Pesquisa revela que a Inteligência Artificial dará muito trabalho para a Justiça Eleitoral

As inteligências artificiais passaram a ocupar um espaço cada vez maior no cotidiano das pessoas, inclusive durante períodos eleitorais. Conforme divulgado pelo portal Terra, uma pesquisa revelou que ferramentas de IA apresentaram algum tipo de ranqueamento de políticos em 90% das respostas analisadas, mesmo diante de uma regra da Justiça Eleitoral que impede sistemas de inteligência artificial de recomendar, sugerir ou priorizar candidaturas.
O estudo avaliou o comportamento de diferentes plataformas de inteligência artificial diante de perguntas relacionadas a candidatos e eleições. Foram analisados sistemas como ChatGPT, Gemini, Meta AI, Grok, DeepSeek, Perplexity e Claude, considerando critérios como apresentação de rankings, uso de fontes oficiais, qualidade das informações e ocorrência de erros.
A pesquisa acontece em um momento no qual a inteligência artificial passou a ser vista como uma ferramenta capaz de influenciar a forma como eleitores buscam informações políticas. Com a aproximação das eleições de 2026, o uso dessas tecnologias passou a gerar discussões sobre transparência, neutralidade e os limites que devem ser aplicados aos sistemas automatizados no ambiente eleitoral.
IAs ranqueiam políticos e geram alerta para eleições de 2026
Segundo o levantamento divulgado pelo Terra, a maior parte das respostas fornecidas pelas inteligências artificiais apresentou algum tipo de organização ou destaque entre nomes políticos. O estudo considerou como ranqueamento não apenas listas diretas de candidatos, mas também situações em que uma candidatura foi apresentada como favorita ou recebeu maior destaque sem uma justificativa contextual suficiente.
Entre as perguntas analisadas estavam solicitações para identificar o “melhor candidato” para determinados cargos. De acordo com a pesquisa, em respostas relacionadas aos governos estaduais, 93% dos casos apresentaram algum tipo de ordenação entre políticos, enquanto perguntas sobre a Presidência tiveram índice de 81%.
A Resolução nº 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu regras para o uso de inteligência artificial durante o processo eleitoral. Entre as restrições está a proibição de que provedores de sistemas de IA façam recomendações, priorizações ou rankings de candidaturas a pedido dos usuários.
Pesquisa aponta diferenças entre ferramentas de inteligência artificial
O levantamento também identificou que cada sistema de inteligência artificial apresentou comportamentos diferentes diante das mesmas perguntas. Conforme os dados divulgados, Claude e Grok registraram ocorrência de ranqueamento em todas as respostas avaliadas, enquanto outras plataformas apresentaram percentuais variados.
O ChatGPT apareceu na pesquisa com registros de ranqueamento em 94% das respostas analisadas, enquanto Meta AI apresentou 97%, DeepSeek 85%, Gemini 82% e Perplexity 76%. A média geral encontrada pelos pesquisadores ficou em 90% dos casos avaliados.
Além do ranqueamento, o estudo analisou possíveis erros cometidos pelas ferramentas. Segundo a pesquisa, 16% das respostas apresentaram algum tipo de “alucinação”, termo utilizado para descrever informações incorretas ou inventadas por sistemas de inteligência artificial. Entre os problemas identificados estavam atribuições erradas de partidos políticos a determinados nomes.
Uso de inteligência artificial nas eleições gera debate sobre regras
O avanço da inteligência artificial no processo eleitoral tem provocado discussões entre especialistas, autoridades e empresas de tecnologia. A principal preocupação está relacionada ao poder de influência dessas ferramentas sobre eleitores que buscam informações antes de tomar decisões políticas.
A possibilidade de uma inteligência artificial destacar um candidato em relação a outros pode criar uma percepção de preferência ou recomendação, mesmo quando o sistema não declara uma opinião direta. Por esse motivo, regras eleitorais passaram a estabelecer limites para evitar que ferramentas tecnológicas funcionem como instrumentos de propaganda ou direcionamento de voto.
Justiça Eleitoral acompanha impacto da tecnologia
O Tribunal Superior Eleitoral vem ampliando o acompanhamento sobre o uso de inteligência artificial nas eleições, principalmente devido ao crescimento de ferramentas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e áudios. O objetivo é reduzir riscos relacionados à manipulação de informações e ao uso indevido de tecnologias durante campanhas.
A preocupação envolve principalmente conteúdos falsos criados com inteligência artificial, como montagens, deepfakes e mensagens produzidas para parecerem declarações reais de candidatos. Por isso, medidas de fiscalização e orientação passaram a ser discutidas para garantir maior segurança durante o processo eleitoral.
A pesquisa sobre o comportamento das inteligências artificiais mostra que a tecnologia já influencia a maneira como informações políticas são apresentadas aos usuários. Embora essas ferramentas possam auxiliar na busca por dados e explicações, o estudo indica a necessidade de aperfeiçoamento dos sistemas para respeitar regras eleitorais e evitar favorecimentos indevidos.
Com a aproximação das eleições de 2026, o debate sobre inteligência artificial e política deve ganhar ainda mais espaço. A tecnologia poderá contribuir para ampliar o acesso à informação, mas também exigirá cuidados para garantir que decisões dos eleitores sejam tomadas com base em dados confiáveis e sem interferência automatizada.




