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Roberta Luchsinger teria sido orientada por Lulinha a emitir nota cobrando Cleber Ribas

Lulinha orientou Roberta Luchsinger a emitir uma nota fiscal para cobrar um empresário que atualmente é investigado pela Polícia Federal. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (17) pelo colunista Tácio Lorran, do Metrópoles, a partir de mensagens obtidas pela coluna e incluídas em uma investigação que apura suspeitas envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os diálogos também indicam que Fábio Luís Lula da Silva mantinha contato frequente com a lobista e acompanhava atividades relacionadas aos negócios conduzidos por ela.

Segundo a reportagem, o empresário citado nas conversas é Cleber Ribas, investigado pela PF no mesmo inquérito que apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas a Lulinha. Conforme a publicação de Tácio Lorran, Ribas teria pago pelo menos R$ 150 mil a Roberta Luchsinger por serviços descritos como prospecção de clientes. A relação entre os envolvidos passou a ser analisada pelos investigadores dentro de uma apuração que também envolve possíveis contatos com integrantes do governo federal.

As mensagens citadas pelo colunista registram uma conversa ocorrida em 24 de julho de 2023, na qual Lulinha pediu que Roberta convidasse Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para participar de uma reunião na Bahia. Na sequência, enquanto a lobista relatava contatos com diferentes autoridades, Lulinha escreveu uma orientação direta relacionada a Cleber Ribas: “Emite a NF pro Cleber”, segundo o conteúdo reproduzido pela reportagem. Roberta respondeu que já havia feito a emissão, e Lulinha reagiu positivamente à informação.

Lulinha orientou emissão de nota para empresário investigado

A conversa revelada pelo Metrópoles é considerada relevante dentro da investigação porque apresenta Lulinha participando de uma comunicação relacionada à atividade profissional de Roberta Luchsinger. Segundo Tácio Lorran, os diálogos indicam que a relação entre os dois não se limitava a uma amizade pessoal e envolvia também assuntos ligados a negócios e articulações. A atuação atribuída ao filho do presidente está sendo investigada, e qualquer eventual responsabilidade deverá ser definida pelas autoridades competentes.

Outro ponto destacado pela reportagem envolve uma reunião solicitada pelo próprio Cleber Ribas. De acordo com o relatório da Polícia Federal citado pelo Metrópoles, o empresário pediu a Roberta uma reunião com Lulinha em 31 de maio de 2023, enquanto posteriormente informou que Rodrigo Assumpção havia assumido a presidência da Dataprev. A menção à empresa pública aparece no contexto das investigações sobre possíveis relações e articulações envolvendo empresários e integrantes do governo federal.

A investigação conduzida pela Polícia Federal também passou a examinar outras conversas atribuídas a Lulinha e Roberta. Em outro diálogo divulgado pelo colunista Tácio Lorran, os dois trataram de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e então chefe de gabinete do presidente Lula, e Swedenberger Barbosa, que ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde. Dessa forma, as mensagens passaram a ser utilizadas pelos investigadores para analisar o acesso de Lulinha e da lobista a integrantes do núcleo do governo.

Investigação da PF envolve Lulinha e Roberta Luchsinger

Os fatos fazem parte de uma investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal que apura suspeitas relacionadas à atuação de Lulinha junto a empresários e órgãos do governo federal. Os inquéritos foram autorizados pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino, e entre os pontos analisados estão possíveis relações envolvendo tráfico de influência e corrupção. Até o momento, as suspeitas são objeto de investigação e não representam condenação definitiva de Lulinha ou de Roberta Luchsinger.

Roberta Luchsinger já havia aparecido em outras etapas das investigações relacionadas à chamada Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social. Segundo informações divulgadas anteriormente pelo Metrópoles, a Polícia Federal passou a considerar Roberta uma possível ligação entre Lulinha e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A empresária foi alvo de medidas judiciais durante as apurações e teve sua atuação profissional e seus contatos examinados pelos investigadores.

A PF também investigou movimentações financeiras relacionadas às empresas de Roberta, incluindo transferências recebidas de empresas ligadas ao Careca do INSS. Em relatório citado pelo Metrópoles, foram apontadas operações financeiras que, segundo os investigadores, poderiam indicar lavagem de dinheiro, enquanto a defesa da empresária afirmou que suas aquisições foram realizadas regularmente e com documentação. Por isso, os dados financeiros e as conversas passaram a integrar um conjunto mais amplo de elementos que ainda está sendo analisado no inquérito.

Mensagens colocam atuação de Lulinha sob investigação

A revelação sobre a emissão da nota fiscal acrescenta um novo elemento às mensagens analisadas pela Polícia Federal. Segundo a reportagem de Tácio Lorran, os diálogos mostram Lulinha não apenas informado sobre atividades de Roberta Luchsinger, mas também participando de conversas sobre reuniões, negócios e contatos com autoridades. O alcance e a finalidade dessas articulações ainda deverão ser esclarecidos no decorrer da investigação.

O caso deverá continuar sendo acompanhado enquanto a Polícia Federal analisa as mensagens, movimentações financeiras e relações entre os envolvidos. A defesa dos investigados poderá apresentar suas explicações sobre os contatos e sobre os fatos descritos nos documentos, enquanto as autoridades deverão avaliar se os elementos reunidos sustentam as suspeitas investigadas. A informação sobre a orientação para emissão da nota foi divulgada pelo colunista do Metrópoles Tácio Lorran e representa mais um capítulo da apuração envolvendo Lulinha e pessoas próximas a ele.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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