Caso Lulinha vem prejudicando a campanha de Lula, segundo avaliação dos próprios petistas

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva entrou em uma fase de maior pressão após novas revelações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. Segundo a Folha de S.Paulo, integrantes do PT avaliam, nos bastidores, que a candidatura do presidente atravessa seu pior momento desde o início da disputa eleitoral de 2026. Diante desse cenário, Lula passou a cobrar maior atuação dos aliados nas ruas e defende uma campanha baseada no contato direto com os eleitores.
A orientação dada pelo presidente ocorre em um momento no qual o caso envolvendo Lulinha passou a ocupar espaço relevante no debate político e a ser explorado pelos adversários. O filho de Lula é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal, relacionados a suspeitas de tráfico de influência e a possíveis negociações envolvendo órgãos do governo federal, acusações que são negadas por sua defesa. Paralelamente, as novas informações sobre Marcola também aumentaram a pressão sobre a campanha petista e contribuíram para o ambiente de preocupação relatado por integrantes do partido.
Apesar da pressão, Lula mantém uma postura pública de confiança na disputa e tem orientado seus aliados a não tratarem a eleição como definida antecipadamente. A estratégia defendida pelo presidente prevê presença nos bairros, mobilização da militância e divulgação de dados considerados positivos sobre sua administração, especialmente na área econômica. Assim, a campanha petista tenta responder ao desgaste provocado pelas novas revelações sem abandonar a estratégia de confronto político com Flávio Bolsonaro.
Lula cobra corpo a corpo enquanto PT enfrenta pressão
De acordo com a Folha de S.Paulo, Lula tem repetido aos aliados que uma eleição não é decidida antecipadamente e que o trabalho territorial será fundamental para conquistar votos. O presidente quer que integrantes do PT e partidos aliados intensifiquem o corpo a corpo, principalmente nos bairros, levando aos eleitores informações sobre resultados que a campanha considera positivos. A orientação demonstra uma tentativa de transformar a mobilização presencial em instrumento para reduzir os efeitos do desgaste provocado pelas notícias envolvendo Lulinha.
A preocupação interna também está relacionada à percepção da economia, apontada por Lula como um dos principais pontos que precisam ser defendidos durante a campanha. O presidente considera que seu governo apresenta resultados positivos nessa área e quer que essas informações sejam utilizadas pelos militantes nas conversas com os eleitores. Dessa maneira, a estratégia petista busca deslocar parte da discussão para indicadores econômicos e para as realizações do governo, em vez de permitir que a eleição seja dominada pelas investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente.
Nos bastidores, entretanto, o ambiente descrito pela reportagem é mais preocupante do que as declarações públicas de confiança feitas pelo presidente. Aliados ouvidos pela Folha sob condição de anonimato avaliaram que as revelações sobre Lulinha e Marcola abalaram o ânimo de militantes e integrantes da coordenação da campanha. O desgaste ainda não aparece de forma proporcional nas pesquisas eleitorais, mas passou a ser considerado um problema político que precisa ser administrado antes do avanço da propaganda eleitoral.
Caso Lulinha aumenta pressão sobre campanha de Lula
As investigações envolvendo Lulinha passaram a ter maior impacto político depois da divulgação de mensagens e informações relacionadas à sua suposta atuação junto à lobista Roberta Luchsinger. Entre as apurações estão suspeitas relacionadas a negociações de medicamentos à base de canabidiol com o Ministério da Saúde e outras possíveis ações de influência junto a estruturas do governo. Lulinha nega irregularidades, enquanto a defesa sustenta que houve uso político das informações e questiona a divulgação de elementos das investigações.
O caso também alcançou pessoas que tiveram ligação direta com a estrutura presidencial, como Marcola, que deixou o governo depois que as suspeitas vieram a público. Segundo informações divulgadas pela Folha, ele é investigado em razão de relações com Roberta Luchsinger e de supostas vantagens que teriam sido oferecidas no contexto das negociações. Marcola nega ter recebido benefícios indevidos e afirma que valores mencionados nas investigações correspondiam a um empréstimo já quitado. A repercussão acontece justamente quando a campanha presidencial começa a entrar em uma etapa decisiva, com a propaganda eleitoral no rádio e na televisão prevista para começar em 28 de agosto.
O PT pretende utilizar seu espaço para apresentar propostas e, ao mesmo tempo, atacar politicamente Flávio Bolsonaro, enquanto o candidato do PL explora as investigações relacionadas a Lulinha como parte de sua estratégia contra Lula. Dessa forma, o tema da corrupção voltou a ocupar espaço relevante na disputa presidencial e passou a ser utilizado pelos dois lados como instrumento de confronto eleitoral.
Pesquisa mostra disputa apertada entre Lula e Flávio
Apesar das preocupações relatadas nos bastidores, a pesquisa Datafolha divulgada nos últimos dias ainda mostra Lula na liderança do primeiro turno, com 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o levantamento aponta 47% para Lula e 43% para Flávio, enquanto outros candidatos aparecem bem atrás na primeira etapa da eleição. O resultado indica que, embora o cenário seja competitivo, as revelações envolvendo Lulinha ainda não produziram uma mudança proporcional na liderança registrada pela pesquisa.
A avaliação negativa do governo, contudo, aumentou, segundo outro levantamento do Datafolha, passando de 38% para 41%, enquanto a aprovação oscilou de 32% para 33%. Nesse contexto, a cobrança de Lula por maior presença dos aliados nas ruas ocorre em uma campanha na qual economia, investigações e confronto com Flávio Bolsonaro deverão dividir espaço na comunicação eleitoral. Portanto, o PT tenta preservar a vantagem nas pesquisas e, ao mesmo tempo, conter um desgaste que integrantes do próprio partido já consideram um dos momentos mais delicados da candidatura à reeleição.



