MDB oficializa candidatos ao Senado e mantém neutralidade na disputa presidencial em Minas

O MDB oficializa candidatos ao Senado em Minas Gerais e confirma que não apoiará nenhum nome à Presidência da República durante o primeiro turno das eleições de 2026. Os escolhidos pela legenda foram Manoel Carvalho, vice-prefeito de Muriaé, município localizado na Zona da Mata, e Arcanjo Pimenta, presidente do MDB Afro. Além disso, o partido apresentou os respectivos suplentes e reforçou a composição da chapa encabeçada por Gabriel Azevedo na corrida pelo Governo de Minas. A estratégia demonstra que a sigla pretende concentrar sua campanha em pautas estaduais, mantendo distância das principais candidaturas nacionais.
MDB oficializa candidatos ao Senado em chapa própria
O anúncio dos dois candidatos foi realizado pelo MDB de Minas Gerais na quinta-feira, 13 de agosto. Manoel Carvalho terá Kelvin Faria e Ivanise Castro como integrantes de sua chapa de suplentes. Já Arcanjo Pimenta contará com Placidino Stábile e Nena Marquese. A composição foi registrada como parte do projeto eleitoral estadual conduzido pela legenda para disputar os principais cargos em Minas Gerais.
Nas eleições de 2026, duas vagas de cada estado serão renovadas no Senado Federal. Por esse motivo, os eleitores mineiros poderão votar em dois candidatos diferentes. Cada concorrente ao cargo é acompanhado por dois suplentes, que poderão assumir o mandato em situações de afastamento, licença, renúncia ou falecimento do titular. Portanto, embora os suplentes recebam menor exposição durante a campanha, eles também exercem uma função relevante na composição das chapas.
Manoel Carvalho apresenta propostas para o STF e o setor rural
Vice-prefeito de Muriaé, Manoel Carvalho afirmou que pretende utilizar o Senado para discutir mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal. Uma das propostas defendidas pelo candidato é a criação de um mandato com duração máxima de 12 anos para os ministros da Corte. Atualmente, os integrantes do STF permanecem no cargo até atingirem a idade da aposentadoria compulsória, que é de 75 anos, salvo se deixarem a função antes desse limite.
A mudança sugerida dependeria da aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição, já que as regras sobre a composição e o funcionamento do Supremo estão previstas no texto constitucional. Além disso, a alteração exigiria apoio qualificado tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados. Dessa forma, não poderia ser implementada por decisão individual de um senador. Segundo Carvalho, o modelo alemão, no qual o período de permanência é limitado, poderia servir de referência para o debate brasileiro.
Candidato também quer discutir dívida de Minas e apoio ao agro
Outra pauta apresentada por Manoel Carvalho foi a revisão do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, conhecido como Propag. O mecanismo foi criado para renegociar os débitos estaduais com a União e estabelecer alternativas de pagamento. Em Minas Gerais, a dívida pública permanece como um dos principais desafios fiscais, pois compromete a capacidade de investimento do governo em áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Carvalho também defendeu maior integração entre instituições que atuam no desenvolvimento do setor rural. Entre as entidades mencionadas estão a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Conforme a proposta, a cooperação poderia aprimorar a pesquisa, a assistência técnica e a transferência de conhecimento aos produtores.
Arcanjo Pimenta destaca representação da população negra
O segundo candidato anunciado pelo MDB, Arcanjo Pimenta, possui uma trajetória ligada ao movimento negro e às discussões sobre igualdade racial dentro da legenda. Como presidente do MDB Afro, ele afirmou que pretende representar no Senado a população negra de Minas Gerais. Segundo Pimenta, sua candidatura adquire relevância por ampliar a presença desse grupo social em uma disputa majoritária.
Durante o anúncio, Arcanjo se apresentou como o único candidato negro ao Senado em Minas Gerais naquela configuração da corrida eleitoral. A afirmação foi utilizada para destacar a desigualdade de representação política e os efeitos do racismo estrutural. Entretanto, a lista definitiva de candidatos dependerá da validação dos registros pela Justiça Eleitoral, e eventuais mudanças ainda poderão ocorrer conforme o calendário oficial.
Combate ao racismo deverá ocupar espaço na campanha
Pimenta argumentou que a população negra representa a maioria dos brasileiros, mas permanece sub-representada nos espaços de poder. Por esse motivo, pretende incluir o enfrentamento ao racismo e a ampliação da igualdade de oportunidades entre as prioridades de sua campanha. Caso seja eleito, poderá participar da elaboração de leis, da fiscalização do governo federal e da análise de políticas públicas relacionadas ao tema.
O Senado possui competências importantes que afetam diretamente a sociedade. Além de votar projetos e propostas de alteração constitucional, os senadores analisam indicações para tribunais superiores, autorizam determinadas operações financeiras e participam de processos de responsabilidade de autoridades. Dessa maneira, a presença de representantes com diferentes trajetórias sociais pode influenciar a diversidade dos debates conduzidos pela Casa.
Gabriel Azevedo lidera chapa do MDB ao Governo de Minas
A candidatura do MDB ao Governo de Minas Gerais será liderada por Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte. A chapa terá como candidata a vice-governadora Maria Helena, vereadora de Montes Claros, no Norte do estado. Assim, o partido busca apresentar uma composição que reúna representantes de diferentes regiões mineiras.
O presidente estadual da legenda, deputado federal Newton Cardoso Júnior, afirmou que a chapa foi construída com diversidade e capilaridade. Segundo ele, candidatos de diferentes áreas e municípios foram reunidos para ampliar a representação territorial do MDB. Além disso, a direção partidária ressaltou a participação feminina nas listas proporcionais destinadas às disputas pela Câmara dos Deputados e pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Partido afirma ter superado número mínimo de candidaturas femininas
Conforme Newton Cardoso Júnior, o MDB apresentou 54 candidatos e candidatas a deputado federal. O dirigente destacou que a quantidade de mulheres na lista teria superado o mínimo necessário para cumprir a legislação eleitoral. Na avaliação dele, a presença feminina não deveria ser tratada apenas como uma obrigação legal, mas como parte de uma estratégia de valorização de candidaturas consideradas competitivas.
A legislação exige que os partidos respeitem um percentual mínimo de candidaturas de cada gênero nas eleições proporcionais. Além do registro formal, os recursos de campanha e o tempo de propaganda precisam ser distribuídos de acordo com as regras eleitorais. Portanto, a participação efetiva das candidatas dependerá não somente da inclusão dos nomes na lista, mas também das condições oferecidas para que possam realizar suas campanhas.
MDB mineiro manterá neutralidade na eleição presidencial
Embora tenha apresentado candidaturas próprias em Minas Gerais, o MDB não lançou um nome à Presidência da República. Nacionalmente, a legenda decidiu permanecer neutra, mas concedeu autonomia para que os diretórios estaduais avaliassem possíveis alianças. Em Minas, contudo, a direção confirmou que seguirá o posicionamento nacional e não apoiará nenhum candidato ao Palácio do Planalto no primeiro turno.
Newton Cardoso Júnior afirmou que a neutralidade não deve ser interpretada como falta de posicionamento. Segundo o deputado, as candidaturas presidenciais atualmente colocadas nos extremos do espectro político não representariam os interesses do eleitorado mineiro. Por isso, o partido pretende direcionar sua comunicação para os problemas específicos de Minas Gerais e evitar que decisões tomadas por lideranças nacionais interfiram na campanha estadual.
Possível apoio no segundo turno permanece em aberto
Apesar da neutralidade anunciada para a primeira etapa da eleição, o MDB mineiro não descartou uma manifestação no segundo turno. Questionado sobre essa possibilidade, Newton Cardoso Júnior preferiu não antecipar uma decisão. Consequentemente, um eventual apoio poderá depender dos candidatos classificados, das negociações partidárias e das propostas apresentadas para Minas Gerais.
A postura oferece liberdade para que o MDB dialogue com diferentes campos políticos depois da primeira votação. Por outro lado, a neutralidade poderá ser questionada internamente caso dirigentes, candidatos ou grupos da legenda manifestem preferências individuais. Portanto, a direção terá de administrar possíveis divergências sem comprometer a campanha de Gabriel Azevedo e dos candidatos ao Senado.
Estratégia busca fortalecer debate estadual
O MDB oficializa candidatos ao Senado em uma tentativa de consolidar um projeto próprio para Minas Gerais. Manoel Carvalho deverá concentrar sua campanha em temas como agronegócio, dívida estadual e mudanças nas regras do STF. Arcanjo Pimenta, por sua vez, pretende priorizar a representação negra e o enfrentamento ao racismo estrutural. Embora pertençam à mesma legenda, os dois candidatos apresentam trajetórias e bandeiras diferentes.
Por fim, a neutralidade presidencial permite que o MDB mineiro mantenha sua campanha afastada da polarização nacional durante o primeiro turno. Entretanto, a eficácia dessa estratégia dependerá da capacidade do partido de apresentar propostas competitivas e conquistar visibilidade em uma eleição marcada pela influência de lideranças nacionais. Aos eleitores, caberá analisar os projetos, conhecer os suplentes e avaliar se os candidatos possuem condições políticas e técnicas para representar Minas Gerais no Senado Federal.



