Eduardo Bolsonaro chama ex-comandante da FAB de ‘banana podre’

Eduardo Bolsonaro reage a ex-comandante da FAB após declaração sobre risco de ruptura institucional
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) voltou a se manifestar sobre os acontecimentos que marcaram o fim do governo de Jair Bolsonaro e as tensões institucionais daquele período. Na noite de quarta-feira (19), ele usou as redes sociais para criticar declarações do ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos de Almeida Baptista Júnior, que afirmou, em entrevista ao portal UOL, que o Brasil esteve muito próximo de uma ruptura institucional. Ao comentar a publicação, Eduardo classificou o ex-comandante como “banana podre” e afirmou que a avaliação apresentada por Baptista Júnior não deveria representar a posição de toda a estrutura militar. A manifestação rapidamente colocou novamente em evidência um dos episódios mais delicados da transição entre os governos Bolsonaro e Lula.
Baptista Júnior comandou a FAB entre 2021 e 2023, período que incluiu os últimos anos da administração de Jair Bolsonaro e a mudança de governo após as eleições de 2022. Na entrevista, o ex-comandante relatou que o cenário político daquele momento ultrapassou as declarações públicas e passou a envolver uma forte tensão entre instituições. Segundo ele, a falta de diálogo e o ambiente de instabilidade fizeram com que o país chegasse a uma situação considerada preocupante. A declaração ganhou repercussão justamente por partir de um integrante da alta cúpula militar que acompanhou de perto as discussões ocorridas nos meses que antecederam a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao reagir ao conteúdo divulgado pelo UOL, Eduardo Bolsonaro afirmou que não seria adequado associar a avaliação de Baptista Júnior à posição dos militares brasileiros de maneira geral. “Não é isso que os brasileiros esperam dos militares, mas também não podemos generalizar toda uma instituição com base na opinião de apenas uma banana podre”, escreveu o ex-deputado na rede social X. A expressão utilizada por Eduardo retomou, ainda, uma disputa pública que já havia envolvido o ex-comandante anteriormente. Em outro momento, o então deputado havia feito críticas à postura de Baptista Júnior diante das discussões ocorridas no final de 2022.
Em entrevista concedida à BBC em maio de 2025, Baptista Júnior já havia relatado que Jair Bolsonaro apresentou aos comandantes das Forças Armadas a possibilidade de adotar um Estado de Defesa para impedir a posse do presidente eleito Lula. De acordo com o ex-comandante da FAB, também teria sido discutida a possibilidade de medidas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Baptista Júnior afirmou que se posicionou contra essas alternativas e que o então comandante do Exército, general Freire Gomes, também não teria concordado com a proposta. As declarações passaram a integrar o conjunto de relatos públicos sobre as discussões realizadas nos bastidores durante a transição de governo.
A posição atribuída aos comandantes das Forças Armadas ganhou ainda mais relevância diante dos acontecimentos registrados em Brasília em 8 de janeiro de 2023, quando grupos invadiram e depredaram prédios dos Três Poderes. O episódio ocorreu poucos dias após a posse de Lula e se tornou um dos principais marcos da crise institucional vivida pelo país naquele período. Jair Bolsonaro foi posteriormente condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por sua participação na trama relacionada à tentativa de ruptura institucional. A decisão e os depoimentos de autoridades que participaram das discussões de 2022 continuam alimentando o debate público sobre o papel das instituições e das Forças Armadas naquele momento.
A nova declaração de Eduardo Bolsonaro também resgata o histórico de críticas direcionadas a Baptista Júnior. Depois que a FAB não aderiu às propostas discutidas no fim de 2022, o então deputado chamou o militar de “tchuchuca do Moraes”, em referência à sua postura diante do ministro do STF. Agora, com a repercussão da entrevista mais recente, o episódio volta ao centro das discussões políticas. As declarações de ambos mostram como as divergências sobre os acontecimentos do período permanecem presentes no debate nacional, especialmente quando envolvem integrantes das Forças Armadas, autoridades dos Três Poderes e os acontecimentos que antecederam a posse presidencial de 2023.



