Patricia Bullrich, senadora argentina, saiu em defesa de Milei e fez um apelo a Lula

A aliada de Milei, Patricia Bullrich, pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o embaixador brasileiro Julio Glinternick Bitelli retorne ao posto em Buenos Aires, em uma tentativa de reduzir a tensão diplomática entre Brasil e Argentina. A manifestação ocorreu nesta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, durante um discurso no Senado argentino, em meio ao agravamento da crise provocada pelos recentes ataques do presidente Javier Milei ao governo brasileiro. A informação foi divulgada pelo Metrópoles.
Patricia Bullrich, senadora argentina e uma das principais integrantes do partido La Libertad Avanza, legenda de Javier Milei, defendeu o direito do presidente argentino de apoiar candidatos em eleições de outros países. Ao mesmo tempo, porém, ela fez uma ressalva sobre a forma como Milei vem se referindo a Lula, afirmando que é necessário ter cuidado com o vocabulário. A declaração ganhou destaque porque partiu de uma das principais aliadas do governo argentino e ocorreu justamente quando as relações entre os dois países passaram a ser conduzidas em um nível diplomático inferior.
O pedido de Bullrich foi feito depois que o governo brasileiro decidiu não enviar Bitelli de volta à embaixada em Buenos Aires enquanto persistirem os ataques de Milei ao Brasil. Com a medida, a representação diplomática brasileira passou a ser conduzida por um encarregado de negócios. Dessa forma, a crise política provocada pelas declarações do presidente argentino passou a produzir uma consequência concreta na relação institucional entre os dois países, historicamente considerados parceiros estratégicos na América do Sul.
Aliada de Milei defende retorno do embaixador brasileiro
Durante seu pronunciamento no Senado argentino, Patricia Bullrich procurou separar a disputa política entre Lula e Milei das relações institucionais mantidas por Brasil e Argentina. A senadora afirmou que os dois países possuem interesses estratégicos que precisam ser preservados, mesmo diante das divergências ideológicas entre seus atuais presidentes. Por isso, ela pediu diretamente a Lula que o embaixador Julio Bitelli volte a Buenos Aires e que a representação diplomática volte ao nível de embaixadores.
A posição adotada por Bullrich também revela uma tentativa de evitar que a crise política se transforme em um problema diplomático de maior duração. Embora tenha defendido Milei e sustentado que ele tem liberdade para apoiar quem considerar adequado nas eleições brasileiras, a senadora reconheceu que a relação com o Brasil possui importância própria. Segundo ela, questões políticas não deveriam comprometer os vínculos institucionais construídos ao longo de décadas entre os dois países.
Bullrich defende Milei, mas faz ressalva sobre ataques a Lula
A defesa de Javier Milei foi acompanhada por uma crítica indireta ao tom utilizado pelo presidente argentino contra Lula. Bullrich afirmou que “com o vocabulário sempre temos que tomar cuidado”, em uma referência às declarações feitas por Milei durante sua passagem pelo Brasil. O presidente argentino participou da convenção do Partido Liberal que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência e, durante o evento realizado em São Paulo, fez fortes críticas ao presidente brasileiro, utilizando termos como “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”.
A declaração de Bullrich ganhou importância porque representa uma tentativa de equilibrar o apoio político a Milei com a necessidade de preservar os canais diplomáticos com o Brasil. A senadora não abandonou a defesa do presidente argentino e argumentou que ele possui o mesmo direito de manifestar preferência eleitoral que Lula teve em outras disputas na América Latina. Contudo, ao recomendar cautela com o vocabulário, ela sinalizou que a escalada verbal pode dificultar a manutenção das relações entre os governos.
Crise entre Lula e Milei chega às relações diplomáticas
A atual crise entre Brasil e Argentina se intensificou depois da participação de Milei no evento político do PL em São Paulo. Na ocasião, o presidente argentino declarou apoio a Flávio Bolsonaro e fez ataques diretos a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes. A reação do governo brasileiro foi imediata, com a convocação de Bitelli para consultas e a convocação do embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos e receber um protesto formal.
Posteriormente, o governo Lula decidiu manter Bitelli fora de Buenos Aires e rebaixar o nível da representação brasileira na Argentina para encarregado de negócios. A medida transformou a crise política em um episódio diplomático de maior alcance e passou a ser acompanhada pelas autoridades argentinas. Do lado de Buenos Aires, o governo de Milei classificou a decisão brasileira como lamentável e defendeu que as relações entre os dois países não fossem prejudicadas por divergências pessoais e políticas entre os presidentes.
O pedido de Patricia Bullrich para que Lula permita o retorno de Julio Bitelli demonstra que a crise entre os dois governos já ultrapassou o campo das declarações políticas. Ao mesmo tempo em que a senadora argentina mantém seu apoio a Javier Milei e defende a participação dele na política brasileira, ela reconhece que a relação com o Brasil possui importância estratégica. Agora, a permanência do impasse dependerá dos próximos movimentos dos governos de Lula e Milei, enquanto a representação diplomática dos dois países permanece sob os efeitos da recente escalada de tensão.




