Renan Santos promete acabar com facções criminosas em um ano se eleito

Renan Santos promete acabar com as facções criminosas em até um ano caso seja eleito presidente da República nas eleições de 2026. Candidato pelo partido Missão e um dos fundadores do Movimento Brasil Livre, o político colocou a segurança pública no centro de sua campanha e defendeu a criação de um comando nacional para coordenar as polícias e as Forças Armadas. Durante entrevista ao g1, Renan afirmou que organizações como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho deveriam ser retiradas do cenário urbano brasileiro dentro desse prazo. Entretanto, o objetivo apresentado pelo candidato é considerado extremamente ambicioso, uma vez que o enfrentamento ao crime organizado depende da atuação conjunta da União, dos estados, do Ministério Público, do Judiciário e das instituições penitenciárias.
Renan Santos promete acabar com facções por meio de comando nacional
A proposta defendida pelo presidenciável prevê a utilização de uma estrutura centralizada para coordenar ações de inteligência, policiamento, fiscalização financeira e ocupação de territórios dominados pelo crime organizado. Segundo Renan Santos, a União deveria assumir maior protagonismo nas operações contra as facções, especialmente quando a capacidade dos governos estaduais fosse considerada insuficiente. O candidato também defende a federalização de investigações envolvendo grupos criminosos, o endurecimento das penas, a ampliação do confisco de bens e uma cooperação internacional mais intensa. Além disso, o narcotráfico passaria a ser tratado como uma questão de segurança nacional. Dessa maneira, operações estaduais deixariam de ser executadas de forma isolada e seriam integradas a um planejamento federal com metas, divisão de responsabilidades e compartilhamento permanente de informações.
Plano de governo prevê intervenção em estados e confisco de patrimônio
O programa apresentado pelo partido Missão, chamado de “Livro Amarelo”, propõe intervenções federais em estados nos quais facções exerçam controle territorial. Também são mencionadas medidas para ampliar o rigor das punições e retirar bens pertencentes a integrantes de organizações criminosas. O plano inclui a federalização de casos relacionados às facções e o fortalecimento da cooperação com autoridades estrangeiras. Contudo, uma intervenção federal precisa respeitar os requisitos estabelecidos pela Constituição. A medida é excepcional e depende de fundamentação jurídica, delimitação do prazo e definição das funções que serão temporariamente transferidas. Portanto, o presidente da República não poderia simplesmente substituir governos estaduais ou assumir suas polícias sem observar o procedimento constitucional.
Promessa de acabar com facções em um ano enfrenta obstáculos jurídicos
A segurança pública brasileira é organizada por diferentes instituições, cada uma com atribuições definidas constitucionalmente. As polícias Civil e Militar estão subordinadas aos governos estaduais, enquanto a Polícia Federal investiga crimes de competência da União, incluindo determinadas práticas interestaduais e internacionais. Já as Forças Armadas são destinadas prioritariamente à defesa do país e somente podem ser empregadas internamente dentro das hipóteses previstas na legislação. Consequentemente, a criação de um comando central não eliminaria automaticamente a autonomia dos estados. Mudanças mais profundas poderiam depender da aprovação de leis ou até de uma proposta de emenda à Constituição pelo Congresso Nacional. Além disso, para que operações nacionais funcionem, seriam necessários orçamento, profissionais especializados, tecnologia, integração de bancos de dados e mecanismos de controle sobre eventuais abusos.
Discurso duro contra o crime marcou início da campanha presidencial
Renan Santos iniciou oficialmente sua campanha com um ato realizado no Largo São Francisco, no centro de São Paulo. O local foi escolhido por sua ligação com a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde o candidato estudou, mas não concluiu o curso. Durante o evento, ele usou um colete à prova de balas e adotou um discurso de forte confronto contra organizações criminosas. Renan também dirigiu críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao senador Flávio Bolsonaro, seus adversários na disputa. O tom utilizado provocou reações políticas porque incluiu expressões violentas ao descrever como seria o enfrentamento às facções. A retórica, portanto, deverá permanecer no centro do debate eleitoral.
Ameaças de morte também influenciaram estratégia de Renan Santos
A segurança pública ganhou maior espaço na candidatura depois que Renan relatou ameaças atribuídas a supostos integrantes de facções criminosas. A convenção partidária que oficializou seu nome foi antecipada para coincidir com o início da proteção oferecida pela Polícia Federal aos candidatos à Presidência. Além disso, a equipe apresentou às autoridades uma ameaça publicada em um fórum digital por uma pessoa que se identificava como estudante da USP. O conteúdo teria mencionado a possibilidade de atacar o candidato caso ele participasse do evento no Largo São Francisco. Embora a autoria e as circunstâncias ainda precisem ser investigadas, o episódio foi utilizado pela campanha para reforçar a defesa de medidas mais duras contra o crime organizado. Por outro lado, críticos argumentam que ameaças individuais não devem substituir análises técnicas na elaboração de políticas nacionais.
Renan Santos promete acabar com facções, mas execução exigiria planejamento
Apesar do impacto eleitoral da promessa, eliminar a atuação das facções em apenas um ano exigiria resultados simultâneos em diferentes áreas. Seria necessário desarticular lideranças, bloquear recursos financeiros, controlar fronteiras, impedir a entrada de armas, reduzir a corrupção de agentes públicos e reorganizar o sistema penitenciário, onde muitos grupos criminosos ampliaram sua estrutura. Além disso, territórios recuperados precisariam receber serviços públicos, escolas, atendimento de saúde, infraestrutura e oportunidades econômicas para evitar a retomada do domínio ilegal. Portanto, o sucesso de uma política desse porte não poderia ser medido apenas pelo número de prisões ou de operações policiais. Durante a campanha, Renan Santos deverá explicar custos, fundamentos jurídicos, indicadores e mecanismos de fiscalização. Assim, caberá ao eleitor avaliar se o prazo anunciado possui viabilidade concreta ou representa principalmente uma estratégia de comunicação eleitoral.



