Flávio Bolsonaro confirmou que usará a imagem do pai em sua campanha

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira, 18 de agosto, que pretende continuar utilizando a imagem de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2026 até o limite permitido pela legislação. A declaração foi dada em meio à estratégia de manter o ex-presidente como uma das principais referências políticas da candidatura, mesmo sem sua participação presencial nas atividades eleitorais. A informação foi divulgada pelo Metrópoles e ocorre em um momento no qual o uso da imagem de Jair Bolsonaro passou a ser acompanhado com atenção pela Justiça Eleitoral. Flávio afirmou que não pretende abrir mão da associação política com o pai e que qualquer utilização será feita dentro das regras eleitorais.
A estratégia é considerada relevante para uma candidatura que busca preservar a identidade construída pelo bolsonarismo e transferir parte da influência eleitoral de Jair Bolsonaro para seu filho. Dessa forma, fotografias, referências públicas e conteúdos relacionados ao ex-presidente deverão continuar presentes na comunicação da campanha, desde que respeitados os limites estabelecidos pela legislação. A declaração ocorre poucos dias depois do início oficial da campanha presidencial, em 16 de agosto, quando Flávio realizou um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, e utilizou um áudio de Jair Bolsonaro para mobilizar apoiadores. O episódio demonstrou como a imagem e a voz do ex-presidente continuam sendo utilizadas como elementos centrais na comunicação eleitoral de Flávio. Nesse contexto, a afirmação de que pretende usar a imagem do pai até o limite da lei representa uma sinalização clara de que essa estratégia deverá permanecer durante a disputa.
Flávio Bolsonaro pretende manter imagem do pai na campanha
A utilização da imagem de Jair Bolsonaro possui importância política para Flávio porque o ex-presidente continua sendo uma das principais referências do eleitorado de direita e do PL. Mesmo impedido de participar fisicamente de todas as atividades da campanha, Bolsonaro pode aparecer em materiais eleitorais dentro das condições determinadas pelas normas vigentes. Por isso, a equipe de Flávio vem avaliando como explorar essa identificação política sem ultrapassar as restrições impostas pela Justiça Eleitoral.
A discussão ganhou um novo componente com o uso de recursos digitais e inteligência artificial em campanhas eleitorais. Recentemente, a defesa de Flávio apresentou argumentos ao Tribunal Superior Eleitoral em um processo envolvendo um avatar de Jair Bolsonaro utilizado durante uma convenção partidária, defendendo que determinadas formas de uso de IA não deveriam depender da autorização da pessoa retratada. O tema deverá ser analisado pelo TSE, que possui regras específicas para conteúdos sintéticos e deepfakes utilizados no processo eleitoral.
Nesse cenário, a afirmação de Flávio sobre utilizar a imagem do pai até o limite da legislação ganha um significado que vai além de fotografias tradicionais ou aparições em vídeos antigos. O avanço das ferramentas digitais criou novas possibilidades de reprodução da imagem, da voz e da aparência de candidatos e figuras públicas, fazendo com que os limites jurídicos sejam cada vez mais discutidos. Assim, a campanha de Flávio deverá precisar distinguir o uso permitido de materiais de arquivo de conteúdos que possam ser considerados manipulação eleitoral proibida.
Uso da imagem de Jair Bolsonaro será acompanhado pelo TSE
A estratégia adotada por Flávio também está relacionada à situação política de Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar e não possui a mesma liberdade de circulação que teve em campanhas anteriores. Ainda assim, a influência política do ex-presidente permanece presente nos atos do PL e nas mensagens utilizadas para apresentar a candidatura de seu filho. Por essa razão, Flávio procura transformar a ligação familiar e política em um dos principais elementos de sua campanha presidencial.
No primeiro ato oficial de campanha, realizado no Rio de Janeiro, essa estratégia já havia sido demonstrada com a reprodução de uma gravação de Jair Bolsonaro para os apoiadores. O evento também foi marcado por críticas de Flávio ao governo Lula, ao Supremo Tribunal Federal e à situação da segurança pública, reforçando uma comunicação diretamente associada ao discurso político que marcou a trajetória de seu pai. A utilização desses elementos permite que a candidatura seja apresentada ao eleitorado como parte de uma continuidade do projeto político bolsonarista.
Ao mesmo tempo, a legislação eleitoral estabelece limites para a propaganda e para o uso de tecnologias capazes de alterar imagens ou criar representações artificiais de pessoas. O TSE deverá analisar diferentes questões relacionadas à inteligência artificial durante o período eleitoral, especialmente porque conteúdos manipulados podem dificultar a identificação do que é uma gravação real e do que foi produzido digitalmente. Portanto, a promessa de Flávio de chegar ao “limite da legislação” deverá ser acompanhada não apenas politicamente, mas também pelos órgãos responsáveis pela fiscalização eleitoral.
Imagem de Bolsonaro vira peça central na campanha de Flávio
A declaração de Flávio deixa evidente que Jair Bolsonaro continuará ocupando espaço importante na comunicação da candidatura presidencial do filho. A estratégia procura preservar a identificação construída pelo ex-presidente com seus apoiadores e, ao mesmo tempo, apresentar Flávio como o candidato responsável por dar continuidade a esse campo político na eleição de 2026. Na prática, a imagem de Bolsonaro deverá ser utilizada como um dos principais elementos de conexão entre o eleitorado bolsonarista e a candidatura do PL.
O debate, porém, deverá permanecer concentrado nos limites estabelecidos pela legislação eleitoral para esse tipo de utilização. Enquanto imagens reais, registros históricos e declarações antigas podem integrar a comunicação política conforme as regras aplicáveis, conteúdos manipulados digitalmente estão sujeitos a normas específicas e poderão ser questionados judicialmente. Por isso, a campanha de Flávio terá de equilibrar a exploração política da imagem de Jair Bolsonaro com as determinações da Justiça Eleitoral.
A fala de Flávio também mostra que a eleição presidencial de 2026 será marcada pela disputa em torno da transferência de capital político entre lideranças e seus sucessores. Ao anunciar que utilizará a imagem do pai até onde a legislação permitir, o candidato sinaliza que pretende manter Jair Bolsonaro presente na campanha mesmo diante das limitações impostas ao ex-presidente. Dessa maneira, a relação entre os dois deverá continuar sendo um dos principais componentes da estratégia eleitoral do PL durante a disputa pela Presidência.



