“Quem defende as cores verde e amarela somos nós”, diz Tebet

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição ganhou, neste domingo (16), um tom de forte mobilização política em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Durante o ato realizado no Estádio 1º de Maio, a ex-ministra do Planejamento e candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet, afirmou que os aliados do presidente são os que, segundo ela, representam as cores verde e amarela. A declaração marcou um dos momentos de maior destaque do evento, que reuniu militantes, movimentos sociais, partidos aliados e caravanas de diferentes regiões do país. Ao defender a candidatura de Lula, Tebet também apresentou sua própria campanha ao Senado e afirmou que a eleição deverá colocar em debate temas como democracia, soberania nacional e preservação de direitos sociais.
Em seu discurso, Simone Tebet fez uma comparação entre os grupos políticos que disputam espaço no cenário nacional e citou manifestações realizadas anteriormente na avenida Paulista, em São Paulo. A senadora afirmou que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro exibiram uma grande bandeira dos Estados Unidos em atos de apoio ao presidente norte-americano Donald Trump e à agenda política bolsonarista. Para Tebet, o episódio representa uma diferença de visão sobre o conceito de patriotismo. “Enquanto eles falam de pátria, quem defende as cores verde e amarela somos nós”, declarou. Na avaliação da candidata, a eleição de 2026 deverá ser marcada pela escolha entre projetos distintos para o Brasil, com Lula e seus aliados defendendo uma agenda voltada à soberania, aos programas sociais e aos direitos conquistados pela população.
A ex-ministra também aproveitou o encontro para defender a continuidade de políticas públicas associadas aos governos do Partido dos Trabalhadores. Ao abordar o tema da família, Tebet citou iniciativas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida como exemplos de ações que, segundo ela, têm impacto direto na vida de milhões de brasileiros. A candidata ainda pediu apoio à sua candidatura ao Senado e destacou a possibilidade de São Paulo eleger duas mulheres para a Casa: ela própria e Marina Silva, que também concorre ao cargo. “Nós podemos fazer história elegendo não apenas uma, mas duas mulheres senadoras da República”, afirmou. O discurso reforçou a estratégia de apresentar a eleição como uma oportunidade de ampliar a presença feminina na política nacional.
O local escolhido para o lançamento da campanha de Lula também carrega um forte significado na trajetória do presidente. O Estádio 1º de Maio, conhecido anteriormente como Vila Euclides, foi um dos principais espaços de mobilização dos trabalhadores do ABC no fim dos anos 1970 e começo dos anos 1980. Na época, Lula atuava como dirigente sindical dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. O estádio recebeu grandes assembleias durante as greves dos trabalhadores da região, incluindo uma reunião que contou com a presença de mais de 60 mil pessoas. A escolha do endereço para o início da campanha procura, assim, conectar o atual projeto eleitoral à história política e sindical de Lula, além de destacar sua relação com o movimento dos trabalhadores e com a formação do PT e da CUT.
O evento deste domingo também serviu para apresentar o slogan “O Brasil pronto pra mais”, utilizado pelo PT para destacar resultados que o partido atribui às administrações de Lula e sinalizar novas prioridades para um eventual próximo mandato. Entre os temas mencionados pelo presidente estão a defesa nacional, a exploração de terras-raras e a ampliação do ensino em tempo integral. A soberania brasileira aparece como um dos principais eixos do discurso do governo, especialmente em um período marcado por divergências com os Estados Unidos e pelo debate sobre as relações internacionais do país. Nesse contexto, o grupo político de Lula pretende apresentar sua candidatura como uma alternativa voltada à defesa dos interesses nacionais e à continuidade de programas sociais, enquanto seus adversários deverão buscar apresentar propostas diferentes para o futuro do país.
Aos 80 anos, Lula parte para sua oitava candidatura à Presidência da República e tenta conquistar um quarto mandato, depois de ter vencido as eleições de 2002, 2006 e 2022. O presidente oficializou sua candidatura à reeleição em 2 de agosto, durante um evento realizado em São Paulo. Caso consiga uma nova vitória, poderá alcançar uma marca inédita na história das eleições presidenciais diretas brasileiras. A campanha iniciada neste domingo, portanto, representa não apenas o começo formal de uma nova disputa eleitoral, mas também a tentativa de mobilizar a base política do presidente em torno de uma mensagem centrada em soberania, programas sociais e continuidade administrativa. Com a corrida eleitoral apenas começando, discursos como o de Simone Tebet mostram que o debate entre diferentes projetos para o país deverá ocupar espaço central até a votação de outubro.



