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Felipe Camarão, candidato do PT ao governo do Maranhão, acredita que Flávio Dino chegará à Presidência

O candidato do PT ao governo do Maranhão, Felipe Camarão, afirmou que Flávio Dino será presidente da República no futuro, caso isso ocorra conforme seu desejo. A declaração foi feita durante uma entrevista ao Bambaê Podcast, em julho, e ganhou repercussão após ser destacada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, nesta segunda-feira (17). Camarão, que se apresenta como afilhado político do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma avaliação bastante positiva da trajetória política de Dino.

Durante a entrevista, Felipe Camarão relembrou os principais cargos ocupados por Flávio Dino ao longo da carreira e, na sequência, projetou uma possível chegada do ministro ao Palácio do Planalto. O petista afirmou que Dino foi juiz federal, deputado federal, presidente da Embratur, governador do Maranhão por duas vezes, senador, ministro da Justiça e ministro do STF antes de dizer que ele será presidente da República, “se Deus quiser”. A declaração foi apresentada como uma manifestação pessoal de Camarão, sem indicação de que exista atualmente uma candidatura presidencial de Dino.

A fala ocorre em um momento de intensa disputa política no Maranhão, onde Felipe Camarão tenta chegar ao governo estadual nas eleições de 2026. O candidato mantém uma relação política próxima com Flávio Dino e tem utilizado a trajetória do ex-governador como uma das referências de sua campanha. Nesse contexto, a declaração sobre uma possível candidatura presidencial de Dino também reforça a dimensão política da relação entre os dois.

Felipe Camarão projeta Flávio Dino na Presidência

Ao comentar a carreira de Flávio Dino, Felipe Camarão não se limitou a destacar os cargos já ocupados pelo ministro do STF. O candidato do PT também afirmou considerar Dino uma das pessoas mais brilhantes e geniais do país e o classificou como o maior governador da história do Maranhão. Dessa maneira, a avaliação feita pelo petista apresentou o ex-governador como uma liderança que, na sua visão, ainda poderia ocupar o cargo político mais importante do país.

A relação entre Camarão e Dino também foi descrita pelo próprio candidato como determinante para sua trajetória política. Segundo ele, seus conhecimentos na política e as oportunidades que recebeu foram diretamente influenciados pelo atual ministro do STF, a quem chamou de inspiração e professor. O vínculo político entre os dois já havia sido demonstrado publicamente antes, inclusive durante uma aula magna realizada em São Luís, em maio de 2025.

Na ocasião de 2025, Flávio Dino chegou a fazer uma sugestão relacionada a uma possível chapa de Felipe Camarão para o governo do Maranhão. Em tom descontraído, o ministro sugeriu que a professora Teresa Helena Barros fosse escolhida como vice-governadora, afirmando que a composição poderia ser muito competitiva. O episódio foi posteriormente lembrado pelo Metrópoles como mais uma demonstração da proximidade entre os dois políticos.

Flávio Dino já negou intenção de voltar à política

A possibilidade de Flávio Dino disputar novamente um cargo eletivo não é uma novidade no debate político brasileiro. Quando foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal, em 2023, opositores levantaram a hipótese de que o então ministro da Justiça poderia utilizar a Corte como uma etapa para retornar posteriormente à política. Naquele período, porém, Dino negou essa possibilidade e afirmou que não pretendia voltar à vida política depois de assumir uma cadeira no STF.

A situação atual é diferente porque Dino ocupa uma posição no Poder Judiciário que possui regras próprias e não está exercendo mandato eletivo. Por isso, a declaração de Felipe Camarão deve ser compreendida como uma projeção feita pelo candidato maranhense, e não como anúncio de uma intenção eleitoral do ministro. Até o momento, não há indicação apresentada na reportagem de que Dino tenha anunciado uma candidatura à Presidência da República.

A carreira de Dino, contudo, explica por que seu nome continua sendo citado em discussões sobre o futuro da política nacional. Antes de chegar ao STF, ele comandou o Maranhão por dois mandatos, foi eleito senador e ocupou o Ministério da Justiça durante o governo Lula. Atualmente, sua atuação ocorre no Supremo, enquanto seu grupo político permanece envolvido na disputa pelo comando do Maranhão.

Disputa no Maranhão coloca aliados de Dino contra grupo de Brandão

As declarações de Felipe Camarão também precisam ser observadas dentro da disputa eleitoral maranhense de 2026. O candidato do PT rompeu politicamente com o governador Carlos Brandão, que decidiu apoiar o sobrinho Orleans Brandão, do MDB, para a sucessão estadual. Com isso, a antiga base política ligada a Flávio Dino ficou dividida entre diferentes grupos que disputam o Palácio dos Leões.

Nesse cenário, Camarão tem reforçado sua ligação com o ex-governador e incorporado referências à administração de Dino em sua campanha. Seu programa de governo cita Flávio Dino 16 vezes e apresenta propostas relacionadas a políticas implementadas durante os dois mandatos do atual ministro do STF no Maranhão. Assim, a imagem de Dino continua sendo utilizada como referência política na campanha estadual de seu antigo aliado.

A disputa também envolve a tentativa do grupo de Camarão de preservar a influência política construída por Dino no estado. Ao mesmo tempo, Carlos Brandão segue apoiando Orleans Brandão, enquanto Eduardo Braide, do PSD, aparece como outro nome relevante na corrida pelo governo maranhense. Dessa forma, a declaração de que Flávio Dino será presidente da República ocorre paralelamente a uma eleição estadual marcada pela divisão de antigos aliados.

A fala de Felipe Camarão, portanto, projetou Flávio Dino para uma posição que o ministro já afirmou anteriormente não ter intenção de buscar. O comentário foi feito por seu afilhado político em meio à campanha pelo governo do Maranhão e reforçou a relação entre os dois no cenário eleitoral de 2026. Até o momento, porém, a possibilidade de Dino disputar a Presidência permanece apenas como uma previsão apresentada por Camarão, sem anúncio de candidatura feito pelo ministro.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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