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Prefeitura restringe heliponto da Lagoa após acidente fatal e fiscalização da Anac

A Prefeitura restringe heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro, depois de uma série de acidentes envolvendo helicópteros e da identificação de irregularidades em empresas que oferecem voos panorâmicos. Cinco companhias foram impedidas de utilizar o espaço administrado pelo município, enquanto quatro tiveram suas operações turísticas suspensas pela Agência Nacional de Aviação Civil. As medidas foram anunciadas nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, pelo prefeito Eduardo Cavaliere e pelo diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein. A decisão foi tomada dez dias após a queda de uma aeronave na região da Vista Chinesa, acidente que matou o piloto e três turistas colombianas.

Prefeitura restringe heliponto da Lagoa para cinco empresas

Os termos de compromisso que permitiam o uso do heliponto foram rescindidos pela administração municipal. Dessa maneira, ficaram impedidas de pousar ou decolar no local as empresas Be Faster Serviços Aéreos, Bal Harbour Holding Patrimonial, Nobre Turismo Aéreo, Infinity Serviços Aéreos e Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos. Esta última era responsável pelo helicóptero envolvido no acidente ocorrido em 8 de agosto. Segundo a Prefeitura do Rio, as cinco companhias possuíam autorização para utilizar a estrutura, porém os documentos não permitiam a comercialização de passeios panorâmicos a partir do heliponto. Portanto, a medida foi adotada porque o espaço estaria sendo usado para uma finalidade não prevista nos termos firmados com o município.

Apenas uma empresa permanece autorizada no local

Com a restrição, a Helisul Táxi Aéreo passou a ser a única empresa autorizada a realizar voos panorâmicos a partir do heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas. A mudança deverá reduzir significativamente o número de operações turísticas realizadas no espaço. Entretanto, isso não significa que apenas uma companhia esteja habilitada a oferecer o serviço em toda a cidade. Segundo a Anac, 12 empresas possuem autorização para realizar voos panorâmicos no Rio de Janeiro, utilizando um total de 46 aeronaves cadastradas. Para operar legalmente, uma empresa precisa reunir autorizações relacionadas ao serviço aéreo, à aeronave, à tripulação e ao local utilizado para pousos e decolagens. Dessa forma, uma autorização da agência federal não substitui a permissão exigida pelo responsável pelo heliponto.

Acidente na Vista Chinesa motivou fiscalização reforçada

A revisão das operações ganhou urgência após a queda de um helicóptero durante um passeio turístico na Vista Chinesa, área cercada pela Floresta da Tijuca. O acidente matou quatro pessoas: o piloto e três turistas da mesma família, vindas da Colômbia. A aeronave havia decolado para um voo panorâmico sobre pontos turísticos da capital fluminense. As causas ainda são investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, enquanto outras autoridades apuram possíveis responsabilidades. Embora a ocorrência mais recente tenha provocado forte repercussão, ela não foi um caso isolado. Outros acidentes fatais com helicópteros foram registrados no estado em um período relativamente curto, aumentando a pressão para que empresas, aeronaves, pilotos, oficinas e locais de operação fossem inspecionados.

Anac suspende empresas e aeronaves após inspeções

Paralelamente às medidas adotadas pela prefeitura, a Anac suspendeu os voos panorâmicos das empresas VRP, Broad Fly, Nobre Turismo e Mr. Top Fly. Durante a fiscalização, nove companhias foram verificadas e quatro tiveram as atividades interrompidas. Além disso, das 18 aeronaves inspecionadas, nove apresentaram problemas considerados suficientes para impedir temporariamente sua operação. Entre as irregularidades investigadas estariam falhas em registros de horas voadas e procedimentos relacionados à manutenção. A contabilização correta do tempo de voo é essencial, porque determinados componentes precisam ser revisados ou substituídos após períodos definidos de utilização. Consequentemente, uma eventual subnotificação pode fazer com que uma aeronave opere sem cumprir os intervalos obrigatórios de manutenção preventiva.

Prefeitura e Anac possuem responsabilidades diferentes

A Prefeitura restringe heliponto da Lagoa dentro de sua competência como administradora do espaço municipal. Já a fiscalização técnica do transporte aéreo, das empresas, das aeronaves e das licenças é responsabilidade da Anac. Essa divisão explica por que algumas companhias foram proibidas de utilizar especificamente o heliponto, enquanto outras tiveram o próprio serviço panorâmico suspenso. O município e a agência também anunciaram uma cooperação para intensificar o intercâmbio de informações e facilitar novas fiscalizações. Além disso, a Anac deverá revisar o regulamento nacional aplicável aos voos turísticos, com previsão de consulta pública. O objetivo é atualizar as exigências, ampliar a capacidade de controle e reduzir brechas que possam permitir operações irregulares.

Passageiros devem verificar autorização antes de contratar voo

A orientação das autoridades é que turistas consultem previamente se a empresa escolhida possui autorização para oferecer o serviço e se a aeronave está habilitada. Preços muito abaixo dos praticados no mercado, pontos de embarque improvisados e ausência de informações sobre o operador devem ser considerados sinais de alerta. Além disso, o passageiro pode solicitar dados sobre a companhia, o helicóptero, o piloto e o heliponto antes de efetuar o pagamento. As suspensões anunciadas são cautelares e poderão ser revistas caso as empresas comprovem que corrigiram as irregularidades. Entretanto, eventuais responsabilidades administrativas, civis ou criminais dependerão das investigações e do direito de defesa. Com as novas medidas, Prefeitura e Anac buscam aumentar a segurança dos voos panorâmicos sem encerrar uma atividade turística tradicional no Rio de Janeiro.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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