Ronaldo Caiado deu uma entrevista à GloboNews e causou polêmica com uma declaração

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado declarou, durante entrevista à GloboNews, que não enfrentou movimentos de greve durante os dois mandatos em que governou Goiás. A afirmação, porém, não corresponde aos registros disponíveis sobre seu período à frente do governo estadual. Embora as paralisações tenham ocorrido dentro de uma universidade estadual e tenham sido posteriormente suspensas por decisões judiciais, houve, de fato, movimentos grevistas durante a administração de Caiado. Por isso, a declaração de que não teve greve em seu governo é classificada como falsa quando confrontada com os acontecimentos registrados.
Caiado governou Goiás entre 2019 e 2026 e, nesse intervalo, a Universidade Estadual de Goiás, a UEG, registrou pelo menos dois movimentos de greve envolvendo categorias diferentes. Em março de 2024, professores da instituição iniciaram uma paralisação relacionada a reivindicações da carreira docente. Já em julho de 2025, servidores técnico-administrativos também cruzaram os braços em uma mobilização por questões relacionadas ao plano de cargos e remuneração. Nos dois episódios, o governo estadual recorreu à Justiça e conseguiu decisões determinando a suspensão das paralisações e o retorno dos servidores às atividades.
A diferença entre a declaração de Caiado e os fatos registrados está justamente no significado de “não tive greve”. Se a frase fosse entendida como uma afirmação de que nenhuma categoria de servidores estaduais entrou em greve durante sua gestão, ela é contrariada pelos acontecimentos envolvendo a UEG. É verdade que as paralisações foram interrompidas por decisões judiciais e que os movimentos não permaneceram necessariamente por longos períodos. Entretanto, isso não elimina o fato de que as greves foram deflagradas. Portanto, a classificação como falsa decorre da existência documentada das paralisações, independentemente de elas terem sido posteriormente suspensas pelo Judiciário.
Caiado diz que não teve greve, mas UEG parou em 2024
O primeiro episódio ocorreu em março de 2024, quando professores da Universidade Estadual de Goiás entraram em greve. A mobilização foi conduzida pela Associação dos Docentes da UEG e estava relacionada a reivindicações da categoria, incluindo questões referentes à carreira e ao acesso a processos administrativos relacionados à proposta de alteração do plano de carreira dos docentes. A paralisação afetou as atividades acadêmicas e levou o governo estadual, por meio da Procuradoria-Geral do Estado de Goiás, a recorrer ao Tribunal de Justiça.
Em 5 de março daquele ano, o TJ-GO concedeu uma liminar determinando a suspensão da greve e o retorno imediato dos professores às atividades, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Na decisão, o tribunal acolheu argumentos apresentados pela Procuradoria-Geral do Estado, que havia questionado aspectos do movimento e apontado possíveis prejuízos aos estudantes e ao calendário acadêmico. O Judiciário também considerou que a paralisação poderia provocar impactos relevantes na aprendizagem dos alunos. Assim, a greve acabou sendo interrompida por determinação judicial, mas sua existência durante o governo Caiado está registrada oficialmente pela própria Procuradoria-Geral do Estado.
Professores da UEG entraram em greve durante governo Caiado
Esse episódio é importante para compreender por que a declaração feita pelo candidato não se sustenta quando analisada à luz dos fatos. A existência de uma decisão judicial determinando o fim da paralisação não significa que a greve não tenha acontecido. Pelo contrário, a própria notícia oficial da PGE-GO registra que o Tribunal de Justiça determinou a suspensão de um movimento grevista iniciado pelos docentes da UEG. Portanto, mesmo que a administração estadual tenha conseguido impedir a continuidade da paralisação, a categoria efetivamente deflagrou a greve. A informação também demonstra que houve um conflito entre servidores e governo durante a gestão de Caiado, ainda que a disputa tenha sido rapidamente levada ao Judiciário.
O segundo caso aconteceu pouco mais de um ano depois e envolveu os servidores técnico-administrativos da mesma universidade. Em julho de 2025, a categoria decidiu iniciar uma greve diante da falta de avanços nas negociações relacionadas ao Plano de Cargos e Remuneração. O Sindipúblico informou que o movimento começaria às 14 horas do dia 10 de julho e atingiria os departamentos da Reitoria, unidades e câmpus da UEG. A própria universidade divulgou uma nota informando sobre a paralisação e alertando para possíveis impactos em atividades administrativas, como matrículas, cadastramento de turmas e lançamento de disciplinas.
Nova greve ocorreu na UEG em julho de 2025
A greve dos técnico-administrativos também foi levada rapidamente à Justiça. O governo de Goiás e a Procuradoria-Geral do Estado ingressaram com uma ação contra o movimento, e o Tribunal de Justiça concedeu uma liminar determinando a suspensão da paralisação. A decisão determinou o retorno dos servidores às atividades e estabeleceu multa diária em caso de descumprimento. Segundo a PGE-GO, o tribunal reconheceu naquele momento a ilegalidade e o caráter abusivo do movimento, considerando também os possíveis prejuízos ao calendário acadêmico da universidade.
O próprio sindicato confirmou posteriormente que a greve iniciada em 10 de julho havia sido suspensa por causa da decisão judicial. Em comunicado divulgado em 14 de julho, o Sindipúblico orientou os servidores a retornarem às atividades a partir do dia seguinte, enquanto avaliava as medidas jurídicas que poderiam ser adotadas. Ou seja, novamente aparece a mesma sequência observada no episódio de 2024: uma categoria deflagrou uma greve, o governo acionou o Judiciário e uma decisão determinou a suspensão do movimento. O fato de as paralisações terem sido interrompidas judicialmente não altera o registro histórico de que elas foram iniciadas durante a administração de Ronaldo Caiado.
Por que a declaração de Caiado é considerada falsa
A análise da declaração precisa, portanto, separar duas situações diferentes. Se Caiado estivesse dizendo que seu governo não enfrentou uma greve prolongada, ou que nenhuma paralisação conseguiu permanecer em funcionamento por muito tempo, seria necessário avaliar exatamente o contexto em que a frase foi apresentada. Entretanto, ao afirmar categoricamente que “Eu não tive greve [no meu governo, em Goiás]”, a declaração transmite a ideia de que não houve movimentos grevistas durante sua administração. Os registros oficiais mostram o contrário: professores da UEG entraram em greve em março de 2024, enquanto servidores técnico-administrativos da mesma universidade iniciaram outra paralisação em julho de 2025.
A situação também evidencia como uma declaração política pode depender do contexto para ser corretamente avaliada. Caiado pode argumentar que as greves foram rapidamente suspensas por decisões judiciais ou que sua administração não permitiu que as paralisações se prolongassem. Isso, contudo, é diferente de afirmar que não houve greve. Os documentos produzidos pelo governo de Goiás, pela UEG, pelo sindicato e pelo Tribunal de Justiça registram os dois movimentos. Dessa maneira, a classificação de #FAKE está relacionada ao conteúdo objetivo da frase: houve, sim, greves durante o período em que Caiado governou Goiás. O que aconteceu posteriormente foi a suspensão judicial das paralisações, e não a inexistência dos movimentos.




