Pablo Marçal retornou ao PRTB e agora articula sua candidatura à Presidência da República

Pablo Marçal conseguiu uma decisão provisória da Justiça Eleitoral que autoriza seu retorno ao PRTB e abriu caminho para que ele volte a tentar uma candidatura à Presidência da República em 2026. A decisão foi tomada neste sábado, 15 de agosto, pelo juiz Gustavo Nardi, da 428ª Zona Eleitoral de Santana de Parnaíba, em São Paulo, e determinou a regularização provisória da filiação partidária com efeito retroativo a 4 de abril. A movimentação acontece, porém, em uma situação jurídica ainda bastante complicada para o empresário e influenciador.
Embora a filiação tenha sido regularizada por meio da liminar, Marçal continua enfrentando condenações eleitorais que resultaram em declarações de inelegibilidade, e recursos estão sendo apresentados pela defesa para tentar modificar essas decisões. Portanto, o retorno ao partido não significa, por si só, que sua candidatura presidencial esteja garantida. A decisão também movimentou o PRTB, que ainda tinha Leonardo Avalanche como pré-candidato ao Palácio do Planalto. Segundo informações divulgadas pelo UOL, a direção nacional da legenda se reuniu neste sábado para decidir se Marçal será efetivamente escolhido para disputar a Presidência. A definição estava prevista para ocorrer ainda durante a tarde.
Marçal volta ao PRTB após obter liminar
A liminar concedida pela Justiça Eleitoral permitiu que Marçal deixasse o União Brasil e retomasse oficialmente o vínculo com o PRTB. O efeito retroativo a 4 de abril é considerado fundamental porque a legislação eleitoral estabelece que o candidato precisa estar filiado ao partido pelo qual pretende concorrer dentro do prazo mínimo exigido antes da eleição.
Antes da decisão, Marçal estava filiado ao União Brasil desde março. Naquele momento, sua estratégia política estava voltada principalmente para uma candidatura ao Congresso Nacional por São Paulo, com possibilidade de disputa pelo Senado. Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de julho apontava o empresário com 9% das intenções de voto na corrida por uma vaga no Senado paulista.
Decisão é provisória
Apesar da importância política da liminar, a medida não representa uma decisão definitiva sobre a situação eleitoral de Marçal. A autorização foi concedida de maneira provisória e poderá ser questionada ou modificada por instâncias superiores da Justiça Eleitoral.
Por isso, dois assuntos precisam ser analisados separadamente. De um lado, a filiação partidária foi regularizada provisoriamente; de outro, continuam sendo discutidos os processos que podem impedir Marçal de disputar uma eleição. Dessa maneira, mesmo com o retorno ao PRTB, a candidatura presidencial ainda depende de novos desdobramentos judiciais.
Inelegibilidade de Marçal continua sendo obstáculo
A situação eleitoral de Marçal ficou mais complicada após decisões da Justiça Eleitoral relacionadas à campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo manteve, em 5 de agosto de 2026, uma condenação que estabelece oito anos de inelegibilidade, contados a partir daquele pleito. A decisão foi tomada por unanimidade, mas ainda existe possibilidade de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.
Ao todo, Marçal acumula condenações relacionadas a diferentes episódios de sua campanha municipal. Entre as acusações analisadas estão abuso de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação, descumprimento de ordem judicial e irregularidades relacionadas à divulgação de conteúdo eleitoral. As decisões são contestadas pela defesa, que tenta revertê-las nas instâncias superiores.
Condenações estão relacionadas à eleição de 2024
Uma das condenações envolve a divulgação de uma proposta na qual Marçal teria prometido produzir vídeos de apoio a candidatos a vereador que fizessem doações de R$ 5 mil para sua campanha. O episódio foi considerado pela Justiça Eleitoral como abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação.
Outro processo analisou o chamado concurso de cortes, no qual participantes eram remunerados para produzir e divulgar vídeos relacionados ao então candidato. Nesse caso, foi aplicada uma pena de oito anos de inelegibilidade e multa de R$ 420 mil, embora outras acusações dentro do mesmo processo tenham sido afastadas pelo TRE-SP.
PRTB precisa decidir se lançará Marçal
O retorno de Marçal ao PRTB colocou a direção nacional da legenda diante de uma decisão política importante. Leonardo Avalanche havia sido apresentado como pré-candidato à Presidência, mas a possibilidade de Marçal assumir a candidatura alterou o cenário interno do partido justamente no começo oficial da campanha eleitoral.
A eventual escolha de Marçal poderá dar ao PRTB uma candidatura com maior reconhecimento nacional, especialmente por causa da presença do empresário nas redes sociais e de sua participação na eleição municipal de São Paulo. Entretanto, a situação jurídica do candidato também poderá representar um risco para a legenda, já que sua candidatura ainda dependeria da superação das decisões de inelegibilidade.
Marçal tenta voltar à disputa presidencial
A movimentação deste sábado mostra que Marçal não abandonou o projeto de disputar o Palácio do Planalto. Mesmo depois de ter deixado o PRTB e ingressado no União Brasil, o empresário agora tenta reorganizar sua trajetória eleitoral para voltar ao partido pelo qual concorreu à Prefeitura de São Paulo.
O principal desafio, contudo, está no Judiciário. A liminar resolveu provisoriamente a questão da filiação partidária, mas não eliminou as condenações que atingem sua capacidade eleitoral. Assim, para que a candidatura presidencial avance de maneira definitiva, será necessário que Marçal consiga obter decisões favoráveis nos processos que questionam sua inelegibilidade.
Por enquanto, portanto, Marçal obtém liminar, volta ao PRTB e quer disputar a Presidência, mas ainda não pode ser considerado candidato definitivamente habilitado ao Palácio do Planalto. A decisão partidária sobre seu possível lançamento e os próximos julgamentos da Justiça Eleitoral deverão determinar se a tentativa de retorno à corrida presidencial conseguirá avançar. A situação poderá mudar rapidamente nas próximas semanas, principalmente porque o calendário eleitoral já está em andamento e os partidos começam a consolidar oficialmente suas candidaturas.



