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A Polícia Federal está investigando Leonardo Avalanche, vice de Pablo Marçal

A Polícia Federal investiga uma suspeita de desvio de R$ 750 mil do fundo eleitoral destinado ao PRTB nas eleições municipais de 2024, em um caso que envolve Leonardo Avalanche, presidente nacional da legenda e atual candidato a vice na chapa presidencial de Pablo Marçal. Segundo a investigação, parte do dinheiro repassado pelo partido a um escritório de advocacia teria posteriormente chegado a contas ligadas a Avalanche, sua esposa e seu filho. O caso chama atenção porque os investigadores identificaram uma sequência de operações financeiras consideradas suspeitas, envolvendo empresas intermediárias, transferências e até a movimentação da conta bancária de um adolescente de 13 anos.

A apuração teve origem em uma denúncia anônima encaminhada à Polícia Federal e passou a ganhar novos contornos depois da quebra dos sigilos bancários dos envolvidos. De acordo com os relatórios parciais enviados à Justiça de São Paulo, os R$ 750 mil teriam sido transferidos inicialmente para o escritório de Samuel Alves de Azevedo, secretário-geral do PRTB, antes de parte dos valores ser movimentada por empresas apontadas como possíveis intermediárias. Embora a investigação ainda não tenha sido concluída, são analisadas suspeitas relacionadas a crimes eleitorais e improbidade administrativa, o que poderá determinar novas consequências jurídicas conforme as provas sejam consolidadas.

O episódio também ocorre em um momento especialmente delicado para o PRTB e para Pablo Marçal, que tenta disputar a Presidência da República em 2026 apesar de enfrentar problemas jurídicos relacionados à sua candidatura. Na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral proibiu Marçal de utilizar recursos do fundo eleitoral, participar de debates e aparecer no horário eleitoral enquanto o registro de sua candidatura não for definitivamente analisado. Assim, a investigação envolvendo o principal dirigente do partido acrescenta uma nova camada de desgaste político à campanha e coloca sob escrutínio a maneira como os recursos públicos foram administrados pela legenda.

PF investiga vice de Marçal e rastreia dinheiro do PRTB

A investigação da PF aponta que o escritório de Samuel Alves de Azevedo recebeu R$ 750 mil do PRTB no começo de setembro de 2024, período próximo às eleições municipais. Posteriormente, entre setembro daquele ano e fevereiro de 2025, R$ 501 mil teriam sido transferidos para contas relacionadas a Leonardo Avalanche e familiares por meio das empresas JFX Consultoria e Superstar Corporate Ltda. Dessa forma, o caminho percorrido pelo dinheiro passou a ser analisado pelos investigadores, que procuram identificar a finalidade real das operações e verificar se houve tentativa de ocultação da origem ou do destino dos recursos.

Um dos episódios que despertou a atenção da Polícia Federal envolve Ana Cláudia Ferreira de Faria Alves, mulher de Avalanche, que recebeu R$ 100 mil do escritório de advocacia em duas transferências. Segundo a investigação, os valores foram posteriormente devolvidos em três operações realizadas nos dias 11, 12 e 14 de outubro de 2024, o que levantou a hipótese de que a devolução teria ocorrido depois que os envolvidos perceberam que o repasse direto poderia chamar a atenção das autoridades. Poucos dias depois, em 24 de outubro, Ana Cláudia teria recebido outros R$ 150 mil da Superstar Corporate, empresa que passou a integrar o conjunto de operações sob análise.

Outro ponto considerado relevante pela PF foi a movimentação financeira relacionada ao filho de Avalanche, que tinha apenas 13 anos durante o período analisado. Segundo os dados obtidos após a quebra dos sigilos, a Superstar teria enviado R$ 100 mil ao adolescente, cuja conta movimentou aproximadamente R$ 751 mil ao longo dos oito meses examinados pelos investigadores, incluindo transferências para os próprios pais. O uso de uma conta pertencente a um menor de idade é tratado com atenção especial na apuração porque poderá ajudar a esclarecer se houve uma tentativa de dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

Leonardo Avalanche enfrenta novas suspeitas em meio à campanha

Leonardo Avalanche ganhou projeção nacional em 2024, quando participou da ascensão política de Pablo Marçal durante a disputa pela Prefeitura de São Paulo e posteriormente assumiu posição de destaque dentro do PRTB. Desde então, sua trajetória passou a ser marcada por disputas internas, questionamentos judiciais e investigações, incluindo uma apuração anterior da Polícia Federal relacionada a acusações de ameaça e violência política contra Rachel de Carvalho, então integrante da direção partidária. O atual caso sobre o fundo eleitoral, portanto, não é o primeiro episódio envolvendo o dirigente, embora apresente uma natureza diferente por concentrar-se em movimentações financeiras de recursos destinados à atividade eleitoral.

A situação política de Avalanche também ganhou maior repercussão depois que ele foi colocado como candidato a vice-presidente na chapa de Pablo Marçal para a eleição de 2026. Paralelamente às novas suspeitas sobre o fundo eleitoral, o dirigente aparece em documentos eleitorais com um patrimônio declarado de R$ 495 milhões, dos quais aproximadamente R$ 491 milhões seriam compostos por criptomoedas, valor muito superior aos R$ 380 mil declarados por ele em 2018. Esse crescimento patrimonial passou a ser observado no contexto da disputa eleitoral, embora patrimônio elevado, por si só, não constitua prova de irregularidade.

A defesa de Avalanche afirma que ele está colaborando com as investigações e que os esclarecimentos serão prestados às autoridades no momento processual adequado. O dirigente também declarou que não comentará detalhes específicos do caso fora dos autos, alegando que o procedimento está protegido pelo sigilo, enquanto outros envolvidos e empresas procurados pela reportagem não haviam apresentado manifestação até a publicação. É importante destacar, portanto, que uma investigação policial não representa uma condenação, e a responsabilidade criminal somente poderá ser estabelecida caso as suspeitas sejam comprovadas e posteriormente reconhecidas pela Justiça.

O que a investigação da PF pode provocar no PRTB

A investigação sobre o fundo eleitoral do PRTB poderá produzir consequências políticas e jurídicas dependendo do resultado das diligências e da eventual confirmação das suspeitas. Caso sejam identificadas irregularidades comprovadas na utilização de dinheiro público destinado às eleições, os responsáveis poderão ser submetidos a medidas previstas na legislação, além de eventuais consequências eleitorais para o partido ou para candidatos beneficiados, conforme a natureza e a extensão dos fatos. Por enquanto, entretanto, os relatórios encaminhados à Justiça são parciais e novas informações ainda deverão ser produzidas pela Polícia Federal antes de qualquer conclusão definitiva.

O caso também ganha importância porque ocorre às vésperas de uma eleição presidencial na qual o PRTB tenta ocupar espaço nacional com Pablo Marçal, candidato que já enfrenta uma decisão de inelegibilidade e restrições impostas pela Justiça Eleitoral. O TRE-SP manteve a inelegibilidade de Marçal até 2032, enquanto o TSE determinou restrições ao uso de recursos públicos e à participação em debates durante a análise de seu registro, aumentando a pressão sobre a candidatura. Nesse cenário, a investigação da PF envolvendo Leonardo Avalanche poderá ampliar o escrutínio sobre o partido e obrigará a legenda a responder politicamente às suspeitas enquanto o processo policial continua em andamento.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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