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Motorista de Fernando Haddad enviou mensagens falando sobre a suposta perseguição por PMs

O WhatsApp de motorista de Haddad trouxe novos detalhes sobre um episódio que passou a chamar atenção no cenário político de São Paulo e envolve a atuação de uma viatura da Polícia Militar. Segundo reportagem de Ramiro Brites e Vinicius Passarelli, publicada pelo Metrópoles neste sábado (15), mensagens enviadas pelo motorista a um advogado registram, praticamente em tempo real, o relato de que ele teria sido seguido por policiais depois de deixar Fernando Haddad em sua residência, na zona sul da capital paulista. O episódio ocorreu na noite de terça-feira (11), após o candidato do PT ao governo paulista participar de uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

De acordo com as mensagens obtidas pelo Metrópoles, o motorista primeiro comunicou ao advogado que havia chegado em casa e que estava tudo bem. Cerca de uma hora depois, porém, ele voltou a entrar em contato para informar que teria sido seguido por uma viatura da Polícia Militar. Conforme o relato apresentado na conversa, a situação teria começado quando Haddad ainda estava no veículo, diante de sua residência, no bairro do Planalto Paulista. O motorista afirmou que policiais teriam utilizado uma lanterna para verificar quem estava dentro do automóvel. Na sequência, depois que Haddad entrou em casa, o funcionário percebeu que a mesma viatura permanecia nas proximidades e passou a acompanhá-lo.

Motorista diz ter tentado despistar a viatura

Ainda segundo o WhatsApp de motorista de Haddad, o profissional afirmou que percebeu a presença da viatura quando deixou a região da residência do candidato e acessou a Avenida 23 de Maio. Posteriormente, ele teria parado em um posto de combustível, onde, segundo sua versão, os policiais também teriam parado e permanecido observando o veículo. Diante da situação, o motorista contou que decidiu entrar no estacionamento de um hotel para tentar descobrir se estava realmente sendo acompanhado. Nas mensagens, ele relatou que permaneceu circulando por ruas internas durante aproximadamente 40 minutos antes de estacionar. O episódio teria provocado apreensão no funcionário, que chegou a escrever que estava com medo e que não sabia exatamente o motivo da movimentação policial.

O relato ganhou relevância porque surgiu em meio à disputa eleitoral pelo governo de São Paulo, na qual Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito da capital, enfrenta o governador Tarcísio de Freitas, que busca a reeleição. Por isso, a suspeita de que um veículo ligado à campanha petista tenha sido acompanhado por uma viatura passou a ser tratada com atenção tanto pela equipe de Haddad quanto pelo governo estadual. Até o momento, entretanto, não foi comprovado que a ação policial tenha ocorrido por motivação política. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que imagens de dezenas de câmeras foram analisadas e que, segundo a apuração oficial divulgada até agora, não foram identificados indícios de abordagem irregular ou de contato entre os policiais e o motorista.

Governo de Tarcísio determina apuração sobre atuação da PM

A repercussão do caso levou o governo de Tarcísio de Freitas a determinar que a Polícia Militar identificasse as equipes que estavam atuando na região durante o período informado pela campanha de Haddad. O secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, entrou em contato com o candidato petista para buscar informações sobre o trajeto e os horários envolvidos. O próprio governador afirmou que qualquer eventual desvio de conduta deveria ser investigado. Ao mesmo tempo, uma versão preliminar apresentada pela segurança pública indicou que os policiais poderiam estar envolvidos em uma ocorrência na região, sem relação específica com a residência de Haddad ou com sua candidatura. A apuração, portanto, passou a ser conduzida para esclarecer se houve apenas uma coincidência ou uma atuação direcionada.

Imagens e relatos apresentam versões diferentes

Um dos principais pontos da investigação está nas imagens de câmeras de segurança que foram analisadas pelas autoridades e também divulgadas pelo governo estadual. Uma gravação mostra uma viatura passando diante do local onde o motorista estava, mas, segundo a Secretaria da Segurança Pública, o material não demonstra uma abordagem formal nem comprova irregularidade policial. Por outro lado, a campanha de Haddad sustenta que o comportamento observado pelo motorista foi suficientemente incomum para gerar preocupação e solicitou esclarecimentos sobre a identificação dos agentes e da viatura. Dessa maneira, o caso permanece marcado por versões diferentes: de um lado está o relato registrado no WhatsApp de motorista de Haddad; de outro, está a análise oficial das imagens disponíveis até agora.

O episódio também ganhou uma dimensão eleitoral porque ocorre em um momento no qual segurança pública, atuação policial e relação entre governo e forças de segurança estão entre os temas centrais da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Haddad deverá utilizar a campanha para apresentar propostas e críticas à atual administração, enquanto Tarcísio tenta defender os resultados de sua gestão e buscar um novo mandato. Nesse contexto, qualquer ocorrência envolvendo um candidato e agentes públicos pode adquirir grande repercussão política, embora as circunstâncias precisem ser esclarecidas antes de conclusões definitivas serem apresentadas. A equipe de Haddad manteve a cobrança por investigação, enquanto o governo estadual afirmou que eventuais irregularidades serão apuradas.

O caso do WhatsApp de motorista de Haddad, portanto, ainda não possui uma conclusão definitiva sobre a motivação da presença da viatura ou sobre eventual irregularidade cometida pelos policiais. O que está documentado até agora é que o motorista relatou por mensagens ter percebido um acompanhamento policial, demonstrou preocupação e procurou orientação depois de deixar Haddad em casa. Paralelamente, a Secretaria da Segurança Pública informou que analisou imagens de aproximadamente 70 câmeras e não encontrou, na apuração divulgada, evidências de abordagem ou irregularidade no percurso analisado. Além disso, o Ministério Público Eleitoral passou a solicitar explicações sobre a atuação policial. Assim, novas informações poderão ser determinantes para esclarecer se houve uma abordagem inadequada, uma ação policial sem relação com o candidato ou simplesmente uma coincidência interpretada de maneira diferente pelas pessoas envolvidas.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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