Declaração de Gilberto Kassab durante evento com centenas de empresários causou polêmica

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que os partidos identificados com o Centrão estão alinhados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2026 e fez uma avaliação contundente sobre as possibilidades de Flávio Bolsonaro chegar à Presidência da República. Em declaração feita nesta quinta-feira, 13 de agosto, o dirigente partidário disse considerar “zero” a chance de o candidato do PL ser eleito e afirmou que o senador deverá enfrentar dificuldades quando a campanha eleitoral começar oficialmente. A declaração ocorre às vésperas do início da propaganda eleitoral e coloca em evidência a disputa pelo eleitorado de centro-direita.
Kassab também afirmou que o Centrão está com Lula, indicando uma avaliação de que partidos desse campo político tendem a apoiar o atual presidente em vez de aderir à candidatura de Flávio Bolsonaro. A afirmação foi feita durante um encontro com empresários e ocorreu no momento em que os candidatos se preparam para iniciar oficialmente suas campanhas, a partir de 16 de agosto. Segundo o calendário eleitoral, a partir dessa data passam a ser permitidos comícios, passeatas e outras atividades de campanha.
A avaliação de Kassab, entretanto, representa a posição política do presidente do PSD e não uma previsão oficial sobre o resultado das urnas. Pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias mostram um cenário competitivo, no qual Lula aparece na liderança do primeiro turno e Flávio Bolsonaro ocupa a segunda colocação. No levantamento CNT/MDA divulgado em 11 de agosto, Lula tinha 42,4% das intenções de voto, enquanto Flávio aparecia com 28,7%; em uma simulação de segundo turno, os números eram de 48% para Lula e 39,1% para Flávio.
Kassab diz que Centrão está com Lula
Ao comentar a corrida presidencial, Gilberto Kassab afirmou que os partidos do Centrão já estariam posicionados ao lado de Lula. A declaração ganha importância porque essas legendas possuem presença significativa no Congresso Nacional e tradicionalmente participam de negociações políticas e alianças eleitorais. Dessa forma, o apoio de partidos de centro pode representar uma variável relevante para as candidaturas, principalmente pela estrutura partidária, pelo tempo de propaganda e pela capacidade de articulação nos estados.
O presidente do PSD também relacionou a posição do Centrão ao cenário eleitoral de Ronaldo Caiado, candidato do próprio partido à Presidência. Kassab avaliou que a campanha de Caiado poderá se beneficiar da estrutura partidária e do espaço destinado à propaganda eleitoral. O dirigente ainda declarou que Flávio Bolsonaro não teria enfrentado, até aquele momento, todo o desgaste que poderá surgir com a exposição dos candidatos e dos respectivos grupos políticos durante a campanha.
Flávio Bolsonaro deverá enfrentar disputa pelo eleitorado de direita
Na avaliação apresentada por Kassab, o início efetivo da campanha poderá modificar a percepção dos eleitores sobre Flávio Bolsonaro. O dirigente afirmou que, quando o PT apresentar suas críticas ao candidato do PL e aos grupos que o cercam, o senador sofreria uma queda de desempenho. A declaração foi feita em tom político e deve ser compreendida como uma avaliação de um adversário eleitoral, e não como uma conclusão independente sobre o comportamento futuro do eleitorado.
O cenário atual, contudo, mostra que Flávio Bolsonaro permanece como um dos principais nomes da disputa presidencial. A pesquisa CNT/MDA mais recente indica que o senador aparece em segundo lugar no primeiro turno e, em uma eventual segunda rodada contra Lula, registra 39,1% das intenções de voto. Embora a diferença ainda seja favorável ao atual presidente, ela diminuiu em relação ao levantamento anterior, quando Lula tinha 49,3% e Flávio, 36,8%.
Disputa presidencial entra na fase oficial
A declaração de Kassab acontece justamente no momento em que a eleição de 2026 entra em uma nova etapa. A partir de domingo, 16 de agosto, as campanhas poderão ampliar suas atividades públicas e utilizar os mecanismos previstos pela legislação eleitoral para apresentar propostas aos eleitores. Flávio Bolsonaro programou o início de sua campanha para Copacabana, no Rio de Janeiro, enquanto Lula fará seu primeiro comício em São Bernardo do Campo, cidade ligada à sua trajetória política.
Flávio chega ao início oficial da campanha depois de enfrentar uma crise relacionada à sua filiação partidária. O senador apareceu no sistema eleitoral como filiado ao Missão, embora sua candidatura tenha sido registrada pelo PL, e o Tribunal Superior Eleitoral determinou o restabelecimento de seu vínculo com a legenda. Posteriormente, o TSE suspendeu temporariamente o processamento de novas filiações partidárias após também identificar uma tentativa de alteração envolvendo o presidente Lula. A investigação busca esclarecer a origem das movimentações realizadas no sistema.
O confronto político entre Kassab e Flávio Bolsonaro também ocorre em um ambiente no qual diferentes candidatos tentam ocupar o espaço de centro e de direita. Ronaldo Caiado, candidato do PSD, Romeu Zema, do Novo, e Renan Santos, do Missão, aparecem atrás de Lula e Flávio nas pesquisas recentes, mas disputam parcelas do mesmo eleitorado. Por isso, a capacidade de cada campanha de conquistar votos dos eleitores que ainda não definiram sua escolha poderá ser determinante para a composição do primeiro turno.
A afirmação de que a chance de Flávio Bolsonaro ser eleito seria “zero”, portanto, deve ser entendida dentro do contexto da disputa política e da estratégia eleitoral de Kassab. Os dados disponíveis até o momento não permitem tratar essa avaliação como resultado antecipado da eleição, já que pesquisas apontam Flávio como segundo colocado e mostram uma diferença menor em um eventual segundo turno do que a registrada anteriormente. Com o início oficial da campanha, novas pesquisas, alianças e estratégias de comunicação deverão alterar o cenário até a votação.



