Lula desceu e Flávio Bolsonaro subiu na última pesquisa revelada pela Quaest

O PT vê efeito Lulinha em pesquisa divulgada às vésperas do início oficial da campanha eleitoral de 2026. O levantamento Genial Quaest, divulgado na sexta-feira (14), mostrou uma redução da vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. O presidente aparece com 43% das intenções de voto, enquanto o senador registra 40%, resultado que colocou os dois em situação de empate técnico dentro da margem de erro.
A movimentação chamou atenção dentro do Partido dos Trabalhadores porque ocorreu justamente em um período de forte exposição negativa envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O filho do presidente passou a ser alvo de três inquéritos da Polícia Federal por suspeitas relacionadas a tráfico de influência no governo, enquanto também ganharam repercussão informações sobre um depósito recebido pelo ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, de uma empresária apontada como amiga de Lulinha. As investigações, contudo, ainda não significam condenação ou comprovação das suspeitas.
Do outro lado, o resultado foi recebido com satisfação pelo núcleo de campanha de Flávio Bolsonaro. Embora a diferença de três pontos ainda mantenha Lula numericamente à frente, a leitura dos aliados do senador é de que a aproximação entre os dois candidatos representa uma recuperação importante para o candidato do PL, especialmente na véspera do início oficial da campanha, marcado para este domingo (16). A disputa, portanto, chega à largada eleitoral em um cenário mais competitivo do que indicavam levantamentos anteriores.
PT vê efeito Lulinha e acende alerta na campanha de Lula
A avaliação de integrantes do PT é de que a oscilação negativa de Lula pode ter alguma relação com o noticiário envolvendo Lulinha e outros episódios recentes que atingiram o entorno do governo. Na pesquisa anterior da Quaest, realizada em 5 de agosto, Lula tinha 44%, enquanto Flávio registrava 39%. Agora, os dois candidatos mudaram um ponto em direções opostas, fazendo com que a diferença caísse de cinco para três pontos percentuais.
Apesar da preocupação, dirigentes petistas ouvidos pela CNN Brasil evitam considerar os números como sinal definitivo de queda do presidente. A interpretação predominante é de que as oscilações continuam dentro da margem de erro e que Lula permanece em posição competitiva. Ainda assim, o resultado passou a ser acompanhado com atenção porque a campanha começa oficialmente neste domingo, quando os candidatos poderão intensificar a apresentação de propostas e os ataques aos adversários.
Investigação sobre Lulinha ganha espaço no debate eleitoral
O nome de Lulinha passou a aparecer com maior frequência no debate político depois que investigações da Polícia Federal atingiram o filho do presidente. A situação passou a ser explorada politicamente pelos adversários de Lula, enquanto integrantes do PT procuram evitar que o caso seja transformado em um fator determinante para a avaliação do governo. Paralelamente, aliados do presidente sustentam que eventuais suspeitas devem ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pelas investigações.
A preocupação eleitoral ocorre porque pesquisas também apontam índices elevados de rejeição aos principais candidatos. Em levantamento da Quaest divulgado no mesmo período, 54% dos entrevistados disseram que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 52% fizeram a mesma afirmação em relação a Lula. Dessa forma, a capacidade de cada candidato ampliar seu eleitorado para além de sua base tradicional poderá ser decisiva na campanha.
Flávio Bolsonaro comemora recuperação antes da campanha
No QG de Flávio Bolsonaro, a aproximação registrada pela Quaest foi interpretada de maneira positiva. A equipe do candidato considera relevante o fato de ele ter avançado de 39% para 40% enquanto Lula recuou de 44% para 43%. Embora a diferença ainda esteja dentro da margem de erro, a evolução foi suficiente para alimentar a percepção de que a disputa poderá ser mais equilibrada durante a campanha.
A reação também acontece depois de um período complicado para o candidato do PL, marcado pela repercussão do caso envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme “Dark Horse”. O episódio passou a ser utilizado pelos adversários para questionar a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, controlador do banco. O PT deverá explorar esse assunto durante a campanha, assim como o grupo de Flávio deverá utilizar as investigações envolvendo pessoas próximas ao governo Lula para atacar o adversário.
Campanha começa com dois candidatos próximos
A redução da distância entre Lula e Flávio modifica o ambiente da eleição às vésperas do início oficial da disputa. Em outro levantamento recente, realizado pela BTG/Nexus, Lula apareceu com 40% no primeiro turno contra 35% de Flávio e, no segundo turno, os dois também ficaram tecnicamente empatados, com 47% e 44%, respectivamente. Os números mostram que diferentes pesquisas recentes vêm identificando uma disputa competitiva entre os dois principais nomes.
Ainda assim, Lula mantém algumas vantagens importantes. Na própria pesquisa Quaest, 56% dos entrevistados afirmaram acreditar que o petista vencerá a eleição, percentual superior aos 43% que declararam intenção de votar nele. Esse dado indica que parte do eleitorado pode considerar Lula favorito mesmo sem necessariamente declarar voto no presidente neste momento. Portanto, o início da campanha deverá ser marcado por uma disputa intensa pela consolidação das candidaturas.
Pesquisa aumenta pressão sobre Lula e Flávio
O novo levantamento coloca os dois candidatos diante de desafios diferentes. Para Lula, será necessário preservar a liderança e impedir que problemas envolvendo integrantes de sua família e de seu governo contaminem sua campanha. Para Flávio, a tarefa será transformar a aproximação registrada nas pesquisas em crescimento consistente, conquistando eleitores que ainda não estão identificados com o bolsonarismo.
Nesse contexto, o chamado efeito Lulinha em pesquisa passou a ser uma das leituras políticas feitas pelo PT sobre o novo levantamento, mas ainda não pode ser tratado como uma explicação comprovada para a oscilação eleitoral. Ao mesmo tempo, a recuperação de Flávio também não permite afirmar que a liderança de Lula esteja definitivamente ameaçada. Com a campanha começando oficialmente neste domingo, novos debates, propagandas e acontecimentos deverão influenciar a percepção dos eleitores. Assim, a principal conclusão da pesquisa é que a distância entre Lula e Flávio diminuiu e que a eleição de 2026 entra em sua fase decisiva com os dois candidatos mais próximos na corrida pelo Palácio do Planalto.



