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Candidato à presidência, Flávio Bolsonaro quer reduzir a burocracia para facilitar o acesso ao SUS

As propostas de Flávio Bolsonaro para mudar o SUS começam a ganhar contornos mais definidos dentro do plano de governo apresentado pelo senador e candidato do PL à Presidência da República. O parlamentar pretende colocar a digitalização dos serviços públicos no centro de sua estratégia para reduzir burocracia, organizar informações e facilitar o acesso da população a atendimentos e benefícios. Entre as medidas anunciadas está a criação de um prontuário eletrônico único para usuários do Sistema Único de Saúde, associado ao CPF, com o objetivo de permitir que informações médicas acompanhem o cidadão em diferentes pontos da rede. A proposta faz parte do chamado Plano Brasil sem Fila, que também prevê mudanças em outras áreas da administração pública.

Na prática, a ideia apresentada por Flávio Bolsonaro procura atacar um problema conhecido por milhões de brasileiros: a dificuldade de navegar por serviços públicos que nem sempre conversam entre si. Segundo a proposta, exames, consultas e informações clínicas poderiam ser reunidos em uma estrutura digital integrada. Dessa maneira, seria possível reduzir a repetição de procedimentos, facilitar o histórico médico e melhorar a organização dos atendimentos. O plano também prevê o uso de inteligência artificial no agendamento de consultas e exames, uma medida que pretende utilizar tecnologia para administrar a demanda e diminuir o tempo de espera. Embora a digitalização já faça parte das políticas públicas brasileiras, o candidato defende uma ampliação e integração dessas ferramentas.

O ponto mais importante, contudo, está em saber como essas propostas seriam executadas em um sistema tão amplo quanto o SUS. O Sistema Único de Saúde possui gestão compartilhada entre União, estados e municípios, além de uma rede que reúne unidades básicas, hospitais, laboratórios e serviços especializados. Portanto, a criação de um sistema nacional realmente integrado dependeria de padrões tecnológicos, investimentos, proteção de dados e cooperação entre diferentes governos. A própria Estratégia Nacional de Governo Digital prevê a integração de serviços e canais públicos, inclusive com mecanismos que permitam ao cidadão acessar diferentes serviços de maneira mais simples. Assim, parte da visão apresentada por Flávio Bolsonaro dialoga com uma tendência que já está presente na administração pública brasileira, embora o candidato proponha ampliar esse processo.

As propostas de Flávio Bolsonaro para digitalizar o SUS

Entre as principais medidas está o prontuário eletrônico único vinculado ao CPF. A proposta é permitir que os dados de saúde de uma pessoa possam ser consultados, dentro das regras de segurança e privacidade, quando ela procurar diferentes serviços do SUS. Se for implementado de maneira eficiente, o mecanismo poderá evitar que exames já realizados precisem ser repetidos simplesmente porque determinada unidade não possui acesso ao histórico do paciente. Além disso, a integração poderia facilitar o acompanhamento de tratamentos e oferecer aos profissionais uma visão mais completa do atendimento anterior. Entretanto, a iniciativa exigiria uma estrutura robusta de proteção de dados, pois informações de saúde estão entre os dados pessoais que demandam maior cuidado.

Inteligência artificial e redução das filas

Outro eixo das propostas de Flávio Bolsonaro envolve o uso de inteligência artificial para organizar consultas e exames. A intenção anunciada é utilizar tecnologia para melhorar o agendamento e reduzir filas, fazendo com que o cidadão encontre um caminho mais rápido dentro da rede pública. O plano também prevê assistentes virtuais para facilitar o acesso a serviços, direitos e benefícios, além da digitalização de 100% dos serviços públicos. O objetivo declarado é construir um Estado mais integrado e menos burocrático. No entanto, a tecnologia, por si só, não resolve a falta de médicos, leitos, equipamentos ou recursos. Por isso, a efetividade da proposta dependerá de sua integração com investimentos e capacidade de atendimento presencial.

As propostas também precisam ser avaliadas considerando a realidade digital do país. De acordo com informações oficiais do governo federal, a estratégia de governo digital busca ampliar o acesso eletrônico aos serviços, mas determina que a digitalização não elimine o direito ao atendimento presencial. A preocupação é relevante porque uma parcela da população ainda enfrenta dificuldades de acesso à internet, possui baixa familiaridade com ferramentas digitais ou necessita de atendimento humano para resolver situações complexas. Dessa forma, um SUS mais digital poderá representar avanço para muitos cidadãos, mas deverá ser acompanhado de alternativas presenciais para evitar que a tecnologia se transforme em uma nova barreira.

O que pode mudar no SUS com o plano de Flávio Bolsonaro

A proposta de Flávio Bolsonaro coloca a modernização tecnológica como uma das principais ferramentas para enfrentar problemas históricos do serviço público. A integração de dados, o prontuário eletrônico, os assistentes virtuais e a utilização de inteligência artificial podem, em tese, reduzir etapas burocráticas e melhorar a organização da demanda. Entretanto, o resultado dependerá de detalhes que ainda precisam ser esclarecidos, como custos, cronograma, modelo de governança, interoperabilidade entre sistemas e regras para utilização dos dados. Também será necessário explicar como estados e municípios participariam da implantação, já que o SUS não é administrado exclusivamente pelo governo federal. A discussão, portanto, deverá avançar do campo das ideias para um plano de execução capaz de demonstrar como as medidas seriam financiadas e fiscalizadas.

O principal mérito do debate proposto pelo candidato está em colocar a experiência do cidadão no centro da discussão. Ninguém deseja repetir exames por falta de comunicação entre unidades, enfrentar sucessivos cadastros ou permanecer durante horas tentando conseguir uma consulta. Ao mesmo tempo, um SUS eficiente não depende apenas de aplicativos, bancos de dados ou inteligência artificial. É necessário contar com profissionais, estrutura física, medicamentos, equipamentos, financiamento adequado e gestão eficiente. Por isso, as propostas de Flávio Bolsonaro para mudar o SUS deverão ser analisadas tanto pelo potencial de modernização quanto pela capacidade de resolver problemas concretos da população. Em uma eleição presidencial, a diferença entre uma promessa tecnológica e uma política pública efetiva estará justamente na execução, na transparência e na capacidade de garantir que a inovação chegue também a quem mais precisa do serviço público.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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