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Eduardo, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, fez duras críticas sobre declarações recentes

Eduardo Bolsonaro voltou a provocar forte repercussão no cenário político brasileiro ao chamar o ex-comandante da Força Aérea Brasileira, Carlos de Almeida Baptista Júnior, de “banana podre”. A declaração foi publicada nas redes sociais na noite de quarta-feira, 19 de agosto, depois que o militar afirmou que o Brasil esteve muito próximo de uma ruptura institucional no fim do governo de Jair Bolsonaro. O episódio reacende o debate sobre os acontecimentos que antecederam os atos de 8 de janeiro de 2023 e coloca novamente as Forças Armadas no centro da discussão política nacional.

A manifestação de Eduardo ocorreu após uma entrevista concedida por Baptista Júnior ao UOL, na qual o ex-comandante relatou bastidores da crise institucional vivida após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022. Segundo o militar, as tensões entre os Poderes haviam atingido um nível preocupante e existia o temor de que alguma iniciativa pudesse provocar uma ruptura entre setores das Forças Armadas. Além disso, Baptista Júnior afirmou que houve reuniões para discutir alternativas que poderiam impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, embora os comandantes tenham decidido não apoiar uma ruptura da ordem constitucional.

A resposta de Eduardo Bolsonaro foi contundente e buscou desqualificar o relato do ex-comandante da FAB. Para o deputado, a declaração de Baptista Júnior não poderia ser utilizada para representar a posição de todos os militares brasileiros, razão pela qual classificou o ex-chefe da Aeronáutica como uma “banana podre”. O comentário, porém, acontece em um momento especialmente delicado, porque as revelações sobre os bastidores do governo Bolsonaro voltaram a ganhar espaço justamente durante a campanha presidencial de 2026.

Eduardo Bolsonaro reage às revelações do ex-comandante da FAB

Carlos de Almeida Baptista Júnior comandou a Força Aérea Brasileira entre 2021 e 2023, período que incluiu a segunda metade do governo Jair Bolsonaro e a transição para o governo Lula. Em seus relatos mais recentes, o militar afirma que as pressões políticas sobre os comandantes das Forças Armadas foram intensas no fim de 2022 e que havia preocupação com uma possível ruptura dentro das próprias tropas. Na avaliação apresentada por Baptista, a situação era suficientemente grave para que o risco de uma ruptura institucional fosse considerado real.

O ex-comandante também relatou que participou de encontros reservados destinados a discutir a escalada das tensões entre instituições brasileiras. Segundo ele, em agosto de 2022 houve um jantar com a participação dos três comandantes das Forças Armadas, do então procurador-geral da República, Augusto Aras, e do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. O objetivo, conforme seu relato, era alertar para o ambiente de instabilidade e buscar uma redução das tensões antes que a crise chegasse a um ponto de difícil controle.

As declarações ganham ainda mais importância porque Baptista Júnior afirma que, depois das eleições, foram realizadas reuniões nas quais alternativas jurídicas e institucionais chegaram a ser discutidas para impedir a posse de Lula. De acordo com o ex-comandante, não estavam presentes os requisitos necessários para medidas excepcionais como estado de defesa, estado de sítio ou uma operação de Garantia da Lei e da Ordem com aquela finalidade. Por isso, segundo seu relato, os comandantes acabaram mantendo a posição de respeito à legalidade e não aderiram a uma eventual tentativa de ruptura.

8 de janeiro volta ao centro da disputa política

As novas declarações precisam ser entendidas dentro do contexto dos acontecimentos que ocorreram depois da eleição presidencial de 2022. Após a vitória de Lula, manifestações de apoiadores de Bolsonaro foram mantidas em frente a quartéis, enquanto setores mais radicalizados passaram a defender uma intervenção militar para impedir a posse do presidente eleito. Posteriormente, em 8 de janeiro de 2023, milhares de pessoas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, em uma ação que resultou em graves danos ao patrimônio público e em uma ampla investigação judicial.

O próprio Baptista Júnior afirma que os comandantes das Forças Armadas não dispersaram imediatamente os acampamentos diante dos quartéis porque havia preocupação com a possibilidade de confronto e derramamento de sangue. Segundo ele, os militares acreditavam que a mobilização perderia força com o tempo e procuraram evitar uma ação que pudesse provocar uma escalada de violência. Ainda assim, a postura adotada naquele período continua sendo objeto de debate, especialmente porque os ataques de 8 de janeiro demonstraram posteriormente a capacidade de mobilização dos grupos que defendiam uma ruptura institucional.

O tema também voltou a ganhar força porque Baptista Júnior prepara o lançamento do livro “Eu Disse Não: Uma Trincheira Antigolpista”, previsto para setembro. A obra apresenta a versão do ex-comandante sobre as pressões que recebeu durante a crise política e sobre sua decisão de não apoiar uma intervenção destinada a impedir a posse de Lula. Dessa forma, o livro deverá ampliar o debate sobre o papel desempenhado pelos militares no período e poderá ser explorado pelos diferentes grupos políticos durante a campanha presidencial.

O que está por trás do ataque de Eduardo Bolsonaro

A expressão utilizada por Eduardo Bolsonaro revela também uma disputa política sobre a interpretação dos acontecimentos de 2022 e 2023. Ao classificar Baptista Júnior como “banana podre”, o parlamentar procura apresentar o ex-comandante como uma exceção dentro das Forças Armadas e rejeitar a ideia de que os militares, de maneira ampla, tenham considerado apoiar uma ruptura institucional. Essa reação mostra que os relatos do brigadeiro atingem diretamente uma narrativa que ainda possui grande peso entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O episódio, portanto, não deve ser analisado apenas como uma troca de acusações nas redes sociais, mas como parte de uma disputa maior pela memória política do período Bolsonaro. Enquanto Baptista Júnior sustenta que o país esteve muito próximo de uma ruptura e que os comandantes tiveram papel importante para impedir que ela avançasse, Eduardo Bolsonaro tenta enfraquecer essa interpretação e preservar a imagem do grupo político ligado ao pai. Com a eleição de 2026 se aproximando, é provável que o 8 de janeiro, as investigações sobre a tentativa de golpe e o papel das Forças Armadas continuem sendo utilizados como temas centrais na disputa entre os diferentes projetos políticos para o Brasil.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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