Campanha precifica rejeição e aposta em Janja para engajar eleitoras

A primeira-dama Janja Lula da Silva deve assumir um espaço ainda maior na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. Embora não tenha recebido uma função formal dentro da estrutura eleitoral, ela passou a ocupar posição estratégica nas articulações voltadas ao eleitorado feminino e deverá manter uma agenda própria de viagens e encontros ao longo do período eleitoral. A movimentação reforça a intenção do grupo político de aproximar a campanha de pautas e segmentos considerados importantes para a disputa.
Segundo informações divulgadas pela CNN, Janja deverá participar de eventos ao lado de Lula e também cumprir compromissos de forma independente. A avaliação de integrantes do PT é que a presença da primeira-dama pode ampliar o diálogo com mulheres em diferentes regiões do país. A estratégia, porém, ocorre em um cenário de opiniões divididas sobre sua atuação pública. Uma pesquisa PoderData realizada em junho apontou que 52% dos entrevistados que afirmaram conhecer Janja desaprovavam sua atuação como primeira-dama. O levantamento ouviu 2.500 pessoas e apresentou margem de erro de dois pontos percentuais.
A atuação de Janja em agendas relacionadas às mulheres não começou com a preparação para as eleições de 2026. Durante o atual governo, ela participou de iniciativas e viagens ligadas a políticas públicas e campanhas de conscientização, incluindo ações do Pacto Brasil Contra o Feminicídio. Nesse período, esteve em cidades como Salvador, Fortaleza, Natal e Teresina, além de participar de compromissos em outras capitais. Na terça-feira, 18 de agosto, por exemplo, esteve em uma audiência em Curitiba, mantendo uma rotina de atividades que deve ganhar novos capítulos nos próximos meses.
Agora, a primeira-dama também está envolvida na preparação de um dos principais eventos da campanha direcionados ao público feminino. Lula estará em Belo Horizonte, em Minas Gerais, no dia 29 de agosto, para um encontro com mulheres. Janja vem participando de reuniões com coletivos e representantes de diferentes grupos para ajudar a estruturar a programação. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla da campanha, que considera o eleitorado feminino um segmento relevante para a construção do discurso eleitoral e para o diálogo com diferentes parcelas da população.
O espaço conquistado por Janja também ficou evidente nos primeiros movimentos da campanha. No evento realizado em São Bernardo do Campo, em São Paulo, no último domingo, 16 de agosto, ela teve participação destacada e, segundo aliados, ajudou a definir parte da condução da programação. A lembrança de Marisa Letícia, esposa de Lula que morreu em 2017, também ganhou espaço durante o encontro e acrescentou um aspecto pessoal à agenda. Antes disso, na convenção que confirmou a candidatura de Lula à reeleição, em 2 de agosto, o presidente chamou a atenção de aliados para a ausência de vozes femininas no roteiro e acabou abrindo espaço para Janja falar.
Na abertura oficial da campanha, o partido decidiu ampliar ainda mais a presença feminina. Janja e a deputada federal Benedita da Silva (PT), candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, foram escolhidas para iniciar os discursos do evento. A primeira-dama também apareceu em um vídeo cantando o jingle gospel “Tapete Vermelho”, reforçando sua participação na comunicação da campanha. Com uma agenda que combina viagens, reuniões e participação em eventos, Janja passa a ocupar um papel cada vez mais visível no projeto eleitoral de Lula. O movimento mostra que a campanha pretende explorar diferentes formas de comunicação com o público feminino, enquanto a presença da primeira-dama deverá continuar sendo um dos elementos de destaque da corrida eleitoral de 2026.



