Doação de sangue após tatuagem terá prazo reduzido; veja as novas regras

Doação de sangue após tatuagem terá um prazo de espera menor a partir da entrada em vigor do novo regulamento técnico de hemoterapia no Brasil. As mudanças foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em 3 de julho, e começarão a ser aplicadas em outubro. Além de reduzir o período de impedimento temporário para pessoas que fizeram tatuagem, piercing, maquiagem definitiva ou determinados procedimentos estéticos, a norma atualiza critérios de segurança, rastreabilidade e triagem laboratorial. Entretanto, os novos prazos não significam que todos os candidatos serão automaticamente autorizados a doar. Cada pessoa continuará sendo avaliada individualmente pelos profissionais do hemocentro antes da coleta.
Doação de sangue após tatuagem: qual será o novo prazo?
Pelas novas regras, quem fizer tatuagem poderá doar sangue depois de sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em um estabelecimento que cumpra as normas sanitárias e permita a comprovação das condições de segurança. O mesmo critério poderá ser aplicado a maquiagem definitiva, microagulhamento, preenchimento e aplicação de botox. No entanto, quando não for possível avaliar o local ou confirmar se os materiais foram corretamente esterilizados e descartados, o período de espera será de quatro meses. Anteriormente, o impedimento poderia chegar a 12 meses em situações nas quais não houvesse comprovação da segurança. Dessa forma, a redução do prazo beneficia pessoas que realizam procedimentos em estabelecimentos regularizados, mas mantém a proteção necessária contra infecções que podem ser transmitidas pelo sangue.
Doação de sangue após piercing também terá prazo menor
O período de espera após a colocação de piercing dependerá da região perfurada e das condições sanitárias em que o procedimento foi realizado. Quando o acessório for colocado fora de áreas consideradas de maior risco e houver comprovação de segurança, poderão ser aplicados os novos critérios estabelecidos pelo regulamento. Entretanto, piercings localizados na boca ou na região genital terão uma regra específica. Nesses casos, a doação somente poderá ser realizada quatro meses depois da retirada do acessório. Essas regiões mantêm contato frequente com secreções e podem apresentar maior risco de infecção enquanto o piercing estiver colocado. Portanto, a contagem do prazo começará após sua remoção. Durante a triagem, todas as informações sobre a perfuração deverão ser apresentadas ao profissional responsável pela avaliação.
Endoscopia e procedimentos estéticos terão novas regras
Além da doação de sangue após tatuagem e piercing, outros procedimentos terão períodos de impedimento reduzidos. Para quem realizou endoscopia ou determinadas cirurgias laparoscópicas, por exemplo, o prazo poderá cair de seis para quatro meses. O mesmo período será aplicado às pessoas que utilizaram anabolizantes injetáveis sem prescrição médica. A portaria também estabelece critérios específicos para usuários de canetas injetáveis com medicamentos agonistas de GLP-1. Quem compartilhou o dispositivo de aplicação ficará temporariamente impedido de doar por quatro meses. Entretanto, o uso individual de uma caneta corretamente prescrita não deve ser confundido com o compartilhamento do aplicador. Em qualquer situação, o medicamento utilizado e a forma de aplicação deverão ser informados durante a entrevista realizada pelo hemocentro.
Novos exames aumentam a segurança das transfusões
Entre as principais mudanças técnicas está a adoção obrigatória do NAT Plus, teste desenvolvido por Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz. Além de identificar HIV e os vírus das hepatites B e C, o exame também detecta o parasita responsável pela malária. Com essa ampliação da triagem laboratorial, pessoas que viajaram para áreas endêmicas ou tiveram exposição em regiões de mata, floresta ou bosque poderão permanecer impedidas de doar por 30 dias. Antes, o prazo poderia chegar a 12 meses. Além disso, será utilizado o padrão internacional ISBT 128 para identificar bolsas e amostras de sangue. O sistema permitirá acompanhar o material desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a fabricação de medicamentos, reduzindo riscos de identificação incorreta.
Doadores regulares poderão continuar após os 70 anos
A portaria também elimina a idade máxima para pessoas que já doam regularmente. Atualmente, até mesmo os doadores habituais precisam interromper as doações ao completar 70 anos. Com o novo regulamento, será possível continuar doando depois dessa idade, desde que o candidato esteja saudável, respeite os intervalos definidos para sua faixa etária e seja aprovado na avaliação clínica. A mudança acompanha o envelhecimento da população brasileira e reconhece que idosos em boas condições de saúde podem continuar contribuindo para os estoques. Outra alteração importante envolve os concentrados de plaquetas, cuja validade poderá ser ampliada de cinco para até sete dias quando forem adotadas as medidas de controle de qualidade exigidas. Consequentemente, perdas poderão ser reduzidas e mais pacientes poderão ser atendidos.
Triagem continuará obrigatória para todos os candidatos
Apesar da redução dos prazos, a doação de sangue após tatuagem, piercing ou qualquer outro procedimento continuará condicionada à triagem realizada pelo serviço de hemoterapia. Em geral, o candidato precisa estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar um documento oficial com foto. Adolescentes a partir de 16 anos podem se candidatar mediante autorização do responsável legal. Entretanto, doenças recentes, uso de medicamentos, cirurgias, viagens e diferentes situações de saúde podem provocar impedimento temporário ou definitivo. Por isso, quem pretende doar deve entrar em contato previamente com o hemocentro mais próximo e confirmar os critérios. A decisão final sobre a aptidão será sempre tomada pelos profissionais responsáveis pela coleta, garantindo proteção tanto para o doador quanto para quem receberá o sangue.



