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PL afirmou que não irá cancelar a chapa própria na disputa pelo governo de Minas Gerais

A disputa pelo governo de Minas Gerais ganhou um novo capítulo com a decisão do Partido Liberal de manter Flávio Roscoe como candidato ao Palácio Tiradentes, mesmo diante da movimentação de Cleitinho Azevedo para entrar novamente na corrida eleitoral. O senador do Republicanos confirmou nesta sexta-feira, 7 de agosto, que pretende disputar o governo mineiro, depois de uma reunião com a direção nacional de seu partido. A decisão recolocou em evidência uma aliança que vinha sendo discutida há meses, mas que acabou não se concretizando da maneira esperada pelo grupo ligado ao PL.

O impasse ganhou força porque Cleitinho era considerado um nome eleitoralmente competitivo dentro do campo da direita em Minas Gerais. Durante meses, houve conversas para que ele assumisse a cabeça de uma chapa com apoio de diferentes partidos, inclusive do PL. Entretanto, a demora do senador em confirmar sua candidatura provocou uma mudança de estratégia. Na quarta-feira, 5 de agosto, o Partido Liberal anunciou Flávio Roscoe como candidato ao governo estadual, tendo o ex-deputado federal Charlles Evangelista como candidato a vice. A partir daquele momento, a legenda passou a tratar a candidatura própria como uma decisão consolidada.

A confirmação de Cleitinho provocou, portanto, uma situação de confronto dentro do campo político que pretende disputar o eleitorado de direita em Minas. O senador chegou a desistir da candidatura no início da semana, após reunião com Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, mas posteriormente retomou o projeto eleitoral. A primeira desistência havia sido atribuída a questões pessoais, enquanto a retomada ocorreu depois de novas conversas políticas. Com isso, o cenário mineiro passou a contar com duas candidaturas que podem disputar parcelas semelhantes do eleitorado conservador. O PL, por sua vez, já sinalizou que não pretende abandonar Roscoe para apoiar Cleitinho.

PL não vai apoiar Cleitinho, diz direção do partido

A posição do Partido Liberal foi apresentada de maneira contundente pelo presidente estadual da legenda, deputado federal Zé Vitor. Ao ser questionado sobre a possibilidade de cancelar a candidatura de Flávio Roscoe para apoiar Cleitinho, o dirigente afirmou que existe “chance zero” de isso acontecer. A declaração demonstra que o PL pretende manter o compromisso firmado com o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, mesmo diante da decisão do senador do Republicanos de retomar sua candidatura ao governo.

O senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, também confirmou que Roscoe continuará sendo o nome da legenda para o governo mineiro. Marinho exerce papel estratégico na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e afirmou que o partido passou aproximadamente 120 dias negociando com outras legendas, especialmente com Cleitinho, para que o senador definisse sua posição. Segundo ele, a instabilidade criada pela indefinição levou o PL a optar pela candidatura própria. Dessa maneira, a justificativa apresentada pela direção liberal é de que a legenda precisava estabelecer uma estratégia eleitoral diante da demora para obter uma definição definitiva do senador.

Flávio Roscoe será mantido pelo PL

A escolha de Flávio Roscoe representa uma tentativa do PL de construir uma candidatura própria em Minas Gerais e evitar que a legenda fique dependente de uma composição com o Republicanos. Ex-presidente licenciado da Fiemg, Roscoe possui trajetória ligada ao setor empresarial e industrial mineiro e foi escolhido para encabeçar a chapa do partido depois de meses de indefinição. Para o PL, a candidatura própria também tem importância estratégica porque Minas Gerais é um dos maiores colégios eleitorais do país e terá peso significativo na disputa presidencial de 2026. A decisão, portanto, não deve ser analisada apenas pela eleição estadual, mas também pela necessidade de organizar um palanque competitivo para Flávio Bolsonaro no estado.

O problema para o PL é que a presença de Cleitinho na disputa pode fragmentar o eleitorado que poderia estar concentrado em torno de um único candidato identificado com a direita. Antes da confirmação de Roscoe, setores do próprio campo conservador defendiam que Cleitinho seria capaz de unir diferentes grupos em torno de sua candidatura. O deputado federal Marcelo Aro, por exemplo, chegou a defender a candidatura do senador como uma alternativa capaz de reunir a direita mineira, argumentando que Cleitinho possui forte capacidade eleitoral. Agora, com os dois nomes colocados no cenário, essa união fica mais difícil e a disputa interna tende a ganhar importância durante a campanha.

Cleitinho retoma candidatura ao governo de Minas

A retomada da candidatura de Cleitinho aconteceu depois de uma sequência de mudanças que surpreendeu aliados e adversários. No início da semana, o senador havia anunciado que não disputaria o governo de Minas. Em vídeo gravado ao lado de Marcos Pereira, ele informou a decisão e afirmou que precisava lidar com questões pessoais após a morte de seu irmão, Matheus Augusto Azevedo, vítima de complicações de uma leucemia. Dias depois, porém, novas articulações políticas foram realizadas e Cleitinho voltou a colocar seu nome à disposição do Republicanos para a disputa estadual.

A confirmação ocorreu após uma reunião entre Cleitinho e Marcos Pereira e foi acompanhada por uma manifestação pública do senador. Segundo as informações divulgadas, a direção nacional do Republicanos acabou confirmando a candidatura, encerrando naquele momento a tentativa de manter Cleitinho fora da eleição. A decisão alterou novamente o tabuleiro político mineiro e colocou o PL diante de uma situação que o partido já havia sinalizado que não pretendia aceitar: a disputa entre dois candidatos que podem buscar apoio no mesmo campo ideológico. Assim, mesmo com a retomada de Cleitinho, o PL mantém Flávio Roscoe como sua aposta.

O cenário deverá produzir consequências importantes para a eleição de Minas Gerais porque a divisão do eleitorado da direita poderá influenciar diretamente a formação de alianças e a disputa por uma vaga no segundo turno. Cleitinho chega ao novo momento eleitoral com reconhecimento estadual e histórico de competitividade em pesquisas, enquanto Roscoe contará com a estrutura partidária do PL e com o apoio da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Dessa forma, a decisão do PL de não apoiar Cleitinho não encerra a disputa, mas abre uma nova etapa na corrida pelo governo mineiro. O confronto entre os dois nomes deverá ser acompanhado de perto nos próximos meses, sobretudo porque uma eventual fragmentação do campo conservador poderá favorecer candidatos de outras forças políticas. Por enquanto, a posição oficial do PL é clara: “chance zero” de retirar Flávio Roscoe da disputa para apoiar Cleitinho.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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