Operação desarticula grupo que planejava ataques violentos durante as eleições de 2026
Investigação identificou organização criminosa que atuava em plataformas digitais, difundia discursos extremistas e discutia ações violentas para o período eleitoral
Uma operação coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou um grupo criminoso suspeito de promover violência extrema em ambientes virtuais e planejar ataques para o período das eleições de 2026. Segundo as investigações, a organização utilizava aplicativos de mensagens para recrutar integrantes, disseminar conteúdos de caráter neonazista, antissemita e misógino e incentivar práticas criminosas.
A ação foi deflagrada nesta terça-feira (4) após um trabalho de inteligência realizado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), que identificou mensagens indicando o planejamento de possíveis ataques em Brasília durante o calendário eleitoral. As investigações apontam que o grupo possuía estrutura organizada, divisão de funções e estratégias para ampliar sua atuação em diferentes estados do país.
Mensagens indicavam preparação para ataques
De acordo com os investigadores, os suspeitos trocavam informações sobre possíveis invasões de edifícios, seleção de alvos, análise de mapas, compartilhamento de plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de prédios localizados na região central da capital federal.
As conversas também abordavam estratégias de recrutamento interestadual e preparação tática para ações violentas durante o período eleitoral, o que levou as autoridades a intensificarem o monitoramento e a anteciparem a operação policial.
Grupo disseminava conteúdos de ódio
As apurações indicam que a organização utilizava plataformas digitais, especialmente o Telegram, para divulgar conteúdos extremistas e incentivar discursos de ódio.
Segundo o Ministério da Justiça, os investigados promoviam mensagens de teor neonazista, antissemita e misógino, com ataques direcionados principalmente a mulheres que ocupam posições de liderança ou destaque público. Além disso, o ambiente virtual era utilizado para atrair novos participantes e estimular a prática de atos violentos.
Manuais de explosivos e estratégias eram compartilhados
Durante a investigação, as autoridades identificaram o compartilhamento de materiais considerados sensíveis, incluindo manuais para fabricação de explosivos e orientações relacionadas à execução de ações criminosas.
Os investigadores também constataram que integrantes do grupo discutiam métodos de organização, divisão de tarefas e formas de ampliar o alcance da rede por meio do recrutamento de novos participantes em diferentes regiões do Brasil.
Mandados foram cumpridos em cinco estados
A operação resultou no cumprimento de oito mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, oito pessoas, com idades entre 19 e 31 anos, são investigadas por participação na organização criminosa. Os materiais apreendidos serão submetidos à perícia para auxiliar no aprofundamento das investigações e na identificação de outros possíveis envolvidos.
Crimes investigados
Conforme informou o Ministério da Justiça, os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, incitação ao crime, apologia ao crime ou a criminoso e infrações previstas na legislação antirracismo.
Até o momento, as autoridades informaram que não foram identificados elementos suficientes para enquadrar a atuação do grupo na Lei de Terrorismo, embora as investigações permaneçam em andamento.
Operação contou com apoio de diversos órgãos
Além da Polícia Civil do Distrito Federal e do Ministério da Justiça, participaram da operação equipes das polícias civis estaduais, do CyberGAECO do Ministério Público de Santa Catarina, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Laboratório de Operações Cibernéticas.
A atuação conjunta buscou impedir que os planos discutidos no ambiente virtual evoluíssem para ações concretas, especialmente diante da proximidade do período eleitoral.
Investigações continuam
As autoridades informaram que a operação representa apenas uma etapa das apurações. Os dispositivos eletrônicos apreendidos passarão por análise técnica para identificar novos integrantes, possíveis conexões ainda desconhecidas e o grau de desenvolvimento dos planos discutidos pelo grupo.
O objetivo agora é esclarecer se havia condições concretas para a execução dos ataques mencionados nas mensagens e responsabilizar os envolvidos conforme o resultado das investigações, sempre assegurando o direito ao contraditório e à ampla defesa.




