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Romero Jucá desiste de disputar vaga na Câmara e muda cenário eleitoral em Roraima

O ex-senador Romero Jucá desiste de disputar uma das oito vagas de Roraima na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. A decisão foi anunciada nesta terça-feira, 18 de agosto, poucos dias depois de o político do MDB registrar oficialmente sua candidatura junto à Justiça Eleitoral. Em uma mensagem direcionada à população roraimense e divulgada nas redes sociais, Jucá afirmou que a escolha foi tomada com responsabilidade e contou com o apoio de sua família. Além disso, declarou que o ambiente da atual disputa eleitoral, marcado, segundo sua avaliação, por ataques pessoais, traições e conflitos políticos, não corresponde mais à forma como pretende participar da vida pública. O anúncio interrompe uma tentativa de retorno ao Congresso Nacional depois de mais de sete anos sem mandato eletivo. Ao mesmo tempo, a retirada pode produzir consequências importantes nas alianças estaduais, pois a presença do ex-senador na chapa proporcional do MDB havia sido apontada como um dos obstáculos para um acordo entre o partido e o grupo do governador interino Soldado Sampaio, candidato ao governo pelo Republicanos.

Romero Jucá desiste de disputar eleição após refletir sobre ataques

Na publicação em que comunicou sua decisão, Romero Jucá destacou que continua gostando da atividade política, sobretudo daquela que considera voltada para projetos, diálogo e desenvolvimento regional. Entretanto, afirmou que não deseja participar de uma disputa definida por ataques que possam atingir tanto sua imagem quanto seus familiares. O ex-senador também agradeceu aos parentes, amigos, eleitores e apoiadores que o acompanharam durante décadas de atuação em Roraima. Segundo Jucá, a repercussão da recente condenação criminal, posteriormente suspensa por decisões provisórias de tribunais superiores, contribuiu para sua reflexão sobre o futuro. Ele classificou o julgamento como ilegal, contestou as acusações e reiterou que sua defesa continuará buscando reverter o processo. Além disso, declarou que pretende continuar colaborando com o estado, mesmo sem ocupar cargo eletivo. Na avaliação apresentada por ele, Roraima possui condições de se transformar em referência nacional de desenvolvimento econômico e social. Portanto, embora Romero Jucá desista de disputar o mandato de deputado federal, o político sinalizou que não abandonará completamente as articulações partidárias nem sua participação na vida pública.

Registro da candidatura ocorreu após decisões do STF e do STJ

A candidatura havia sido registrada em 15 de agosto, logo depois que decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça suspenderam os efeitos de uma condenação imposta pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Em julho de 2026, Jucá foi condenado a 9 anos, 10 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. De acordo com a acusação, uma quantia de R$ 150 mil repassada pela Odebrecht em 2014 teria sido utilizada como doação eleitoral para ocultar uma vantagem indevida. O valor teria sido destinado à campanha de Rodrigo Menezes Jucá, filho do ex-senador e então candidato a vice-governador de Roraima. Segundo o entendimento adotado pelo TRF-1, o pagamento estaria relacionado à atuação parlamentar de Romero Jucá em medidas provisórias que concederam benefícios fiscais à construtora. A defesa, por outro lado, nega o recebimento de propina, sustenta que não houve qualquer ato ilícito e afirma que o processo foi julgado por uma instância sem competência constitucional para analisar os fatos.

Decisões favoráveis não representaram absolvição definitiva de Jucá

No STF, o ministro Flávio Dino determinou que os efeitos da condenação fossem suspensos provisoriamente e ordenou o envio do processo ao Supremo. O magistrado considerou o argumento de que os fatos investigados teriam ocorrido durante e em razão do mandato de senador exercido por Romero Jucá. Dessa forma, o caso poderia estar sujeito à competência do STF, e não da Justiça Federal de primeira instância. Paralelamente, no STJ, o ministro Messod Azulay Neto suspendeu o efeito de inelegibilidade decorrente da condenação. Com isso, o ex-senador recuperou temporariamente as condições jurídicas necessárias para registrar sua candidatura. Contudo, as duas decisões são liminares e não equivalem a uma absolvição definitiva. O mérito das contestações ainda deverá ser examinado pelos colegiados competentes. Além disso, o pedido de registro eleitoral ainda aguardava julgamento quando a desistência foi anunciada. Portanto, a retirada da candidatura foi apresentada como uma decisão pessoal e política, e não como consequência automática de impedimento judicial. Jucá também alegou que o processo estaria prescrito e afirmou que já havia recebido decisão favorável em uma etapa anterior da ação.

Desistência de Romero Jucá interfere nas alianças em Roraima

Antes da retirada, a candidatura de Jucá havia provocado um impasse nas negociações para a formação das chapas majoritárias em Roraima. Durante a convenção do MDB, a ex-prefeita de Boa Vista Teresa Surita, candidata ao Senado, afirmou que existia um entendimento prévio para integrar o grupo político do governador interino Soldado Sampaio. Conforme o acordo descrito por Teresa, ela seria uma das candidatas ao Senado apoiadas pelo governador, enquanto a segunda vaga da chapa seria definida pelo próprio Sampaio. Entretanto, durante a convenção do Republicanos, o candidato ao governo anunciou apoio a Pastor Isamar, do União Brasil, e Helena da Asatur, do PSD, para as duas vagas ao Senado. Posteriormente, Sampaio declarou que a manutenção da candidatura de Romero Jucá a deputado federal tornava impossível uma composição com o MDB. Dessa maneira, o nome do ex-senador foi apontado publicamente como um obstáculo à aliança. Agora, com a desistência, novas negociações poderão ser realizadas, embora ainda não exista confirmação de que o acordo anteriormente discutido será retomado.

Saída altera disputa pelas oito cadeiras de deputado federal

Roraima possui oito representantes na Câmara dos Deputados, número mínimo estabelecido pela Constituição para cada unidade da Federação. Por isso, apesar de ser o estado menos populoso do Brasil, a eleição proporcional local costuma reunir disputas intensas entre partidos e grupos regionais. A entrada de Romero Jucá havia acrescentado à corrida um nome com elevado conhecimento público, experiência no Congresso e forte estrutura partidária. Consequentemente, sua retirada modifica os cálculos eleitorais do MDB e pode beneficiar outros candidatos da própria legenda ou de partidos adversários. Como as vagas de deputado federal são distribuídas pelo sistema proporcional, os votos recebidos por cada candidato contribuem para o desempenho total da legenda ou federação. Assim, o MDB precisará reorganizar sua estratégia para compensar a ausência de um político que poderia funcionar como puxador de votos. Além disso, a desistência pode repercutir na campanha ao Senado de Teresa Surita e nas negociações relacionadas à sucessão estadual. Ainda será necessário acompanhar como o partido formalizará a retirada do registro e se indicará mudanças em sua lista de candidatos.

Trajetória de Romero Jucá marcou diferentes governos e o Congresso

Nascido no Recife, em Pernambuco, em 1954, Romero Jucá é economista e construiu sua principal base eleitoral em Roraima. Na década de 1980, foi presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas e, posteriormente, foi nomeado pelo então presidente José Sarney para governar o Território Federal de Roraima. Jucá permaneceu no cargo entre 1988 e 1990, justamente no período de transformação do território em estado. Em 1994, foi eleito senador e permaneceu no Senado por três mandatos consecutivos, entre 1995 e 2019. Durante esse período, exerceu posições de liderança no Congresso e participou das articulações de diferentes governos. Em 2005, foi ministro da Previdência Social no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Já em 2016, assumiu brevemente o Ministério do Planejamento durante a gestão de Michel Temer. Após não conseguir a reeleição para o Senado em 2018, permaneceu sem mandato, embora tenha continuado atuando no MDB. Portanto, quando Romero Jucá desiste de disputar a eleição de 2026, encerra-se uma tentativa de retorno formal ao Congresso, mas não necessariamente sua influência política. Conforme declarou, ele pretende continuar ajudando Roraima independentemente de ocupar um cargo eletivo.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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