, reforçar a identidade política das candidatas e manter suas imagens constantemente presentes no debate eleitoral até outubro. Ao mesmo tempo, a iniciativa poderá ser avaliada pelo desempenho da candidatura de Bia, já que sua principal necessidade neste momento é ampliar o percentual de intenção de voto e transformar a exposição em votos efetivos.
A primeira live está programada para 28 de agosto e deverá inaugurar uma rotina de encontros que seguirá até as eleições. Para Michelle, a iniciativa representa uma maneira de manter sua influência política e, simultaneamente, ajudar uma aliada direta na disputa pelo Senado; para Bia, representa a oportunidade de utilizar uma das maiores audiências digitais do campo bolsonarista. Assim, a estratégia mostra como as redes sociais passaram a ocupar papel central nas eleições de 2026, especialmente em disputas nas quais poucos pontos percentuais podem definir quem conquistará uma cadeira no Senado.



