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Clariana Barão será a única mulher candidata a presidente nas próximas eleições

A desistência do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa da disputa pela Presidência da República provocou uma mudança significativa na estratégia eleitoral do Democracia Cristã (DC). Para manter a candidatura própria nas eleições de 2026, a legenda anunciou a advogada mato-grossense Clariana Barão como seu novo nome para concorrer ao Palácio do Planalto.

A decisão foi divulgada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, e encerra um período de incertezas que havia se instalado dentro do partido desde que Barbosa decidiu retirar seu nome da corrida presidencial. A escolha de Clariana Barão ocorre em um momento decisivo do calendário eleitoral brasileiro, quando as convenções partidárias se aproximam e as legendas precisam definir oficialmente seus candidatos.

Além disso, a mudança representa uma tentativa do Democracia Cristã de preservar sua presença na disputa nacional, mesmo após perder aquele que era considerado seu principal nome para a eleição presidencial. Dessa forma, a legenda busca reorganizar sua estratégia e evitar que a saída de Joaquim Barbosa enfraqueça ainda mais seu projeto político para 2026. Clariana Barão é advogada e presidente do diretório estadual do Democracia Cristã em Mato Grosso.

Com sua indicação, ela passa a integrar a relação de candidatos à Presidência da República e se torna a segunda mulher anunciada para a disputa nacional até o momento. Segundo o presidente nacional do DC, João Caldas, a candidatura pretende ampliar a representação feminina na eleição presidencial. A própria candidata afirmou que deseja representar milhões de mulheres brasileiras em um pleito no qual elas correspondem à maioria do eleitorado do país.

Após desistência de Barbosa, DC anuncia advogada como candidata à Presidência

A definição do novo nome aconteceu depois que Joaquim Barbosa confirmou que não disputaria a Presidência da República. O ex-presidente do STF havia se filiado ao Democracia Cristã em abril e chegou a ser lançado como pré-candidato pela direção nacional da legenda.

Entretanto, desde o início, Barbosa afirmava que somente aceitaria disputar a eleição caso fossem atendidas algumas condições consideradas essenciais, como a construção de alianças políticas, a existência de estrutura nacional de campanha e condições reais de competitividade. Como esses requisitos não foram alcançados, sua candidatura acabou sendo retirada antes mesmo da realização das convenções partidárias.

A desistência também encerrou um processo que gerou grande expectativa dentro do partido. Quando Joaquim Barbosa foi apresentado como pré-candidato, o DC apostava na imagem construída pelo ex-ministro durante sua atuação no Supremo Tribunal Federal, especialmente após ganhar notoriedade como relator do processo do mensalão. A legenda acreditava que sua trajetória ligada ao combate à corrupção e às propostas de reformas no Judiciário poderia ampliar a visibilidade do partido. Contudo, a falta de alianças nacionais, o reduzido tempo de propaganda eleitoral e a limitação da estrutura partidária impediram o avanço desse projeto, levando a direção a buscar uma alternativa para permanecer na disputa presidencial.

Histórico de disputas internas marcou o Democracia Cristã

A substituição de Joaquim Barbosa por Clariana Barão também acontece após meses de conflitos internos no Democracia Cristã. Antes da chegada do ex-ministro do STF, o partido havia anunciado o ex-ministro Aldo Rebelo como pré-candidato à Presidência. Posteriormente, a direção nacional decidiu lançar Barbosa, decisão que provocou forte reação de integrantes da legenda.

O presidente do diretório paulista, Cândido Vaccarezza, criticou publicamente a escolha, enquanto Aldo Rebelo ameaçou recorrer à Justiça caso sua pré-candidatura fosse retirada. O episódio consolidou um racha interno que acompanhou praticamente toda a preparação eleitoral do partido.

Agora, com a confirmação de Clariana Barão como candidata, o Democracia Cristã tenta encerrar esse período de instabilidade e reorganizar sua participação nas eleições de 2026. A convenção nacional da legenda está prevista para oficializar a candidatura nas próximas semanas, enquanto o partido procura concentrar sua campanha em propostas próprias e na ampliação da participação feminina na política.

Embora a sigla possua estrutura reduzida e não tenha direito ao tempo de televisão reservado aos maiores partidos, a direção aposta que a definição do novo nome permitirá iniciar a campanha com maior estabilidade e presença no debate eleitoral nacional.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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