Flávio fará seu primeiro evento em um local que ficou famoso pelas manifestações de Bolsonaro

Flávio Bolsonaro escolheu um dos lugares mais simbólicos do bolsonarismo no Rio de Janeiro para iniciar oficialmente sua campanha à Presidência da República. No próximo domingo, 16 de agosto, o senador fará seu primeiro grande ato eleitoral na Praia de Copacabana, espaço que durante os últimos anos foi utilizado diversas vezes por Jair Bolsonaro para reunir apoiadores e transformar manifestações públicas em demonstrações de força política.
A escolha do local não parece ser apenas uma decisão logística. Copacabana foi incorporada ao imaginário político do bolsonarismo depois de sucessivos eventos realizados na região, com bandeiras do Brasil, discursos em carros de som e grandes concentrações de apoiadores. Agora, o mesmo cenário será utilizado por Flávio em uma tentativa de estabelecer uma conexão direta entre sua candidatura e a trajetória política construída pelo pai.
A organização do evento ficará sob responsabilidade da cúpula do PL no Rio de Janeiro, que deverá mobilizar dirigentes, parlamentares, candidatos e militantes para a manifestação. Dessa forma, o primeiro ato de Flávio será realizado em um espaço aberto e de forte apelo simbólico, permitindo que a campanha avalie não apenas a capacidade de mobilização do partido, mas também o tamanho da base que poderá ser levada às ruas no início da disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro escolhe Copacabana para começar a campanha
A Praia de Copacabana ocupa uma posição especial na história recente das manifestações bolsonaristas. O local foi utilizado por Jair Bolsonaro em diferentes momentos de sua trajetória política, inclusive durante o período em que ocupava a Presidência. Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 7 de setembro de 2022, quando apoiadores participaram de uma mobilização na orla durante as comemorações do Bicentenário da Independência.
Depois de deixar o Palácio do Planalto, Bolsonaro voltou a utilizar Copacabana como ponto de encontro com seus apoiadores. Em abril de 2024, uma manifestação teve como uma de suas principais pautas a defesa da liberdade de expressão. Já em março de 2025, outro ato realizado na região foi marcado pela defesa da anistia para condenados pelos ataques de 8 de janeiro. Assim, a escolha de Flávio recupera um modelo de mobilização que se tornou recorrente durante os últimos anos.
Copacabana virou símbolo do bolsonarismo
A dimensão dos atos anteriores ajuda a explicar por que o local foi escolhido para a estreia eleitoral. Em setembro de 2025, uma manifestação realizada em Copacabana reuniu aproximadamente 42 mil pessoas, segundo levantamento do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo. O evento teve entre suas principais bandeiras a defesa da anistia e críticas ao Supremo Tribunal Federal.
O tamanho das mobilizações, contudo, variou conforme o momento político. Em março deste ano, quando Jair Bolsonaro já estava preso, outro ato realizado na região registrou aproximadamente 4,7 mil participantes, de acordo com monitoramento acadêmico. A comparação mostra que a capacidade de mobilização das manifestações bolsonaristas pode oscilar significativamente conforme o contexto e também cria uma expectativa sobre o público que Flávio conseguirá reunir no domingo.
Berço político de Flávio Bolsonaro será palco da estreia
A escolha do Rio de Janeiro também possui uma explicação eleitoral. Foi no estado que Flávio Bolsonaro construiu sua carreira política e consolidou sua base, antes de chegar ao Senado. Por isso, começar a campanha presidencial em território fluminense permite que o senador apresente sua candidatura justamente no estado onde sua família possui uma das estruturas políticas mais tradicionais.
A estratégia, entretanto, não ficará limitada ao Rio. A campanha pretende concentrar aproximadamente 60% da agenda de Flávio na região Sudeste, onde estão São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Juntos, os três estados representam cerca de 39,9% dos eleitores brasileiros, o que transforma a região em uma área fundamental para qualquer candidato que pretenda construir uma campanha presidencial competitiva.
Lula também começa campanha em território simbólico
O caráter simbólico da escolha de Flávio ganha ainda mais destaque porque Lula também decidiu iniciar sua campanha em um local associado diretamente à própria trajetória política. O presidente fará seu primeiro ato no dia 16 de agosto, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, região onde iniciou sua trajetória sindical e ganhou projeção nacional durante as greves dos metalúrgicos.
Dessa maneira, os dois principais nomes da disputa presidencial iniciam a campanha em locais que representam suas respectivas histórias políticas. Enquanto Flávio recorrerá a uma área que se transformou em palco de manifestações de seu pai, Lula retomará um espaço associado às origens do movimento sindical que ajudou a formar sua carreira política. A coincidência reforça o caráter simbólico da abertura da campanha de 2026.
Rio de Janeiro será estratégico para Flávio na eleição de 2026
O desempenho eleitoral no Sudeste será observado com atenção durante a campanha. Levantamentos recentes citados na reportagem mostram uma disputa apertada entre Lula e Flávio em São Paulo e no Rio de Janeiro, enquanto Minas Gerais apresenta um cenário diferente. Esses números ainda podem sofrer alterações ao longo da campanha, mas ajudam a explicar por que o PL pretende concentrar esforços na região.
No Rio de Janeiro, a comparação com 2022 também será inevitável. Naquele ano, Jair Bolsonaro recebeu 56,53% dos votos válidos no segundo turno no estado, contra 43,47% de Lula. Flávio agora tenta preservar parte dessa vantagem eleitoral construída pelo pai, mas encontra uma configuração política diferente daquela existente quatro anos atrás.
Campanha terá desafio maior no estado
Um dos obstáculos está justamente na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Em 2022, Jair Bolsonaro contou com o apoio de Cláudio Castro, do PL, que acabou sendo reeleito ainda no primeiro turno. Para 2026, porém, o cenário apresenta outra configuração, com Douglas Ruas como candidato do PL ao governo estadual, em uma chapa própria e sem alianças.
Ao mesmo tempo, o ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, inicia a disputa em uma posição considerada favorável nas articulações estaduais. Isso significa que Flávio não terá necessariamente a mesma estrutura política que esteve à disposição de seu pai na eleição anterior. Por essa razão, a manifestação de Copacabana também poderá ser observada como um primeiro teste da capacidade do PL de mobilizar sua base no Rio.
A estreia na Praia de Copacabana, portanto, reúne política, simbolismo e estratégia eleitoral. Flávio Bolsonaro pretende começar a campanha em um território diretamente associado ao bolsonarismo e recuperar o formato de grandes atos que marcou a trajetória recente de Jair Bolsonaro. O evento de domingo poderá mostrar qual é o tamanho da mobilização em torno do senador e, principalmente, se a força política construída pelo pai consegue ser transferida para o filho no início da corrida pelo Palácio do Planalto.




