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Documento da PF revela detalhe incomum em empresa ligada ao núcleo de Jaques Wagner

Documento da PF revela detalhe incomum em empresa ligada ao núcleo de Jaques Wagner. Empresa ligada a Wagner dividia sala e contatos com outros 19 CNPJs, aponta investigação da Polícia Federal

Documentos tornados públicos no âmbito das investigações relacionadas ao caso Banco Master revelaram novos detalhes sobre uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner (PT-BA). De acordo com informações reunidas pela Polícia Federal (PF), a empresa BN Representações Tecnológicas compartilhava o mesmo endereço comercial, telefone e endereço de e-mail com outras 19 pessoas jurídicas registradas no mesmo local. Os documentos passaram a ser de conhecimento público após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliando a transparência sobre as apurações em andamento. Dessa forma, as autoridades continuam analisando se essa estrutura possui relação com movimentações financeiras investigadas, enquanto todas as circunstâncias seguem sendo examinadas dentro do devido processo legal.

Empresa ligada a Wagner dividia sala e contatos após mudança de atividade empresarial

Segundo a investigação, a BN Representações Tecnológicas possui como única sócia Bonnie Toaldo Bonilha, esposa de Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador Jaques Wagner e atual secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia. Entretanto, a empresa nem sempre atuou no setor de tecnologia. Constituída em 2019 com o nome Vamos Florir Comércio de Flores, sua atividade inicial estava voltada para a comercialização de plantas ornamentais, decoração e organização de eventos. Posteriormente, em janeiro de 2026, foi promovida uma alteração na razão social da empresa, acompanhada de uma mudança no ramo de atuação e da transferência da sede de Salvador para o município de Igaporã, localizado no interior da Bahia.

Polícia Federal identifica estrutura compartilhada entre diversas empresas

Após a mudança de endereço, os investigadores constataram que o imóvel utilizado como sede da BN Representações reunia outros 20 registros empresariais. Conforme descrito no relatório da Polícia Federal, 19 dessas empresas utilizavam exatamente o mesmo número de telefone e o mesmo endereço eletrônico cadastrados pela BN Representações Tecnológicas. Além disso, durante as diligências, também foi observado que a empresa não apresentava histórico de funcionários formalmente registrados. Outro ponto destacado nas investigações é que 17 das empresas instaladas naquele endereço compartilhavam o mesmo profissional responsável pela contabilidade, identificado como Kilson Moura Lomanto, que também prestava serviços para outra empresa ligada ao mesmo núcleo familiar.

As investigações apontam ainda que a BN Representações integra um conjunto de seis empresas analisadas pela Polícia Federal em razão de seus vínculos societários, comerciais ou familiares com pessoas próximas ao senador Jaques Wagner. Na representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, os investigadores sustentam a hipótese de que uma rede formada por empresas, fundos de investimento e pessoas físicas teria sido utilizada para movimentar recursos sob investigação. Segundo a corporação, essa estrutura é tratada como um complexo conjunto de relações empresariais que permanece sendo analisado para verificar se houve utilização de pessoas jurídicas como intermediárias em operações financeiras. Até o momento, as conclusões definitivas ainda dependem da continuidade das apurações e das decisões do Poder Judiciário.

BN Financeira também aparece entre os alvos das apurações

Outro elemento citado no relatório é a atuação da BN Financeira, empresa igualmente vinculada a Bonnie Toaldo Bonilha e que também passou a integrar as investigações. Conforme a Polícia Federal, essa empresa aparece em cobranças atribuídas a Eduardo Sodré direcionadas a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no Banco Master. Além disso, a BN Financeira figura em operações financeiras que estão sendo analisadas pelos investigadores. Os documentos informam que a empresa foi constituída em 2021 com capital social de R$ 45 mil. No entanto, a Polícia Federal aponta que sua estrutura operacional aparentava ser limitada para justificar a contratação por uma instituição financeira do porte do Banco Master, circunstância que motivou um aprofundamento das investigações.

Segundo o relatório policial, uma das hipóteses consideradas pelos investigadores é que determinados contratos tenham sido utilizados para conferir aparência formal de legalidade a transferências financeiras que continuam sendo analisadas pelas autoridades. Entre as movimentações citadas está um pagamento de R$ 3,5 milhões realizado, em outubro de 2025, pela empresa PKL One Participações, ligada ao núcleo empresarial de Augusto Ferreira Lima, para a BN Financeira. Os investigadores buscam esclarecer a finalidade desses repasses, bem como verificar se os serviços contratados foram efetivamente prestados. Paralelamente, todas essas operações continuam sendo submetidas à análise documental e financeira, respeitando as garantias legais asseguradas aos investigados.

Investigações seguem sob análise do STF e da Polícia Federal

À medida que novos documentos são incorporados ao processo, as investigações relacionadas ao caso Banco Master continuam avançando sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. Enquanto isso, a Polícia Federal prossegue examinando contratos, vínculos empresariais, movimentações financeiras e estruturas societárias que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos. Além da BN Representações Tecnológicas e da BN Financeira, outras empresas e pessoas físicas permanecem sob análise, dentro de um procedimento que ainda está em andamento. Assim, caberá às autoridades competentes avaliar o conjunto das provas reunidas, garantindo o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal antes da definição de qualquer responsabilidade judicial.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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