Moro, candidato ao Governo do Paraná, admitiu divergências com Jair Bolsonaro

Sergio Moro admitiu divergências com Jair Bolsonaro ao comentar sua trajetória política e a relação que manteve com o ex-presidente. A declaração foi dada durante uma sabatina realizada pelo UOL e pela Folha de S.Paulo, em meio à campanha eleitoral de 2026, quando Moro disputa o governo do Paraná pelo Partido Liberal. O senador também aproveitou a entrevista para elogiar o governador Ratinho Junior, seu adversário político no estado, e apresentar novas críticas ao Supremo Tribunal Federal.
A fala chama atenção principalmente pela mudança no cenário político envolvendo Moro e Bolsonaro. O senador foi ministro da Justiça durante o governo Bolsonaro, mas deixou o cargo em 2020 após uma ruptura pública com o então presidente, episódio que provocou forte repercussão nacional. Anos depois, os dois voltaram a integrar o mesmo campo político, com Moro filiado ao PL e candidato ao governo paranaense, enquanto Jair Bolsonaro permanece como uma das principais referências eleitorais da direita brasileira.
Durante a sabatina, Moro procurou apresentar uma posição que combina a aproximação atual com o grupo político de Bolsonaro e o reconhecimento de que existiram conflitos no passado. Ao mesmo tempo, o senador destacou características positivas de Ratinho Junior, governador que pertence a outro partido e cujo grupo político está envolvido na disputa pelo governo do Paraná. A estratégia mostra como a eleição estadual reúne antigas alianças, divergências e interesses eleitorais que podem mudar conforme o cenário de 2026.
Moro admite divergências com Jair Bolsonaro
Ao falar sobre sua relação com Jair Bolsonaro, Sergio Moro reconheceu que houve divergências entre os dois durante o período em que ocupou o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A ruptura entre ambos ocorreu em 2020, quando Moro deixou o governo e fez acusações contra o então presidente, principalmente relacionadas à condução do Ministério da Justiça e à Polícia Federal. O episódio provocou uma das principais crises políticas do governo Bolsonaro.
Agora, porém, Moro está novamente no mesmo partido de Jair Bolsonaro e disputa o governo do Paraná com apoio do PL. A reaproximação mostra uma mudança significativa em relação ao período em que o senador deixou o governo. Segundo o UOL, durante a sabatina, Moro reconheceu as diferenças existentes, mas tratou a relação atual dentro do contexto político e eleitoral de 2026, quando a direita busca organizar suas forças para enfrentar o grupo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Moro elogia Ratinho Junior mesmo sendo adversário
Um dos pontos que mais chamaram atenção na entrevista foi a avaliação positiva feita por Moro sobre Ratinho Junior. O governador do Paraná é adversário político do senador na disputa estadual, mas recebeu elogios relacionados à sua administração. A manifestação ocorre em um momento no qual o grupo de Ratinho Junior possui projeto próprio para o estado e busca manter influência política no Paraná.
O elogio também possui importância porque Moro tenta construir uma candidatura competitiva para o governo estadual em uma eleição marcada pela presença de diferentes nomes da direita. Ao reconhecer aspectos positivos da administração de Ratinho Junior, o senador evita adotar uma postura de confronto absoluto com o atual governador. Dessa maneira, sua estratégia pode ser interpretada como uma tentativa de separar críticas eleitorais da avaliação sobre determinadas políticas adotadas durante a atual gestão.
Sergio Moro volta a criticar o STF
Durante a sabatina, Sergio Moro também direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal. O senador mantém há anos uma postura crítica em relação a decisões da Corte e voltou a defender mudanças na atuação do Judiciário, tema que ocupa espaço importante no discurso de setores da direita brasileira. A posição também se relaciona com a avaliação de Moro sobre os limites de atuação das instituições e o equilíbrio entre os Poderes.
A crítica ao STF ocorre em um contexto nacional de forte disputa política em torno das decisões do Supremo. Diferentes integrantes da direita passaram a defender alterações na forma de funcionamento da Corte, enquanto seus críticos afirmam que ataques ao tribunal podem representar riscos para o equilíbrio institucional. Nesse cenário, Moro procura manter uma posição própria, conciliando sua experiência como ex-juiz federal com sua atuação atual como senador e candidato ao governo do Paraná.
A entrevista também mostrou como a campanha de 2026 está reorganizando relações políticas que, até pouco tempo atrás, pareciam difíceis de conciliar. Moro voltou ao mesmo partido de Bolsonaro depois de anos de críticas ao ex-presidente, enquanto, no Paraná, elogia Ratinho Junior apesar de disputar diretamente o mesmo cargo. As declarações indicam que o cenário eleitoral está sendo marcado por alianças construídas a partir das circunstâncias atuais, sem apagar completamente as divergências que fizeram parte da trajetória política dos envolvidos.
A candidatura de Sergio Moro ao governo do Paraná ainda deverá ser acompanhada de perto porque reúne diferentes interesses da direita no estado. Ao admitir divergências com Bolsonaro, elogiar Ratinho Junior e criticar o STF, o senador apresentou durante a sabatina uma posição que procura dialogar com diferentes setores do eleitorado. Assim, suas declarações ajudam a compreender não apenas sua estratégia para a eleição estadual, mas também os movimentos da direita brasileira na disputa nacional de 2026.




