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Caiado apresenta plano para transformar o SUS com prevenção, tecnologia e prioridade clínica

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado, do PSD, apresentou nesta terça-feira, 18 de agosto, em São Paulo, as principais diretrizes de seu plano de governo para a saúde. Médico de formação e ex-governador de Goiás, Caiado defendeu uma reorganização do Sistema Único de Saúde baseada em prevenção, integração de dados, transparência e avaliação dos atendimentos por resultados. A proposta foi divulgada na sede nacional do PSD, localizada na região central da capital paulista, e integra o programa da chapa formada por Caiado e pelo candidato a vice-presidente Gilberto Kassab, presidente nacional da legenda. Além disso, o documento foi elaborado sob a coordenação do médico Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde durante o governo de Jair Bolsonaro. Entre as medidas anunciadas estão a digitalização dos prontuários, a ampliação da telemedicina, a utilização supervisionada de inteligência artificial e a adoção de critérios clínicos para organizar as filas do SUS.

Caiado apresenta plano para reduzir as filas do SUS

Um dos principais compromissos apresentados por Caiado é a criação do chamado Sistema Nacional de Acesso e Regulação Inteligente. Atualmente, as filas para consultas especializadas, exames, cirurgias e procedimentos de alta complexidade são administradas por diferentes estados e municípios, nem sempre com sistemas integrados ou critérios uniformes. Pela proposta, a posição de cada paciente não seria definida somente pela data em que o pedido foi registrado. Também seriam considerados a gravidade do quadro, o risco de progressão da doença, o impacto provocado pelo atraso, a vulnerabilidade social e o tempo já transcorrido. Portanto, pacientes com câncer, doenças cardiovasculares, problemas neurológicos ou condições que possam piorar rapidamente receberiam prioridade clínica. Além disso, a ordem poderia ser atualizada caso o estado de saúde se agravasse. A meta anunciada é reduzir em pelo menos 50%, até 2030, o tempo mediano das filas prioritárias nas regiões com maior demora.

Digitalização do SUS permitirá acompanhar consultas e exames

Outro eixo relevante do programa é a implantação de uma infraestrutura nacional de informações médicas. De acordo com o plano, consultas realizadas na atenção básica, exames laboratoriais, internações hospitalares, prescrições, tratamentos especializados e procedimentos de reabilitação deverão ser conectados por meio de um prontuário eletrônico interoperável. Dessa maneira, os dados clínicos acompanhariam o cidadão quando ele fosse atendido em unidades diferentes, inclusive em outro município ou estado. Ao mesmo tempo, seria disponibilizado um canal nacional para que o usuário consultasse sua posição na fila, a prioridade atribuída ao pedido, o prazo estimado e o serviço responsável pelo atendimento. A telemedicina também seria ampliada, sobretudo em regiões com escassez de especialistas. Entretanto, dados relacionados à saúde são classificados como informações pessoais sensíveis, motivo pelo qual deverão ser adotados mecanismos rigorosos de proteção, controle de acesso e auditoria. Segundo o programa, a inteligência artificial somente seria utilizada com validação, transparência e supervisão profissional.

Prevenção de doenças é colocada como prioridade

Embora o atendimento hospitalar receba grande parte da atenção pública, o plano sustenta que muitos casos graves poderiam ser evitados ou identificados precocemente por meio do fortalecimento da atenção primária. Por esse motivo, a Estratégia Saúde da Família seria mantida como principal porta de entrada do SUS, porém as equipes passariam a contar com instrumentos de classificação de risco, teleconsultoria e acompanhamento ativo de pessoas vulneráveis. Conforme a proposta, deverão ser monitorados, principalmente, pacientes com hipertensão, diabetes, obesidade, doenças respiratórias, risco cardiovascular e histórico familiar de enfermidades graves. Além disso, foram previstas rotas nacionais para o atendimento de infarto e acidente vascular cerebral, com protocolos destinados a acelerar o diagnóstico e o tratamento. Até 2030, pretende-se reduzir em 20% as internações provocadas por condições que poderiam ser controladas na atenção primária. Também foi apresentada como meta indicativa uma redução de 30% na mortalidade cardiovascular prematura, embora a execução dependa da capacidade regional e da linha de base que será levantada em 2027.

Vacinação, saúde mental e atenção materno-infantil

O plano também prevê uma campanha nacional para recuperar a confiança da população nas vacinas e ampliar a cobertura do Programa Nacional de Imunizações. Durante a apresentação, Caiado criticou a expansão da cultura antivacina e mencionou o retorno de doenças que haviam sido controladas no país. Assim, a vacinação em escolas, a busca ativa de pessoas com doses atrasadas e o atendimento em comunidades afastadas seriam fortalecidos. Paralelamente, foi proposta a criação de uma rede nacional voltada à saúde mental, às dependências químicas e às neurodivergências, com integração entre as unidades básicas, os Centros de Atenção Psicossocial e os serviços hospitalares. O cuidado materno-infantil também foi incluído entre as prioridades. Nesse sentido, pré-natal, vacinação, alimentação, acompanhamento do desenvolvimento, visitas domiciliares e prevenção da violência seriam articulados durante os primeiros mil dias de vida da criança. Famílias em situação de pobreza, gestantes adolescentes, bebês prematuros e crianças com deficiência seriam acompanhados de maneira prioritária.

Hospitais poderão ser avaliados pela qualidade do atendimento

Atualmente, parte significativa do financiamento hospitalar é calculada de acordo com a quantidade de consultas, exames, cirurgias e demais procedimentos realizados. O programa de Caiado propõe uma mudança gradual nessa lógica, de modo que uma parcela crescente dos repasses federais seja vinculada à qualidade e aos resultados efetivamente alcançados. Para isso, seria criado um painel público com indicadores de tempo de espera, reinternações, infecções hospitalares, ocupação de leitos, custos, satisfação dos usuários e evolução clínica dos pacientes. Consequentemente, hospitais e equipes seriam avaliados não apenas pelo volume de serviços prestados, mas também pela capacidade de melhorar a saúde das pessoas atendidas. Por outro lado, a medida exigirá critérios cuidadosamente ajustados, pois unidades localizadas em regiões pobres ou responsáveis por pacientes mais graves não poderão ser prejudicadas por comparações simplificadas. O plano ainda prevê ampliação do SAMU, centrais regionais de comando e diminuição de pelo menos 50% no tempo de espera por leitos de UTI nas áreas que enfrentam os maiores atrasos.

Propostas dependem de financiamento e articulação federativa

Por fim, o programa defende o fortalecimento da produção brasileira de vacinas, medicamentos de alto custo, imunobiológicos, biossimilares e terapias avançadas. Parcerias com universidades, hospitais públicos, Fiocruz, Instituto Butantan, laboratórios e empresas seriam estimuladas para reduzir a dependência de produtos importados. Entretanto, embora Caiado apresente plano para transformar a gestão da saúde, a implementação das propostas dependerá de financiamento, profissionais qualificados, infraestrutura tecnológica e cooperação entre União, estados e municípios. O cronograma prevê que, em 2027, sejam mapeadas as filas, a capacidade de atendimento, a distribuição de especialistas e as desigualdades regionais. Entre 2027 e 2028, seriam implantadas as ações prioritárias; em 2029, as iniciativas com melhores resultados seriam ampliadas; e, em 2030, uma avaliação independente seria realizada. Portanto, as diretrizes apresentam metas mensuráveis e mecanismos de transparência, mas sua viabilidade deverá ser analisada durante o debate eleitoral, especialmente quanto aos custos e às fontes de recursos.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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