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MPSP pede a manutenção da prisão preventiva de todos os réus investigados na Operação Vérnix

O Ministério Público de São Paulo apontou Deolane Bezerra como uma das principais integrantes do núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital, o PCC, em um documento apresentado à Justiça. A influenciadora e advogada foi descrita pela Promotoria como o “verdadeiro caixa” da organização criminosa, segundo informações divulgadas pelo Metrópoles. A acusação surge no momento em que o MP pediu a manutenção da prisão preventiva dos réus da Operação Vérnix, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção.

De acordo com o Ministério Público, Deolane teria utilizado contas pessoais e empresas ligadas a ela para ocultar e dissimular valores que, segundo os investigadores, teriam origem ilícita. O órgão também sustenta que recursos teriam sido convertidos em bens de alto valor econômico, dificultando o rastreamento da origem do patrimônio. Essas conclusões ainda fazem parte de uma acusação em processo criminal e, portanto, não representam uma condenação definitiva da influenciadora.

A nova manifestação do MP ocorre meses depois da deflagração da Operação Vérnix, realizada em maio deste ano em São Paulo. Na ocasião, Deolane foi presa em Alphaville, na Grande São Paulo, enquanto também foram cumpridos mandados contra integrantes da família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como líder do PCC. A investigação passou a analisar possíveis caminhos utilizados para movimentar dinheiro atribuído à facção por meio de empresas e terceiros.

MP aponta Deolane como peça central do núcleo financeiro do PCC

Segundo o documento apresentado pelo Ministério Público, a estrutura investigada teria sido dividida em três núcleos com funções distintas. O núcleo decisório seria formado por Marcola e seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, enquanto o núcleo operacional teria a participação de Everton de Souza, conhecido como Player, e Paloma Sanches Herbas Camacho. Já o núcleo financeiro teria Deolane e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola.

A descrição feita pela Promotoria coloca Deolane em uma posição considerada estratégica dentro da estrutura investigada. Segundo o MP, caberia a ela participar da ocultação e da dissimulação de valores, utilizando estruturas financeiras próprias e empresariais para movimentar recursos que seriam de interesse da organização criminosa. Dessa forma, a influenciadora passou a ser tratada pela acusação não apenas como alguém que teria recebido valores suspeitos, mas como uma possível integrante de uma engrenagem financeira mais ampla.

A investigação financeira identificou dezenas de transferências consideradas suspeitas para contas ligadas a Deolane entre 2018 e 2021. Conforme o Ministério Público, os repasses foram realizados de maneira fracionada e, somados, chegaram perto de R$ 700 mil, circunstância que passou a ser examinada como possível mecanismo de ocultação financeira. Paralelamente, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões em contas relacionadas à influenciadora, enquanto 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões, foram apreendidos.

Operação Vérnix investiga suposta lavagem de dinheiro

A Operação Vérnix foi deflagrada em 21 de maio pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC. A apuração alcançou Deolane depois que investigadores analisaram manuscritos encontrados em 2019 em uma área de esgoto da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior paulista. A partir desses elementos, foram aprofundadas as investigações sobre possíveis conexões financeiras envolvendo pessoas ligadas à facção.

Outro ponto destacado pelas autoridades é a participação de uma transportadora localizada em Presidente Venceslau, que teria sido utilizada para movimentar recursos atribuídos à estrutura criminosa investigada. Segundo a apuração, empresas e terceiros teriam sido empregados para dificultar a identificação da origem e do destino dos valores. Nesse contexto, as movimentações associadas a Deolane passaram a ser analisadas como parte de uma possível estratégia de ocultação patrimonial.

Em junho, o Ministério Público denunciou Deolane, Marcola, Alejandro, Everton e os sobrinhos de Marcola pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça recebeu a denúncia em 18 de junho, fazendo com que os acusados passassem formalmente à condição de réus no processo. Agora, o MP voltou a defender a manutenção das prisões preventivas, alegando que permanecem presentes os requisitos necessários para proteger a ordem pública e garantir a aplicação da lei penal.

Deolane pode continuar presa durante processo sobre o PCC

O pedido de manutenção da prisão preventiva apresentado pelo Ministério Público considera que existe risco de continuidade das atividades criminosas caso os investigados sejam colocados em liberdade. A legislação brasileira determina que a necessidade da prisão preventiva seja reavaliada periodicamente, mediante decisão judicial fundamentada. Por isso, a nova manifestação do MP deverá ser analisada pela Justiça antes de qualquer definição sobre a permanência de Deolane e dos demais réus no sistema prisional.

A defesa dos irmãos Camacho já contestou anteriormente a necessidade da prisão preventiva e afirmou haver divergência jurídica em relação aos fundamentos apresentados pelo Ministério Público. Segundo o advogado Bruno Ferullo, os fatos considerados pela acusação remontam a 2019 e 2022 e não existiriam acontecimentos novos capazes de justificar a manutenção das prisões. Até o momento, a defesa de Deolane não havia respondido ao pedido mais recente do MP, conforme informado pelo UOL.

O caso, portanto, ainda está em fase de processamento judicial e deverá passar por novas análises antes de qualquer conclusão sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos. As acusações apresentadas pelo Ministério Público serão submetidas ao contraditório e à apreciação da Justiça, enquanto as provas deverão ser avaliadas individualmente para determinar a participação de cada réu. Assim, embora o MP classifique Deolane como uma figura central no suposto núcleo financeiro do PCC, a definição definitiva sobre sua responsabilidade dependerá do julgamento do processo.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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